As escolhas que repetimos

 Por Audrey Leme

 “Eu sou assim, mas não gosto de ser assim, pois acho que eu seria mais feliz sendo diferente, mas não consigo ser diferente…”

Quando alguém procura um psicólogo, geralmente aparece esta queixa em seu discurso. O sofrimento vivido impede o sujeito de desfrutar da vida que ele deseja viver.

Mas, por que será que precisamente aquilo que faz o sujeito sofrer tanto seja também aquilo que ele não consegue deixar de fazer?

Quando ficamos reféns de nossas emoções ruins, como por exemplo, a culpa, o medo, a raiva, a inveja, etc. acabamos por adoecer e nos tornamos escravos de algum comportamento repetitivo (vícios, compulsões, rituais obsessivos, relações doentias, crises emocionais) que tiram nossa liberdade de escolha diante das situações vividas. O que buscamos não é o ato em si, mas o que isto provoca em nós (alívio, prazer, satisfação).

Você já se deu conta, por exemplo, que faz escolhas na vida que lhe causam angústia e sofrimento, mas mesmo assim continua repetindo as mesmas escolhas?

Isso acontece porque aquilo que conscientemente o faz sofrer, no nível inconsciente o satisfaz, atendendo às expectativas de suas pulsões. Logo, oque ainda não foi interpretado e permanece incompreendido encontra uma maneira de retornar.

Para alcançar a liberdade e desprender-se daquilo que causa sofrimento, é preciso estar disposto a assumir a responsabilidade pelas rédeas de sua vida, sem infligir a outras coisas ou pessoas a culpa por sua condição, reconhecendo a autoria na sua própria desordem.

Soltar a âncora que te mantém sempre no mesmo lugar e produzir algo novo traz resistências comuns a todo processo de mudanças. Diante do medo do desconhecido, nosso cérebro se acomoda, nos mantendo presos a emoções que não nos servem mais e continuamos, então, fazendo as coisas sempre do mesmo jeito, repetindo os mesmos erros, viciando nossa mente. As emoções são as drogas mais viciantes que existem…

Por isso é necessário conhecer a origem do seu sofrimento, debruçar-se sobre suas escolhas, repensar, recontar, identificar a satisfação que é buscada ao se repetir e reconhecer seu papel nas sucessivas repetições.

O processo de psicoterapia além de facilitar a autoanalise, pretende auxiliar o paciente a gerenciar suas emoções, administrar seus sentimentos e conhecer-se, identificando o seu desejo encoberto.

Nesse sentido, o papel do psicólogo inclui confrontar você com você mesmo, oferecendo condições que o permita olhar para suas atitudes, emoções, repetições e tudo aquilo que te afeta, mas que sozinho você não está conseguindo perceber.

Trata-se de uma escuta que vai buscar compreender o que há de específico em cada sofrimento que se apresenta, não por capricho, não por fraqueza, não por grandeza moral, mas porque ainda não consegue se fazer de outra maneira.

Consequentemente a isso, os sintomas deixam de lhe ter serventia e pode ser possível semear novos pensamentos, sentimentos, jeitos de ser.

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Audrey Leme
Psicóloga Clínica de abordagem psicanalítica; Atualmente atende em consultório particular e no Dispensário Madre Tereza de Calcutá na cidade de Limeira-SP; ministra palestras para a comunidade com temáticas voltadas ao desenvolvimento humano. Também possui formação em Administração de Empresas e experiência na área de RH (Recrutamento & Seleção e Treinamento e Desenvolvimento).



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