O carnaval nasce das origens gregas de nossa civilização ocidental. Era uma festa profana de culto a fertilidade, celebrada com sexo e vinho, um culto ao deus Dionísio, onde desfrutava-se as festas do carnaval: carnaval vem de “carnis vallis”.
No Brasil o carnaval é uma festa luso-afro-ameríndia, sofreu a influência da França. Portugal nos trouxe o entrudo e, da comédia teatral, o Rei Momo, além do zé-pereira, tocador de bumbo, que revolucionou o carnaval carioca e deixou a herança rítmica da cuíca, do pandeiro, do reco-reco e de outros compassos.

Ao mesmo tempo a comédia Italiana influenciou com suas colombinas, pierrôs e os arlequins. Depois entrou o sexo, o suor, a nudez, a vaidade e as fantasias com o ritmo do pagode, do funk, do sertanejo, do samba, do eletrobrega e da micareta. Misturas de costumes e tradições tão diferentes que faz do nosso carnaval o mais famoso do mundo.

No carnaval a ordem é negar a “autoridade do pai” e do controle social que tornam todos civilizados para sobreviver a rotina do trabalho, da violência social e lei da competição que transformou a vida numa “selva de pedra”. Agora no período de carnaval pode-se transgredir.

Além disso, o carnaval provoca uma quebra na ordem social e permite a inversão de papéis: pobre vira rei e rainha, homem vira mulher e mulher vira homem, adultos pedem chupeta enquanto crianças se transformam em super-herois, por fim, o carnaval é simulado pela mistura de cores, classes sociais, diversão e cultura.

Essa festa permite celebrar a parte mais instintiva do ser humano, como um espaço coletivo para – dar vazão aos impulsos do ID. Por isso, vale usar máscaras, vestir fantasia, como recurso de defesa psíquica para desfrutar os prazeres da carne, sem as amarras das censuras que, desde sempre, tomaram conta da relação do sujeito com o seu desejo.

Também o carnaval é um mercado que gera renda, promove a cultura e o turismo. Ótimo para uma economia em crise como a nossa. Portanto, é importante os prefeitos investirem no carnaval de suas cidades. Mas o carnaval acaba exatamente na quarta-feira de cinzas, em que os restos de quem nunca fomos podem ser jogados ao vento. As serpentinas, as fantasias já foram gastas e outras máscaras nos serão oferecidas para o nosso dia a dia, mais sóbrias e mais obedientes – para enfrentar o retorno à civilização.

Imagem de capa: Shutterstock/rawf8

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Jackson César Buonocore
Jackson César Buonocore Sociólogo e Psicanalista

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