Sim a depressão infantil existe. E nem sempre é fácil de detectar, pois muitas vezes é confundida com birra, desobediência, cansaço, déficit de atenção, ou com problemas de saúde de ordem física. E, no caso de adolescentes, muitos pais acreditam que trata-se “aborrecência” ou então TPM (tensão pré menstrual).

Os sintomas são praticamente os mesmos que o dos adultos, mas podem ser menos perceptíveis pois as crianças e adolescentes não costumam verbalizar até mesmo por não conseguirem detectar o que se passa em seu interior. Além do mais, costumam realizar suas atividades de rotina, mesmo sem interesse ou prazer. Este detalhe muitas vezes passa batido pela família.

Como nos adultos, a gravidade pode variar desde leve até severa, neste último caso pode incluir ideações suicidas.

Sintomas:

  1. Irritabilidade, dificuldade no raciocínio ou concentração, falta de interesse nas atividades ou incapacidade de sentir prazer nelas.
  2. Humor depressivo
  3. Sensação de falta de energia (movimentos mais lentos)
  4. Sentimento de culpa
  5. Auto estima rebaixada
  6. Falta ou excesso de apetite
  7. Insônia ou sono excessivo
  8. Isolamento
  9. Ideias de morte ou tentativas de suicídio

Segundo o Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiátrica Americana (APA), para se fazer o diagnóstico, é necessário que a criança apresente os sintomas do item 1 associados a pelo menos quatro dos sintomas seguintes.

Causas;

Como qualquer desordem emocional, nem sempre é possível atribuir a uma causa específica. Muitos pais podem se sentir culpados e muito angustiados e é natural que tentem encontrar um motivo.

Situações como bullying, diferenças sociais, brigas familiares, divórcio, luto, familiar doente, morte de animal de estimação, dificuldade no aprendizado, hostilidade, traumas, mau relacionamento com pais, pressão excessiva por desempenho, até podem desencadear em uma depressão, mas não necessariamente. Como boa parte das doenças físicas ou psíquicas, é difícil atribuir a causa a um único fator.

Podemos pensar também em uma predisposição, talvez uma personalidade mais frágil, muito sensível que somada a estes fatores desencadeiam em depressão.

Outra possibilidade é que a criança ou jovem tenha passado por seguidas situações que causaram sofrimento.

IMPORTANTE: Não podemos descartar a hipótese de problemas hormonais, por isso é imprescindível uma visita ao médico e realização de exames.

E, é possível também que não se encaixe em nenhuma das hipóteses mencionadas.

Uma vez detectada, o que fazer?

Não há dúvidas que conversar é fundamental, os pais devem mostrar-se abertos e compreensivos.

No entanto, nem sempre a criança ou jovem se mostra disponível ou aberto para uma conversa.

Pode acontecer que se feche ainda mais seja por se sentir pressionada, irritada ou com vergonha por achar que existe algo errado com ela. Ou mesmo por não compreender o que se passa consigo, e por isso a dificuldade de se expressar.

Caso os sintomas persistam por mais de duas semanas é imprescindível a ajuda profissional.

Descartada a hipótese de problemas clínicos, converse com um psicólogo.

É comum que o foco da depressão seja a dinâmica familiar, por isso em muitos casos é necessário que os pais façam psicoterapia ou mesmo algumas sessões de orientação para pais. Existe a possibilidade de que mudando alguns aspectos na dinâmica familiar, os sintomas desapareçam.

Imagem de capa: Shutterstock/Gladskikh Tatiana

*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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Gisele Ventura
Especialista em saúde mental pela UNIFESP e orientadora vocacional.

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