“Transtornos mentais roubam um pedaço da vida, a desassistência rouba o resto”. Com este alerta, campanha do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS) foi lançada para marcar o Dia Mundial da Saúde, 7 de abril.

A campanha tem como objetivo alertar a população e todas as esferas de poder público sobre o descompasso entre o aumento do número de portadores de transtornos mentais e comportamentais no país e a estrutura de atendimento público oferecido para atender a população.

Para colocar o tema na ordem do dia, o SIMERS criou um site com informações sobre o cenário da saúde mental no país e no estado:  “Queremos reforçar o alerta de que se trata de uma das maiores crises de saúde pública na atualidade. Precisamos cobrar que todos os setores responsáveis pela saúde ajam, que os serviços sejam eficientes, só assim poderemos salvar vidas. Muitas consequências, como suicídios, ou histórias de famílias destruídas, poderiam ser evitadas e prevenidas!”, destaca Roberta Grudtner, psiquiatra e diretora do Sindicato Médico.

Os números são alarmantes: na América Latina, o Brasil tem a maior taxa de incidência de depressão – 5,8% da população vive com a doença, maior causa de suicídios no país – e de ansiedade – 9,3% da população.

O Brasil possui ainda cerca de 8 milhões de dependentes químicos, ou seja, pacientes que necessitam de tratamento e apoio para vencer a dependência e ter a chance de recuperar sua vida. Segundo o Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos (Lenad), 58% dos casos de internação foram pagos pelo próprio familiar, sendo que em 9% das ocorrências houve cobertura de algum tipo de convênio. O tratamento em hospitais públicos, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), foi citado por apenas 6,5% das famílias de usuários em reabilitação.

Enquanto a população brasileira aumentou em 40% entre 1989 e 2016, foram fechados quase 100 mil leitos psiquiátricos no país durante o mesmo período. De 120 mil espalhados pelo território nacional, o total despencou para 25.097. É o cenário da desassistência daqueles que buscam ajuda e raramente conseguem.

 

Números que chocam:

Depressão:

– 350 milhões de pessoas no mundo, de todas as idades, sofrem de depressão ou ansiedade: 5% da população mundial, sendo que as mulheres são as mais afetadas.

– Brasil tem a maior taxa de depressivos da América Latina, com uma média superior a mundial. Estima-se que 10% da população brasileira, de todas as classes sociais, viva com depressão.

– Entre jovens de 15 a 29 anos a depressão é a segunda maior causa de morte no mundo.

– A depressão é a principal causa de morte por suicídio. Cerca de 800 mil pessoas por ano tiram a vida no mundo.

– 15% das mulheres grávidas que acabaram de dar à luz bebês sofrem de depressão.

– Até 2020, a depressão será a doença mais incapacitante em todo o mundo.

Ansiedade:

– O Brasil é o país na América Latina líder em ansiedade, ou seja, 9,3% da população. Essa taxa é três vezes maior que a média mundial. (Fonte: Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde)

Dependência química:

– 8 milhões de brasileiros são dependentes químicos.

– 28 milhões de brasileiros têm algum familiar que é dependente químico

– Para cada dependente químico, em média, 4 pessoas são afetadas.

– O Levantamento Nacional de Famílias dos Dependentes Químicos (Lenad) apontou que 58% dos casos de internação foram pagos pelo próprio familiar, em 9% dos casos houve cobertura de algum tipo de convênio, o uso de hospitais públicos, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), foi citado por apenas 6,5% das famílias de usuários em reabilitação.

Rede de internação:

– No Brasil entre 1989 e 2016, a população aumentou em 40% (mais de 56 milhões de habitantes) e foram fechados quase 100 mil leitos psiquiátricos. (Em 1989 existiam 120 mil leitos no país, em 2016, são 25.097.)

– O número de CAPS no país, centro de atenção psicossocial que tem por finalidade o atendimento de pacientes com transtornos mentais severos e persistentes, em regime de tratamento intensivo, semi-intensivo e não intensivo, é de 2340. Sendo que destes, quase 50%(CAPS tipo I) não exige a contratação de psiquiatra. Logo, não conseguem garantir atendimento adequado necessário aos pacientes com transtornos mentais e comportamentais.

Alerta para o Brasil:

– 3% da população brasileira sofrem com transtornos mentais graves e persistentes.

– 6% apresentam transtornos psiquiátricos graves decorrentes do uso de álcool e outras drogas.

– 12% dessas pessoas necessitam de algum atendimento, contínuo ou eventual.

– A maioria das pessoas com algum transtorno mental não busca atendimento psiquiátrico. Os motivos: estigma, desconhecimento da doença, preconceito, falta de serviços adequados para atendimento psiquiátrico, e até medo.

Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS), Ministério da Saúde e entidades/estudos de Psiquiatria.

Imagem de capa: Shutterstock/Lucien Fraud

TEXTO ORIGINAL DE SIMERS

 

*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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