Crianças vítimas de bullying precisam de apoio, não de antidepressivos

Por Amy Packham

Uma ativista da saúde mental disse que crianças estão recebendo prescrições de antidepressivos por terem sido vítimas de bullying, e afirmou que isso é um equívoco.

Natasha Devon, assessora de saúde mental do Departamento de Educação britânico, disse que, em vez de medicamentos, crianças e jovens que são vítimas de bullying precisam receber apoio.

“Se uma criança é submetida a bullying e apresenta sintomas de depressão por isso, o que é preciso é que o bullying pare”, disse Devon na Conferência de Diretores Escolares.

“A criança precisa voltar a sentir-se em segurança. Ela não precisa necessariamente de antidepressivos ou de terapia.”

Natasha Devon é assessora para saúde mental do Departamento de Educação do Reino Unido. Ela disse que os problemas de saúde mental entre crianças nas escolas são muito piores do que as pessoas pensam.

“Acho que muitas dessas dificuldades podem ser evitadas se adotarmos o enfoque correto”, ela acrescentou. “Se não, vamos estar dando com uma mão e tirando com a outra. E correremos o risco de medicalizar a infância.”

Ela falou da pressão que crianças e adolescentes enfrentam na escola, dizendo que a educação tornou-se algo “fortemente competitivo”. “Não é possível impor pressão adulta a uma mente infantil e esperar que a criança lide bem com isso. Ser criança ou adolescente hoje em dia é mais difícil do que jamais foi no passado.”

Nick Harrop, gerente de campanhas da ONG YoungMinds, que trabalha pela saúde mental e o bem-estar de crianças e adolescentes, disse que os antidepressivos nunca devem ser o único recurso empregado com crianças.

“Os clínicos gerais muitas vezes prescrevem antidepressivos a jovens porque não sabem o que mais fazer”, ele disse ao The Huffington Post UK.

“Os serviços de saúde mental para crianças e adolescentes variam de qualidade e disponibilidade segundo o lugar onde a pessoa vive. Em muitas áreas, a espera por atendimento é longa demais e os critérios de aceitação de pacientes são rígidos demais, porque os provedores de atendimento estão sobrecarregados.”

“Acreditamos que os antidepressivos podem ter utilidade no tratamento de alguns problemas de saúde mental, mas nunca devem ser o único recurso empregado.”

“Também é importantíssimo que os adolescentes e seus pais tenham informações plenas sobre os efeitos possíveis dos antidepressivos. Os adolescentes e seus pais precisam ter informações, para poderem decidir com base nelas se o enfoque medicamentoso é o mais indicado.”

Em março deste ano foi revelado que o número de menores de idade britânicos para os quais foram prescritos antidepressivos subiu mais de 50% entre 2005 e 2012.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) revelou as cifras e disse que o aumento na utilização dessas drogas para tratar crianças e adolescentes é preocupante. Ao longo desses sete anos, o número de menores de idade no Reino Unido para os quais foram receitados antidepressivos subiu 54%.

A Dra. Helen Webberley, clínica geral da www.oxfordonlinepharmacy.co.uk, disse que os pais devem procurar orientação médica antes de tomar qualquer decisão de deixar de a seus filhos os antidepressivos que tenham sido receitados para eles.

“Se os pais estão preocupados com os medicamentos receitados para seu filho, a recomendação é que continuem a dar o medicamento, mas procurem um clínico geral ou especialista o quanto antes para discutir o assunto”, ela disse anteriormente ao HuffPost UK.

Para maiores informações sobre medicamentos de saúde mental para crianças, procure o site HeadMeds.org.uk , da YoungMinds.

TEXTO ORIGINAL DE BRASILPOST

Compartilhar
Psicologias do Brasil
Informações e dicas sobre Psicologia nos seus vários campos de atuação.



COMENTÁRIOS