Do que gostam as pessoas grandiosas?

Por Daiana Rauber

Certo dia li  em um grandioso livro:

“As pessoas grandes adoram os números.”

Você conhece alguma pessoa que considera ser grande? E do que ela gosta? Foi o Pequeno Príncipe (pequeno?) quem disse isso. E completou:

“Quando a gente lhes fala de um novo amigo, elas jamais se informam do essencial. Não perguntam nunca: Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos que prefere? Será que ele coleciona borboletas? Mas perguntam: Qual a sua idade? Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa? Quanto ganha seu pai? Somente então é que elas julgam conhecê-lo.”

Não foram poucas as vezes que já fizemos isso, não é mesmo?! É verdade que as pessoas grandes adoram números, mas não apenas isso, pessoas grandes se deleitam quando lhes apresentamos indicadores, gráficos, quantitativos… É assim com você também?

“Se dissermos às pessoas grandes: Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no telhado… elas não conseguem, de modo nenhum, fazer uma ideia da casa. É preciso dizer-lhes: Vi uma casa de seiscentos contos. Então elas exclamam: “Que beleza!””

Mas, agora aqui comigo, me diga uma coisa: faz sentido nossa busca implacável por esses números? Nossa ‘neura’ pela idade, pelo peso, pelo saldo bancário ou pelos metros de uma casa? Convido você a rever quais informações são realmente importantes para conhecer uma pessoa, ou uma casa, e saber se são grandiosas. Mas não quero parar por aí. O que você tem conceituado internamente como símbolo de ser uma pessoa grandiosa?

“Assim, se a gente lhes disser: “A prova de que o príncipezinho existia é que ele era encantador, que ele ria, e que ele queria um carneiro. Quando alguém quer um carneiro, é porque existem” elas darão de ombros e nos chamarão de criança! Mas se dissermos: “O planeta de onde ele vinha é o asteróide B 612″ ficarão inteiramente convencidas, e não amolarão com perguntas. Elas são assim mesmo. É preciso não lhes querer mal por isso. As crianças devem ser muito indulgentes com as pessoas grandes.”

É, parece que nosso Pequeno Príncipe ainda tem muito a nos ensinar. Quem sabe essa seja uma questão importante: sermos indulgentes com as pessoas grandes. É quase que inevitável não estarmos absortos nessa cultura do ter, quantificar, ganhar… E se é isso mesmo, se estamos focando nossa energia aos números, talvez possamos pegar mais leve. Mais leve conosco e com os outros.

Nos permitir dedicar um tempo para ouvir o som da voz de nossos amigos, descobrir quais seus brinquedos preferidos e se gostam de borboletas. Olhar para nossa cidade e ver quais são as flores que aparecem nas janelas, quais pássaros estão nos telhados e o que realmente faz uma pessoa ser grandiosa.

“Mas nós, nós que compreendemos a vida, nós não ligamos aos números! Gostaria de ter começado esta história à moda dos contos de fada. Teria gostado de dizer: Era uma vez um pequeno príncipe que habitava um planeta pouco maior que ele, e que tinha necessidade de um amigo… Para aqueles que compreendem a vida, isto pareceria sem dúvida muito mais verdadeiro.”

Parece clara a diferença entre pessoas grandes e pessoas grandiosas. Se você quer saber qual é o segredo para conseguir encarar a vida desta forma, o Pequeno Príncipe deixou a fórmula:

“Eis o meu segredo: Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não deves esquecer.”

Já sabemos do que gostam as pessoas grandes. Mas e as grandiosas, do que gostam?

PS 1– Se queres iniciar a conversa com um amigo sem perguntar sobre os seus números, a Jout Jout te dá dicas: https://www.youtube.com/watch?v=1BxAxSc9TFA

PS 2– Se gostas de indicadores, mas quer saber a história por trás deles, confere o app da InforPeople: http://inforpeople.org/

Compartilhar
Psicologias do Brasil
Informações e dicas sobre Psicologia nos seus vários campos de atuação.



COMENTÁRIOS