Com a correria diária, é complicado tirar um tempo para escutar o filho

Por Eanes Moreira dos Santos

Cansados do trabalho, estressados com o trânsito, trabalho levado para casa, rotina doméstica, obrigações e compromissos. Com isso vem a pergunta: e as crianças?

Como lidar com as crianças, com toda essa carga de atividades, que a atual realidade profissional moderna exige. Para tanto, é necessário dedicar um tempo específico com total atenção as necessidades das crianças, com brincadeiras, realização de tarefas escolares e contar histórias.

Então, uma boa estratégia para fortalecer a relação, criar um laço mais íntimo, eé um momento importante para ambos, tanto para pais, como para os filhos. Ao contarem história para a criança e as deixarem expressarem o que ouviram, no entanto, as crianças falam o seus sentimentos e emoções diante da história contada. É um momento delicado, em que não há obrigações, só a proximidade e carinho.

Os pais podem aproveitar este momento, para uma maior proximidade, dado o tempo limitado. Então, ao contar histórias, os pais criam um universo onde não há barreiras, em sendo um momento divertido para ambos, as emoções afloram e é uma excelente estratégia para que os pais saibam um pouco mais sobre o que se passa com a criança, explorando informações que não são evidentes, não são expressas ou simplesmente não são ouvidas.

Para as crianças, alguns sentimentos são difíceis, intensos, confusos, perturbadores e dolorosos e as crianças possuem uma natural dificuldade para expor emoçõese de digerir alguns sentimentos e não apresentam recursos internos para entendê-los de forma concreta, muito menos para regular o nível de intensidade.

Os sentimentos negativos podem trazer infelicidade, quando a carga energética fica represada dentro de nós e, como toda energia, acaba vazando em forma de sintomas neuróticos, físicos ou comportamentos agressivos, enurese noturna, medo de separações, falta de concentrações, dificuldade de aprendizagem, problemas emocionais, entre outros.

O adulto, no caso os pais e os professores, de certa maneira não conseguem atingi-la de um jeito que realmente sabem ou entendem a criança, aproveitando o momento de contar história, usando uma fala num nível mais profundo e imediato do que a linguagem literal cotidiana.

A dica é buscar uma história que tenha haver com o problema enfrentado no momento pela criança e contar uma história de forma lúdica; a criança vai se identificar com o personagem principal, fará o mesmo percurso do personagem central da história, assim, ela enfrentará os mesmos obstáculos, sofrendo com suas derrotas, mas vai sentir sua coragem para externar de alguma forma o problema.

Pode ser que ela não se identifique por exemplo, com o personagem central, mas é importante observar o que a criança diz do personagem escolhido e após contar a história, ouvir atentamente a criança, deixando-a expressar a seu modo, o que ela entendeu da história. Atenção! Sem interferências.

Trago o exemplo de um livro que conta história do Piro.

“Piro é uma criança que tem medo do escuro, vamos ver como ele resolveu o seu medo”?

Pais, vocês conhecem seus filhos, portanto, fiquem atentos a tudo e lembrem-se, histórias não devem ser contadas apenas em momentos difíceis, o habito facilita na expressão, na proximidade e no expor dificuldades, pois a confiança já foi estruturada e fortalecida. Fica assim, mais fácil ajudar seus filhos.

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Eanes Moreira dos Santos
Psicóloga Clínica - CRP 09/5798. Graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás – PUC/GO, Especialista em Terapia de Casais e Família pela IEP/PUC-GO e Pós-graduada em Saúde da Família, pela UniversidadeFederal deGoiás - UFG.Atende em consultório particular com Psicoterapia Infantil e Casais, Avaliação Psicológica, Orientação Vocacional, além de participar dos projetos Descobrindo Crianças, Cativare e ValorizaPsie. É autora de dois Grupos de estudos, Equipe Multiprofissional em Políticas Públicas e o Terapia Pais e filhos.



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