Por Rodrigo Pereira

O Transtorno Depressivo Maior é que chamamos comumente de depressão. De acordo com o DSM-51, suas características principais são o humor triste, vazio ou irritável, acompanhado de mudanças somáticas e cognitivas que afetam significativamente a capacidade da pessoa de funcionar. Embora possa ocorrer apenas um episodio, geralmente é uma condição recorrente. É muito importante distinguir o que é uma tristeza ou luto normais de um transtorno depressivo.

 Sintomas

Para se encaixar no critério para Transtorno Depressivo Maior, a pessoa precisa apresentar cinco dos sintomas abaixo, sendo que o sintoma 1 ou o 2 precisam estar presentes:

  1. Humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias
  2. Interesse ou prazer marcadamente diminuídos em relação a todas ou quase todas as atividades, quase todos os dias
  3. Perda ou ganho de peso significativo
  4. Insônia ou sono excessivo quase todos os dias
  5. Agitação ou lentidão psicomotora quase todos os dias
  6. Fadiga ou perda de energia quase todos os dias
  7. Sentir-se sem valor ou com culpa excessiva, quase todos os dias
  8. Habilidade reduzida de pensar ou se concentrar, quase todos os dias
  9. Pensamentos recorrentes sobre morte, pensamentos suicidas sem um plano, tentativa de suicídio ou plano para cometer suicídio

Para que se considere que a pessoa esteja em depressão, os sintomas precisam causar impacto significativo no convívio social, no trabalho ou em outras áreas importantes.

Tratamento

Embora a depressão seja um quadro que pode apresentar risco de morte para o paciente, muitas vezes ela é vista com negligência, como se fosse “frescura” ou “bobagem” por parte da pessoa que está sofrendo. Um documento do Ministério da Saúde2 aponta que algumas concepções erradas sobre a depressão podem atrapalhar seu diagnóstico e tratamento, como:

  • depressão é fraqueza de caráter
  • a pessoa pode se curar apenas com força de vontade
  • depressão é uma consequência natural do envelhecimento
  • confundir depressão com estresse

É muito importante, especialmente para profissionais de saúde, não minimizar sintomas depressivos. As pessoas não entram em depressão porque querem; estar em depressão é angustiante, e se dependesse apenas da pessoa, ela certamente não permaneceria nesse estado. A depressão precisa de tratamento.

Muitos estudos já foram realizados a fim de tentar identificar quais os melhores tratamentos para a depressão. A conclusão mais aceita é que a combinação de psicoterapia com medicação é a melhor estratégia, sendo um pouco superior à psicoterapia isolada3. Entre as psicoterapias, não há diferenças significativas entre diversas modalidades estudadas, existindo evidência de que as principais linhas, como a terapia cognitivo-comportamental4, as terapias de terceira onda5 e terapias de orientação psicodinâmica6 são igualmente efetivas.

Imagem de capa: Shutterstock/Meg Wallace Photography

TEXTO ORIGINAL DE NUCLEO INTERFACE

Referências

  1. American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5th ed.). Arlington, VA: American Psychiatric Publishing.
  2. Ministério da Saúde. (2009). Prevenção do suicídio: Manual dirigido a profissionais da saúde da atenção básica. Campinas: Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Unicamp.
  3. Cuijpers, P., Van Straten, A., Hollon, S. D. and Andersson, G. (2010), The contribution of active medication to combined treatments of psychotherapy and pharmacotherapy for adult depression: a meta-analysis. Acta Psychiatrica Scandinavica, 121: 415–423. doi: 10.1111/j.1600-0447.2009.01513.x
  4. Hofmann, S. G., Asnaani, A., Vonk, I. J., Sawyer, A. T., & Fang, A. (2012). The efficacy of Cognitive Behavioral Therapy: A review of meta-analyses. Cognitive Therapy and Research, 36 (5), 427-440.
  5. Hunot V, Moore THM, Caldwell DM, Furukawa TA, Davies P, Jones H, Honyashiki M, Chen P, Lewis G, Churchill R. ‘Third wave’ cognitive and behavioural therapies versus other psychological therapies for depression. Cochrane Database of Systematic Reviews 2013, Issue 10. Art. No.: CD008704. DOI: 10.1002/14651858.CD008704.pub2.
  6. Thase, M. E. (2013). Comparative Effectiveness of Psychodynamic Psychotherapy and Cognitive-Behavioral Therapy: It’s About Time, and What’s Next? Am J Psychiatry, 170, 953-956. doi:10.1176/appi.ajp.2013.13060839

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