Depressão e preconceito

“Hey, por que você está triste? Você não tem motivos para isso!”

“Olhe ao seu redor… existem muitas pessoas em situações piores que a sua e não estão chorando, nem se lamentando.”

“Por que você não tenta fazer algo para ocupar seu tempo?”

“Por que você não se esforça para melhorar?”

Imagine que você esteja triste. Como se sentiria ao ouvir essas frases?

Agora, imagine que você esteja triste, mas que, além disso, você esteja passando por algum transtorno mental, como a depressão. Como se sentiria?

Infelizmente, muitas pessoas reagem desta forma ou até de formas piores com quem está triste ou com depressão e isso pode causar consequências negativas à pessoa doente.

Se as pessoas com as quais você convive reagem dessa forma ao seu sofrimento, isso significa que você está passando por preconceito frente ao seu transtorno mental, a chamada psicofobia. E, muito provavelmente você irá se sentir muito pior do que já estava frente a esse tipo de reação.

Desde quando precisa ter motivos aparentes para uma pessoa se sentir triste? Desde quando ter uma vida aparentemente perfeita impede que alguém tenha depressão ou fique triste? Desde quando ter ocupação, ter família, ter amigos, ter estudo, ter trabalho, ter dinheiro, impede que a depressão ou tristeza apareçam? Desde quando ter força de vontade e fé fazem com que a pessoa melhore?

Infelizmente, o estigma e preconceito abalam a auto-estima dos pacientes e fazem com que boa parte deles demore a buscar ajuda e tenha resistência ao tratamento, o que acaba agravando o quadro.  

O desconhecimento real do funcionamento desse transtorno afetivo é o principal responsável por um dos maiores problemas para quem sofre com a depressão: o preconceito. 

Devemos entender que a depressão é uma doença de causas múltiplas e não é somente o estilo de vida da pessoa que influencia no surgimento do transtorno.

Entre os fatores de risco para a depressão, podemos citar:

  • Herança genética;
  • A existência de outros transtornos psicológicos na vida da pessoa;
  • A ocorrência de pelo menos um episódio depressivo no passado;
  • Alterações da neurotransmissão cerebral;
  • Desemprego ou problemas financeiros;
  • Presença de doenças físicas (câncer, diabetes, problemas cardíacos, hiv, entre outros);
  • Problemas de relacionamento e familiares;
  • Perdas significativas;
  • Traumas;
  • Abuso de medicamentos, drogas ou álcool;
  • A forma como cada pessoa reage à situações que tenham impacto negativo em sua vida.

Na maioria dos casos, há uma combinação entre fatores biológicos, psicológicos e ambientais no desenvolvimento dos transtornos depressivos. É importante ressaltar que cada caso é um caso e o que pode causar depressão em uma pessoa, não causará a outra.

Depressão não é frescura! É uma doença séria que causa grande sofrimento e precisa de tratamento! Dificilmente a pessoa sozinha conseguirá sair dessa e quanto mais tarde procurar ajuda especializada, mais difícil será o tratamento.

Antes de emitir alguma opinião a respeito da pessoa doente, informe-se sobre o que é doença psicológica. Lembre-se que um dia pode ser você neste lugar. Assim como grande parte das doenças, a depressão não escolhe alvos específicos. Não importa se você for homem ou mulher, se for jovem ou idoso, se for rico ou pobre, se tiver escolaridade ou não. A depressão pode aparecer de qualquer forma.

Pessoas que estão tristes ou com depressão precisam, acima de tudo, de compreensão, carinho e incentivo ao tratamento e não de julgamentos!

 

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Janaina Mariuzzi
CRP 07/23879. Psicóloga Clínica, Especializanda em Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais. Endereço: Avenida Sete de Setembro – Centro Profissional Avenida Sete, 431 – Sala 404 - Erechim/RS. Contato: (054) 96468244



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