Lições de resiliência que aprendemos assistindo aos jogos olímpicos.

Todo atleta olímpico carrega, em seu peito, uma história de superação. Podem ser as dores causadas pelo treino excessivo, as agruras de se dedicar a um esporte sem apoio ou a frustração das derrotas durante a carreira. O Brasil tem 11 medalhas até agora nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. E elas carregam o peso do clichê de que é preciso cair para aprender a levantar.

No Pan de Toronto-2015, ele chegou como favorito ao título, dono de uma das quatro melhores marcas do planeta. Não passou pelo sarrafo nenhuma vez. Saiu da competição sem marca. No Mundial da China, semanas depois, não passou dos 5,70 m – terminou na 19ª posição. O temor era que ele não suportasse a pressão de grandes eventos. Como provou no Engenhão, amarelo, só na medalha de ouro.

O mesmo vale para o bronze de Poliana Okimoto na maratona aquática. Seu trauma, porém, era antigo. Ela foi uma das melhores atletas das águas abertas do planeta de 2006 a 2012. Mas nunca conseguiu o sonhado pódio olímpico. Ficou fora dos primeiros em Pequim-2008 e nem mesmo completou a prova em Londres-2012.

Ela chegou a ter depressão e duvidou se continuaria a competir. Continuou. Em 2013, foi campeã mundial. Mas, nas temporadas seguintes, foi ofuscada por Ana Marcela Cunha, que se tornou um ícone da modalidade no planeta – em 2015, por exemplo, foi eleita pela Fina a melhor do mundo. Poliana, porém, seguiu trabalhando. Quando tocou o pórtico de chegada da Rio-2016, já estava satisfeita com o quarto lugar. Quando o resultado virou bronze, porém, coroou a superação.

Com Arthur Zanetti, não foi tão traumático. Mas ainda assim existe um elemento de virada. No ano passado, no Mundial de Glasgow, o campeão olímpico das argolas, que não ficava fora do pódio em uma competição desse nível desde 2010, não se classificou nem para a final. Era uma estratégia para classificar a equipe masculina pela primeira vez para as Olimpíadas – Zanetti treinou menos argolas, mais o salto e o solo. Por isso, quando chegou para competir na Rio-2016, a confiança nele não era tão alta. Ele não repetiu o ouro, mas a prata mostrou que ele nunca deixou de sair do grupo de melhores do planeta.

Isaquias Queiroz também viveu isso. Em 2014, ele liderava a prova do C1-1000m do Mundial de Moscou. O ouro parecia certo quanto sua canoa virou e ele ficou fora do pódio. Nesta terça-feira, a medalha veio. Ele ganhou a prata, atrás apenas do alemão Sebastian Brendel, agora bicampeão olímpico da distância.

Nos dias anteriores, as conquistas também foram carregadas de superações. Diego Hypólito, por exemplo, conseguiu a sua medalha de prata no solo após cair duas vezes em finais olímpicas. E quando era muito mais cotado a um título do que atualmente. Rafaela Silva também quase se aposentou após Londres-2012, quando foi eliminada por um ataque ilegal e foi alvo de racismo na internet. Mas ela seguiu nos tatames, foi campeã mundial em 2013 e agora é campeã olímpica.

Outros dois medalhistas de bronze, os judocas Mayra Aguiar e Rafael Silva, viveram isso no próprio dia de sua medalha. Mayra perdeu na semifinal para a francesa Audrey Tcheumeo e teve de se recompor em minutos para ganhar o terceiro lugar. Rafael Silva foi superado nas quartas de final pelo oito vezes campeão mundial Teddy Riner, também da França. E teve de disputar as duras lutas da repescagem para subir ao pódio.

Para terminar, a superação dos dois outros medalhistas brasileiros foi de outra natureza. Arthur Nory, da ginástica, se envolveu em um caso de racismo contra um colega de seleção, Angelo Assumpção. Ele foi suspenso pela Confederação Brasileira de Ginástica a um ano dos Jogos. Mas conseguiu manter o foco e voltou para ser medalhista olímpico. Já Felipe Wu, vice-campeão do tiro esportivo, teve de superar a falta de condições para praticar seu esporte. Antes de se tornar número 1 do mundo, ele treinava no quintal de casa, em um estande de tiro improvisado, com 8 metros de comprimento. Detalhe: em sua prova olímpica, o alvo fica a 10 metros de distância.

TEXTO ORIGINAL DE UOL

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