Antidepressivos em psicoterapia?

A depressão é um transtorno psicológico sério e que merece a devida atenção.
No entanto, trata-se de algo um tanto quanto difícil de se diagnosticar precisamente, considerando os limites entre a depressão em si e um estado passageiro de tristeza, desânimo e baixa auto estima a que todos nós estamos sujeitos a enfrentar em um momento difícil da vida.
Sabemos que a depressão é conhecida popularmente como “o mal do século” e atinge milhões de pessoas que habitam o mundo inteiro, mas, é preciso ter cuidado para não se “esconder” atras deste diagnóstico e desconsiderar o contexto social, cultural, econômico e familiar que o sujeito está inserido.
Sendo assim, é válido questionar o quanto a mídia incentiva o consumo, o prazer imediato e a felicidade sem esforços e sem sacrifícios, não permitindo que a tristeza e a dor venham a tona.
Na minha prática clínica eu venho percebendo (sem generalizar, é claro) como, para o psicólogo, é possível identificar a necessidade de intervenções medicamentosas nos pacientes que sofrem depressão ou outros transtornos psicológicos mais severos e fazer o encaminhamento ao psiquiatra. Infelizmente, o que tenho notado é que a recíproca não é verdadeira.
Por que é tão difícil para um psiquiatra encaminhar o paciente para a psicoterapia?
Por que existem psiquiatras que ainda insistem em desvalorizar a nossa profissão é dizer ao paciente que “psicoterapia é bobagem”??
Não podemos negar o quanto o paciente precisa da medicação até mesmo para conseguir estar em terapia, pois a minha abordagem de trabalho por exemplo (que é a Psicanálise) exige do paciente a capacidade de simbolizar e de pensar e, muitas vezes, a própria gravidade do sintoma prejudica esta capacidade em alguns casos.
Os medicamentos antidepressivos agem em favor do paciente, restabelecendo o equilíbrio biológico e neuroquímico do cérebro ao estimular a produção de neurotransmissores que estão em falta e/ou inibir a produção daqueles que estão em excesso.
Porém, será que somos feitos apenas de cérebro, de matéria, de corpo? E a nossa mente, as nossas emoções, a nossa subjetividade…como fica?
Nós somos tudo aquilo que vivenciamos, nossos vínculos, nossos pensamentos, sentimentos, memórias. Ou seja, nós temos uma história para contar.
E é isso que a psicoterapia vai fazer por você e que, raramente, vejo outros profissionais fazerem: dar voz ao paciente, considerar os sentidos e significados que ele atribui aos seus sintomas, a si mesmo, aos outros e ao mundo.
Não esqueçamos que, assim como tudo na vida, o uso prolongado e inadequado de medicamentos tem um preço: efeitos colaterais capazes de prejudicar a saúde física e mental do paciente.
Por isso a combinação de antidepressivos e psicoterapia ainda continua sendo o melhor recurso no combate à depressão.
Afinal, não nascemos dependentes de medicamentos. Trata-se de uma atitude cultural, que envolve também questões políticas e farmacológicas.
Além do que, de que adianta medicalizar a vida se não pudermos olhar para nosso mundo interno, aprender a lidar com as frustrações e adversidades, enfrentar os obstáculos e superar nossas dificuldades?
Acredito que conscientemente ninguém escolhe adoecer, mas cada um escolhe o preço que deseja pagar por isso…
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Audrey Leme
Psicóloga Clínica de abordagem psicanalítica; Atualmente atende em consultório particular e no Dispensário Madre Tereza de Calcutá na cidade de Limeira-SP; ministra palestras para a comunidade com temáticas voltadas ao desenvolvimento humano. Também possui formação em Administração de Empresas e experiência na área de RH (Recrutamento & Seleção e Treinamento e Desenvolvimento).



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