A Adolescência na psicanálise

Adolescência é uma fase crítica na vida do indivíduo. O adolescente, muitas vezes, é tido como rebelde, problemático, desobediente, entre outros. Os pais ficam sem entender como que aquela criança se transformou em um ser tão diferente. Uns chegam a afirmar: – não é possível, trocaram meu filho. Viram rotina frases como: 1) Eu não te reconheço mais; 2) Você está muito rebelde; e 3) Enquanto você viver debaixo do meu teto e comer do meu arroz, terá que me obedecer.

Mas, para a psicanálise tudo isso faz parte da Adolescência Normal. O termo adolescência normal é defendido pela autora Arminda Aberastury, em seu livro Adolescência Normal: Um enfoque psicanalítico. De acordo com a obra “as mudanças psicológicas que se produzem nesse período, e que são a correlação de mudanças corporais, levam a uma nova relação com os pais e com o mundo. Dessa forma, é necessário que o indivíduo elabore dentro de si o luto pelo corpo de criança, pela identidade infantil e pela relação com os pais da infância.

E nesse contexto de mudanças, o indivíduo se depara com várias mudanças e desafios e que, de forma geral, não se encontra preparado. Neste período existe uma oscilação entre a dependência e independência. E, só mais tarde, com a maturidade, alcançará a independência dentro do limite necessário de dependência. Trata-se, portanto, de um período marcado por conflitos, contradições e permeado por ambivalências, dores e atritos familiares.

Graças a isso, não é incomum que a adolescência normal seja vista como sendo uma crise familiar e/ou estado patológico. E, por fim, é só a partir do momento que o adolescente é capaz de aceitar, de forma simultânea, os seus aspectos de criança e de adulto e as mudanças corporais, que começa a surgir a sua nova identidade. Assim, o adolescente se apresenta como vários personagens, sendo um para os pais, outro na escola e outro com determinado grupo de amigos. E, também, sendo comum nessa fase, chamar atenção através das vestimentas, como parte das flutuações da identidade.

Os pais também sofrem com durante o processo, tendo, muitas vezes, dificuldades em aceitar o crescimento do filho. E eis que, “o desprezo que o adolescente mostra frente ao adulto é, em parte, uma defesa para eludir a depressão que lhe impõe o desprendimento de suas partes infantis, mas é também um juízo de valor que deve ser respeitado”, afirma Aberastury. Além disso, a desidealização das figuras parentais, afunda o adolescente no mais profundo desamparo.

Então, a transição se dá principalmente pela perda do corpo infantil e ninguém poderá recuperar esse corpo. E segue-se com mudanças psicológicas, havendo a necessidade da renúncia da condição de criança e de ser tratado como tal. Também, perde-se o vínculo dos pais com o filho infantil, cuja a relação é de dependência. Nessa fase, os pais usam a dependência econômica como poder sobre o filho, o que pode gerar ressentimentos duradouros.

Na adolescência, fala-se pouco da dificuldade dos pais em aceitar o crescimento do filho, e principalmente no que tange a sexualidade. Mas, é algo que deveria ser muito bem trabalhado e elaborado. Pois, através da adolescência e o seu desenrolar que se chega na fase de relacionamento de pais e filhos (adultos com adultos).

Em resumo, conclui-se que a adolescência é uma fase complexa e permeada de transição, lutos e aceitação e tem como característica a obrigação da criança entrar no mundo do adulto, quer queira ou não, através das mudanças que acontecem no corpo e, também, mais tarde, através do desenvolvimento de suas capacidades e afetos. E, ao contrário do que se imagina, a adolescência normal não é aquela que se dá de forma tranquila, mas sim aquela que atravessa todos os percalços respeitando os processos necessários e indispensáveis para a transição da criança para o mundo dos adultos.

 

 

Compartilhar
Juliana Alves
Bacharel em Direito,PUC-GO e Graduanda do 10º Período de Psicologia, IESB-DF. Escritora na área de Psicologia, Psicanálise e Psicopedagogia. Pós Graduada em Gestão Estratégica em Instituições Públicas e Psicopedagogia.



COMENTÁRIOS