Por Pablo Canto

Os ataques de ansiedade estão relacionados com momentos de estresse ou acontecimentos traumáticos, embora possam ocorrer mesmo em situações de calma. Conhecer alguém que sofre ou já sofreu um é algo bem comum: de acordo com um estudo publicado pela Sociedade Internacional de transtornos afetivos, mais de 10% da população adulta na Espanha sofreu um ataque desses.

Essas crises, também chamadas de “ataques de ansiedade” ou “ataques de pânico” são “uma reação emocional extrema de alarme, que chega a causar medo”, explica a Verne por telefone Antonio Cano Vindel, professor de Psicologia na Universidade Complutense de Madrid e presidente da Sociedade Espanhola para o Estudo da Ansiedade e Estresse.

Para Cano, uma das principais causas pelas quais alguém entra em pânico durante as crises de ansiedade é o medo que produz o desconhecimento dos próprios sintomas. “São semelhantes aos de uma situação de ansiedade comum, a mesma que se pode sentir ao fazer um exame ou uma entrevista de emprego”, explica, “mas ao aparecer sem explicação aparente, produzem medo e inquietude”. Por sua vez, esse medo e inquietude retroalimentam os sintomas.

“Ocorre um ciclo vicioso”, diz Cano. “Se a pessoa afetada começa a ter taquicardia, acha que pode estar sofrendo um ataque cardíaco, por isso se assusta, aumenta a ansiedade e a taquicardia piora”. A chave para minimizar os ataques e até evitá-los é, portanto, conhecer os sintomas “para não ampliá-los e saber que não podem causar nenhum dano”.

Sintomas para identificar um ataque de ansiedade

Entre os sintomas que apresenta um ataque de ansiedade, Cano enumera:

1. Aumento brusco da sensação de ansiedade e medo

2. Taquicardia

3. Fortes palpitações

4. Aumento da temperatura corporal

5. Sudoração

6. Tremores

7. Sensação de irrealidade

8. Despersonalização (sentir-se fora de si mesmo) ou desrealização (sensação de que o que está acontecendo não é real)

9. Medo de morrer, perder o controle ou o conhecimento

10. Sensação de estar se afogando

Além dos sintomas mencionados por Cano, o Manual diagnóstico de transtornos mentais, da Associação Norte-Americana de Psiquiatria, também enumera:

11. Sufocação

12. Opressão ou desconforto no peito

13. Sensação de entorpecimento ou formigamento.

Em um ataque de ansiedade nem todos esses sintomas aparecem. Com o surgimento da sensação de ansiedade e medo – sintoma principal – devem aparecer pelo menos mais quatro sintomas dos enumerados acima. Todos eles começam abruptamente e, se não forem controlados, atingem seu auge nos primeiros 10 minutos. Não têm uma duração determinada: “Vai depender de como a pessoa processar e quanto demore para se distrair”, explica Cano.

“Os fatores que pioram uma crise de ansiedade são a magnificação e a atenção aos sintomas”, diz o psicólogo. “Além disso, nos casos de pessoas que já sofreram um, a antecipação: a própria ansiedade que provoca pensar em um ataque pode chegar a provocá-lo”. A chave para o psicólogo é, portanto, conseguir desviar a atenção dos sintomas assim que aparecerem, para não agravá-los.


Como ajudar uma pessoa que sofre um ataque de ansiedade

A prioridade para que um ataque de ansiedade desapareça é conseguir que a pessoa afetada pare de pensar nos sintomas que está sofrendo. Para isso, Cano recomenda:

1. Manter uma conversa ativa: “A chave é conseguir distrair a pessoa, embora não seja fácil, porque sua atenção vai se concentrar no que acha que a está ameaçando”, diz Cano. Para o professor, a forma de desviar a atenção é “fazer todo o possível para que o afetado fale”.

2. Ajuda não magnificar os sintomas: é importante tentar que a pessoa afetada entenda que nada do que está acontecendo pode causar danos. Enquanto falamos com ela, “devemos tentar mostrar que são os mesmos sintomas que temos quando fazemos uma prova ou falamos em público”, diz Cano.

3. Normalizar a situação: “Um dos medos que ocorrem no início de um ataque de ansiedade é que os sintomas sejam observáveis”, disse Cano. É importante, portanto, evitar chamar a atenção e que pessoas se aglomerem ao redor do afetado.
E o saco plástico?

No imaginário coletivo está a ideia de que, quando acontece um ataque de ansiedade, é preciso que o afetado respire em um saco plástico. É porque os ataques de ansiedade estiveram ligados por muito tempo à hiperventilação, uma respiração excessiva que causa uma diminuição do dióxido de carbono no sangue. Esta redução produz, por sua vez, sintomas associados com a ansiedade, como tonturas ou taquicardia.

No entanto, a hiperventilação não é a causa dos ataques: um estudo do Centro de Estudo da Ansiedade na Universidade de Boston, que tentou induzir ataques de pânico por hiperventilação, concluiu que ela nem sempre produz uma reação de ansiedade. “Para alguns pode funcionar”, diz Cano “mas a hiperventilação não é o verdadeiro motor das crises”, diz Cano. “A magnificação e a atenção aos sintomas são causas, e é isso que devemos tentar combater”.

Imagem de capa: Shutterstock/Stock-Asso

TEXTO ORIGINAL DE EL PAIS

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