Por Rodrigo Fernando Pereira

Muitas pessoas que procuram pela primeira vez uma psicoterapia não sabem exatamente o que ela é, como ela funciona e o que pode se esperar desse processo. Algumas vezes, as pessoas procuram terapia por recomendação de outro profissional de saúde, como um médico, sem saber exatamente como o trabalho com um terapeuta pode ajudá-las.

Núcleo InterfaceComo a psicologia é um campo muito amplo, pode haver diversas formas de realizar uma psicoterapia, de acordo com abordagem teórica do profissional. Além disso, mesmo dentro de uma linha de pensamento, cada terapeuta tem a sua forma de trabalhar, o seu estilo de atender. Alguns aspectos da atuação do psicólogo são regidos pelo Código de Ética Profissional e devem ser respeitados independentemente da forma de trabalho do terapeuta. Tirando esses aspectos, é impossível dizer como funcionam todas as psicoterapias disponíveis no mercado, de forma que vou usar como base a forma como desenvolvo o trabalho na clínica em que atendo, o Núcleo Interface de Psicologia.
1. O profissional

A psicoterapia é realizada mais frequentemente por psicólogos e psiquiatras. Um psicólogo é um profissional que fez um curso de graduação em psicologia, que dura cinco anos. Já um psiquiatra é um médico que se especializou em psiquiatria. Apenas os psiquiatras podem prescrever medicações. É muito comum o trabalho conjunto entre psicólogos e psiquiatras, em que a pessoa atendida faz terapia com o psicólogo e acompanhamento da parte medicamentosa e física com o psiquiatra. Como comentei anteriormente, cada profissional tem uma linha de trabalho. Essa linha de trabalho contém os instrumentos que o psicólogo utilizará para avaliar e tratar seu paciente. Eu atuo com Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT). Ambas têm um respaldo científico significativo em relação à sua eficácia e seriedade.
2. O sigilo

Um dos aspectos fundamentais da psicoterapia é o sigilo, garantido pelo Código de Ética Profissional. Isso significa que o psicólogo não pode falar com outras pessoas aquilo que é discutido em sessão, de forma que você possa falar abertamente sobre seus problemas sem receio de que eles sejam conhecidos por outros. Eventualmente, o psicólogo pode discutir o seu caso com um supervisor, colegas ou outros profissionais, mas, quando o faz, deve falar apenas o necessário, sem identificar a pessoa atendida.
3. O espaço

A sala de um psicólogo é parecida com a sala de estar de uma casa. Geralmente existem pelo menos duas poltronas, uma para o terapeuta e outra para a pessoa atendida. Alguns terapeutas utilizam divãs, que é uma espécie de poltrona comprida em que você pode se deitar. Psicólogos que atendem crianças podem ter uma área para jogos, brincadeiras e atividades lúdicas. O ideal é que seja um espaço silencioso, confortável e seguro. Na minha sala, há uma poltrona, um sofá de dois lugares, uma estante com livros, um armário, uma mesinha de canto e plantas.


4. O valor

Os psicólogos geralmente cobram por consulta, ou sessão. É comum que, quando a pessoa está em tratamento e faz várias sessões por mês, cobre-se um “pacote”, ou valor fixo mensal. O valor é algo estabelecido de forma bastante pessoal, geralmente variando de acordo com a qualificação e experiência do terapeuta, a localização e as condições do consultório, o tipo de público que o profissional atende, entre outros aspectos. O Código de Ética Profissional proíbe o psicólogo de usar o preço da sessão como chamariz para atrair clientes.
5. A avaliação ou diagnóstico

A primeira coisa que o terapeuta faz quando tem o primeiro contato com a pessoa atendida é a avaliação, ou o diagnóstico psicológico. Nesse processo, fala-se sobre os motivos pelos quais a pessoa procurou atendimento, tentativas de resolução do problema, história de vida e as expectativas em relação à terapia. A avaliação pode durar uma ou mais sessões. No meu caso, a avaliação é um processo constante: estou frequentemente discutindo com as pessoas que atendo o seu estado atual, a fim de verificar se a terapia está funcionando, se as dificuldades estão melhorando e se o rumo do trabalho deve permanecer o mesmo.
6. A sessão

Depois de feita a avaliação, costumo discutir com a pessoa atendida os objetivos da terapia, bem como a frequência das sessões. Sessão é o termo que se utiliza para denominar uma consulta psicológica. Ela geralmente dura cerca de 50 minutos. Eu costumo fazer, com as pessoas que atendo, uma sessão por semana. Em momentos de crise ou em situações mais graves, posso atender uma mesma pessoa duas vezes por semana. Por outro lado, quando a pessoa está finalizando o processo de terapia, é comum que, antes do término, sejam feitas sessões mais espaçadas, como por exemplo a cada duas semanas.
7. O tratamento

Ao longo das sessões, o terapeuta realiza o tratamento propriamente dito. É aqui que as psicoterapias se diferenciam bastante. Cada abordagem emprega diferentes técnicas ou métodos para favorecer a mudança por parte do cliente, a fim de que ele atinja os objetivos da terapia. O método também varia de acordo com o quadro da pessoa que é atendida. De forma geral, a minha forma e trabalho é compreender como a pessoa percebe o mundo e consequentemente, como ela age. Tento entender, a partir da sua história de vida, quais os motivos pelos quais ela tem uma determinada forma de enxergar as coisas e de se comportar. Com essa análise, é possível pensar em maneiras alternativas de encarar as situações e de agir, sempre na direção daquilo que ela espera ou deseja para sua vida. Costumo trabalhar bastante com atividades que a pessoa atendida pode desenvolver fora da sessão, no seu dia a dia, pois acredito que elas são determinantes para promover as mudanças. Obviamente, essa é uma explicação muito resumida; o processo real é bem mais complexo do que isso.
8. A duração

Algumas formas de terapia mais estruturadas têm uma duração pré-determinada, como oito ou doze semanas. Contudo, a maior parte dos terapeutas — eu inclusive — prefere não trabalhar com um prazo fixo. Primeiro, porque é difícil prever como a pessoa atendida reagirá ao tratamento; muito do sucesso da terapia depende dela mesma. Segundo, porque o foco do tratamento pode mudar ao longo do processo, e isso pode alterar o tempo necessário para se atingirem os objetivos desejados.
9. A finalização

Quando a terapia atinge seus objetivos, ela pode ser finalizada. Isso deve ser discutido entre o terapeuta e a pessoa atendida, para que seja feito de uma forma confortável para o cliente. Eu tenho como hábito deixar isso bastante claro, sinalizando para a pessoa que a terapia pode ser encerrada: “minha opinião é de que você está bem em relação aos motivos que a trouxeram para a terapia. Acredito que você pode lidar com eles sem acompanhamento terapêutico daqui para a frente.” Muitas pessoas expressam o desejo em continuar o processo terapêutico com outros objetivos, como o de autoconhecimento. Isso pode ser feito, mas para mim é como se uma nova terapia estivesse começando, com uma nova avaliação e novos objetivos, que estabeleço junto com a pessoa que atendo.

Esse é um resumo que busca esclarecer um pouco as dúvidas mais comuns sobre como funciona a psicoterapia. Mais uma vez, existem diversas formas de trabalho, variando de abordagem para abordagem e profissional para profissional. É sempre importante procurar por um psicólogo com quem você se sinta à vontade e que seja competente na resolução dos seus problemas. De forma geral, a terapia é uma experiência bastante positiva para as pessoas, mesmo quando há um certo preconceito contra ela. Se você acredita que pode se beneficiar de apoio psicológico para encaminhar sua vida de uma maneira melhor, vale a pena experimentar.

Imagem de capa: Shutterstock/Dmytro Zinkevych

TEXTO ORIGINAL DE VIDA BOA

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