Certo grau de ansiedade sempre está presente no desenvolvimento saudável dos indivíduos. Especialmente diante de situações aversivas – realizar uma prova na faculdade, participar de uma entrevista de emprego, ter que falar em público etc. – é comum que nos sintamos preocupados e fragilizados.

No entanto, para algumas pessoas, tal estado de apreensão e impotência é extremamente forte e as impede de realizar a atividade pretendida. Para outras, tais emoções são constantes e contínuas, não estando atreladas a nenhum evento em especial. Nesses casos, aí, sim, temos que considerar um problema de ansiedade.

A ansiedade circunstanciada, ligada a eventos aversivos que estão em iminência de acontecer, é natural. Podemos aprender a controlá-la para que não influencie negativamente o nosso desempenho social. Estratégias de relaxamento e de respiração (Respiração Diafragmática, Relaxamento Muscular Progressivo de Jacobson etc.), assim como técnicas de visualização (Descatastrofização, Dessensibilização Sistemática, entre outras), podem nos ajudar nesse processo.

Já a ansiedade que escapa ao nosso controle, particularmente quando não está associada a nenhuma circunstância conhecida, exige um pouco mais de atenção e cuidado. Buscar ajuda médica e psicológica é essencial para que a pessoa consiga controlar seus estados de maior ansiedade, podendo, assim, melhor se adaptar aos diversos contextos e situações do seu dia a dia. Em casos mais severos, inclusive, é indicada intervenção medicamentosa (após boa avaliação e diagnóstico do quadro do paciente).

Em todos os casos, a superação de sintomas de ansiedade e o controle cotidiano desses passa, também, por mudanças nos nossos hábitos. Pequenos cuidados ao longo da nossa rotina podem potencializar o sucesso de qualquer tratamento.

Há alimentos, por exemplo, que estão associados ao controle da ansiedade – frutas cítricas, leite e derivados magros, ovos, banana, carboidratos derivados de cereais, carnes e peixes, espinafre etc. – enquanto outros são considerados fator de risco para a produção de sintomas – café, gorduras saturadas, carboidratos refinados / açúcar, corantes e conservantes presentes em alimentos industrializados, entre outros. Substâncias como o tabaco, o álcool e as drogas ilícitas também agravam quadros de ansiedade, devendo ser evitados.

A prática regular de atividade física também é considerada fator que pode trazer benefícios relacionados à diminuição de sintomas de ansiedade e a melhorias nos estados de humor do indivíduo. Pesquisadores internacionais apontam que o exercício atua no organismo de forma similar à de algumas drogas antidepressivas.

Nossos hábitos de sono também influenciam nossos estados de humor. A falta de horas de sono pode acarretar formar diversas de ansiedade. O problema é que a ansiedade, em si, traz prejuízos à qualidade do nosso sono, o que agrava os próprios sintomas da ansiedade – o ciclo se retroalimenta. Educar o corpo e cuidar da qualidade do nosso sono é essencial no controle dos sintomas.

Fato é que a ansiedade está cada vez mais prevalente (ou, ao menos, é essa a nossa percepção) no mundo contemporâneo. A correria do dia a dia, a velocidade com a qual recebemos informações por todos os lados (intensificada pelas evoluções tecnológicas, especialmente pelas novas tecnologias de informação e comunicação – as NTICs), o ideal de produtividade que internalizamos, o consumismo, são alguns dos fatores que nos fazem, enquanto sociedade, nos apercebermos mais ansiosos que as gerações de outrora.

Para a prevenção da ansiedade, precisamos desacelerar. Precisamos voltar a vivenciar períodos de descanso, de ócio, de reflexão. Não descansamos quando estamos continuamente expostos à luzes e informações na tela do smartphone. A sensação de que “o cérebro não para”, muitas vezes, é consequência de nossos próprios comportamentos, dos nossos hábitos, de nossa rotina.

A psicoterapia pode nos auxiliar nesse caminho de organização da vida, de digestão das emoções, a fim de que sejamos mais adaptados às circunstâncias da contemporaneidade. Mas, principalmente, pode nos ajudar a adquirir e a manter saúde e qualidade de vida.

Imagem de capa: Shutterstock/ESB Professional

*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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DANILO CICONI DE OLIVEIRA

DANILO CICONI DE OLIVEIRA é psicólogo (CRP 06/123683) e bacharel em Psicologia (USP), graduando em Pedagogia – Licenciatura (CLARETIANO) e especialista em Psicopedagogia (UNINTER). Sua trajetória profissional se destaca especialmente pela atuação junto a adolescentes e jovens. Como educador, dedicou-se a intervenções socioeducativas com adolescentes judicializados e, atualmente, à formação / treinamento de jovens em contextos de aprendizagem corporativa, assim como à docência no ensino superior. Sua formação complementar é marcada por atividades formativas relativas a programas de prevenção e intervenção psicossocial na juventude e a questões atinentes ao processo ensino-aprendizagem, particularmente no tocante às novas tecnologias de ensino e à contextos organizacionais de educação. Psicólogo clínico, atua na cidade de São João da Boa Vista – SP.


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