Salvo do suicídio por um desconhecido. Hoje se dedica a falar da saúde mental de crianças

Por  Louise Ridley

Numa manhã gelada de janeiro de 2008, depois de fugir do hospital onde estava internado, Jonny Benjamin foi à ponte de Waterloo, em Londres, para cometer suicídio.

De pé na beirada, ele se preparou para saltar.

“Me lembro de me sentir completamente apavorado”, conta Jonny, que tinha 20 anos na época e um mês antes recebera o diagnóstico de transtorno esquizoafetivo.

 “Eu já estava lá havia um tempão quando uma pessoa parou e começou a conversar comigo, me perguntando coisas. ‘O que está acontecendo?’ ‘De onde você é? Venha para este lado e vamos tomar um café.’”

“Num primeiro momento, eu só queria que ele fosse embora. Mas ele era muito calmo, muito empático e meio que rompeu minha bolha de desespero. Acho que a virada de verdade foi quando ele disse: ‘Eu acredito que você pode melhorar.’”

Graças à intervenção daquele transeunte, Jonny acabou não se jogando no rio.

Jonny Benjamin tentou cometer suicídio em 2008

Em 2014, depois de lançar uma campanha viral intitulada #FindMike (encontrem Mike), ele descobriu a identidade daquele desconhecido. Jonny o havia apelidado de “Mike”, mas na realidade seu nome era Neil Laybourn, 31 anos, instrutor de fitness de Surrey.

Aquele bate-papo sobre a ponte salvou sua vida e levou Jonny a lançar uma série de workshops de saúde mental  em escolas para ensinar aos alunos que é ok, até mesmo essencial, falar de seus sentimentos.

Intituladas ThinkWell (Pense Bem), os workshops querem chamar a atenção para o fato de que metade dos problemas de saúde mental na idade adulta começam quando as pessoas têm menos de 15 anos.

Os workshops foram idealizados usando clipes de “Stranger on the Bridge”, documentário da emissora Channel 4 sobre a busca de Jonny por Neil.

“O impacto daquela conversa foi enorme”, comenta Jonny, que hoje tem 29 anos.

“Muita gente me disse que, depois de assistir ao documentário, desistiu de se matar ou foi procurar ajuda. Pensamos: ‘Esta coisa não pode parar por aqui. Precisamos fazer mais.”As pessoas pensaram: ‘Isto não pode ser o fim. Precisamos fazer mais.”

Agora, conversando com entusiasmo na redação do Huffington Post Reino Unido, Jonny aparenta estar muito bem.

Ele identifica a origem de seus problemas de saúde mental em sua infância. Aos 4 anos de idade foi levado a um psicólogo infantil, sofrendo de terrores noturnos que começaram quando ele assistiu a um filme baseado no livro “O GAG” (“The BFG”), de Roald Dahl, depois do qual ele se recusou a dormir em sua própria cama.

Com 10 anos de idade Jonny começou a ouvir uma voz e a sofrer da Ilusão do Show de Truman –a crença, cujo nome vem do filme estrelado por Jim Carrey, de que estava protagonizando um reality show na TV, a contragosto.

“Eu pensava que todo o mundo ouvia uma voz na cabeça, então me considerava normal”, ele explica.

No início a voz era amigável – uma voz gentil de um homem mais velho. Mas quando Jonny tinha 16 anos e era vítima de bullying, a voz começou a mudar, a lhe dar ordens e fazer ameaças a ele e sua família.

“A voz virou o diabo. Eu me sentia controlado por ela, que me criticava constantemente”, ele recorda.

Jonny ouviu as vozes e sofreu a ilusão por dez anos, sem contar para ninguém. Só chegou a receber o diagnóstico de transtorno psicoafetivo – uma condição que abrange elementos da esquizofrenia e da depressão – depois de um episódio psicótico sofrido quando estava na faculdade levá-lo a gritar no meio de uma rodovia de mão dupla.

Seus familiares e amigos ficaram chocados. Não faziam ideia do sofrimento pelo qual ele tinha passado. “Eu morria de medo de contar para qualquer pessoa, caso me achassem perverso ou errado”, ele explica.

Hoje Jonny dá palestras regulares para crianças, empresas e meios de comunicação para conscientizar as pessoas sobre problemas de saúde mental, para que outras crianças e jovens não precisem passar pelo que ele passou.

“Eu sofri muito, especialmente mais ou menos dos 15 anos em diante. Sofria em silêncio porque tinha medo e vergonha”, ele conta.

Jonny já viu em primeira mão evidências da discriminação sofrida por nove em cada dez crianças com problemas de saúde mental.

“Conversei com um grupinho de uns dez escoteiros”, ele conta. “Perguntei quem iria procurar ajuda se sentisse dor de estômago. Todos falaram que procurariam ajuda. Perguntei quem procuraria alguém com quem se abrir ou buscaria ajuda se estivesse muito infeliz ou super ansiosos, e apenas um terço ou um quarto deles levantaram as mãos. Perguntei por que e eles disseram: ‘Temos medo do que as pessoas vão pensar de nós’.”

Numa manhã gelada de janeiro de 2008, depois de fugir do hospital onde estava internado, Jonny Benjamin foi à ponte de Waterloo, em Londres, para cometer suicídio.

De pé na beirada, ele se preparou para saltar.

“Me lembro de me sentir completamente apavorado”, conta Jonny, que tinha 20 anos na época e um mês antes recebera o diagnóstico de transtorno esquizoafetivo.

“Eu já estava lá havia um tempão quando uma pessoa parou e começou a conversar comigo, me perguntando coisas. ‘O que está acontecendo?’ ‘De onde você é? Venha para este lado e vamos tomar um café.’”

“Num primeiro momento, eu só queria que ele fosse embora. Mas ele era muito calmo, muito empático e meio que rompeu minha bolha de desespero. Acho que a virada de verdade foi quando ele disse: ‘Eu acredito que você pode melhorar.’”

Graças à intervenção daquele transeunte, Jonny acabou não se jogando no rio.

 

Jonny Benjamin tentou cometer suicídio em 2008

Em 2014, depois de lançar uma campanha viral intitulada #FindMike (encontrem Mike), ele descobriu a identidade daquele desconhecido. Jonny o havia apelidado de “Mike”, mas na realidade seu nome era Neil Laybourn, 31 anos, instrutor de fitness de Surrey.

Aquele bate-papo sobre a ponte salvou sua vida e levou Jonny a lançar uma série de workshops de saúde mental em escolas para ensinar aos alunos que é ok, até mesmo essencial, falar de seus sentimentos.

Intituladas ThinkWell (Pense Bem), os workshops querem chamar a atenção para o fato de que metade dos problemas de saúde mental na idade adulta começam quando as pessoas têm menos de 15 anos.

Os workshops foram idealizados usando clipes de “Stranger on the Bridge”, documentário da emissora Channel 4 sobre a busca de Jonny por Neil.

“O impacto daquela conversa foi enorme”, comenta Jonny, que hoje tem 29 anos.

“Muita gente me disse que, depois de assistir ao documentário, desistiu de se matar ou foi procurar ajuda. Pensamos: ‘Esta coisa não pode parar por aqui. Precisamos fazer mais.”As pessoas pensaram: ‘Isto não pode ser o fim. Precisamos fazer mais.”

Agora, conversando com entusiasmo na redação do Huffington Post Reino Unido, Jonny aparenta estar muito bem.

Ele identifica a origem de seus problemas de saúde mental em sua infância. Aos 4 anos de idade foi levado a um psicólogo infantil, sofrendo de terrores noturnos que começaram quando ele assistiu a um filme baseado no livro “O GAG” (“The BFG”), de Roald Dahl, depois do qual ele se recusou a dormir em sua própria cama.

Com 10 anos de idade Jonny começou a ouvir uma voz e a sofrer da Ilusão do Show de Truman –a crença, cujo nome vem do filme estrelado por Jim Carrey, de que estava protagonizando um reality show na TV, a contragosto.

“Eu pensava que todo o mundo ouvia uma voz na cabeça, então me considerava normal”, ele explica.

No início a voz era amigável – uma voz gentil de um homem mais velho. Mas quando Jonny tinha 16 anos e era vítima de bullying, a voz começou a mudar, a lhe dar ordens e fazer ameaças a ele e sua família.

“A voz virou o diabo. Eu me sentia controlado por ela, que me criticava constantemente”, ele recorda.

Jonny ouviu as vozes e sofreu a ilusão por dez anos, sem contar para ninguém. Só chegou a receber o diagnóstico de transtorno psicoafetivo – uma condição que abrange elementos da esquizofrenia e da depressão – depois de um episódio psicótico sofrido quando estava na faculdade levá-lo a gritar no meio de uma rodovia de mão dupla.

Seus familiares e amigos ficaram chocados. Não faziam ideia do sofrimento pelo qual ele tinha passado. “Eu morria de medo de contar para qualquer pessoa, caso me achassem perverso ou errado”, ele explica.

Hoje Jonny dá palestras regulares para crianças, empresas e meios de comunicação para conscientizar as pessoas sobre problemas de saúde mental, para que outras crianças e jovens não precisem passar pelo que ele passou.

“Eu sofri muito, especialmente mais ou menos dos 15 anos em diante. Sofria em silêncio porque tinha medo e vergonha”, ele conta.

Jonny já viu em primeira mão evidências da discriminação sofrida por nove em cada dez crianças com problemas de saúde mental.

“Conversei com um grupinho de uns dez escoteiros”, ele conta. “Perguntei quem iria procurar ajuda se sentisse dor de estômago. Todos falaram que procurariam ajuda. Perguntei quem procuraria alguém com quem se abrir ou buscaria ajuda se estivesse muito infeliz ou super ansiosos, e apenas um terço ou um quarto deles levantaram as mãos. Perguntei por que e eles disseram: ‘Temos medo do que as pessoas vão pensar de nós’.”

 

A procura de Jonny por “Mike” virou viral, até ele encontrar o homem que o tinha ajudado

Jonny acha que hoje as crianças sofrem mais preocupações e pressões do que nunca e que isso está começando mais cedo.

“Houve uma época em que eu cuidava de crianças. Eu cuidava de um garoto de 5 anos”, ele recorda. “Um dia, do nada, ele levantou a camiseta e falou ‘estou ficando muito gordo’. Fiquei chocado por ver que um menino de 5 anos podia se preocupar de tal maneira com sua imagem corporal.”

“Minha sobrinha fica estressada pelo tanto de lição de casa que precisa fazer. E ela tem 5 anos.”

Em seus workshops, Jonny quer ensinar às crianças e aos adolescentes sobre saúde mental, ensiná-las a procurar ajuda e se abrir com outras pessoas para falar de seus sentimentos, usando desenhos, jogos e conversa.

Ele pergunta às crianças como pensam que ele estava se sentindo em momentos diferentes dos clipes do documentário.

Um elemento crucial dos workshops é uma terapeuta que fica sentada em um espaço especial ThinkWell ao lado, onde qualquer criança pode ir para ter uma conversa particular com ela.

A iniciativa foi lançada em janeiro, no oitavo aniversário daquele dia sobre a ponte. Até agora, 500 crianças já assistiram à história de Jonny.

“Algumas das reações são espantosas”, ele fala. “Já passei o filme em muitos escritórios e empresas. Mas as crianças e os adolescentes falam o que realmente pensam. Elas se interessam muito e estão abertas para aprender sobre o problema.

“Perguntam ‘por que você se sentiu daquele jeito? Me conte como é ouvir uma voz em sua cabeça. Como foi quando você teve vontade de cometer suicídio, como foi estar na beirada daquela ponte?’. São perguntas muito pessoais, mas não me incomodo em respondê-las.”

Jonny retorna à ponte de Waterloo para filmar o documentário “Stranger On The Bridge”

Refletindo a importância que Jonny atribui à intervenção precoce que ele mesmo nunca teve, este ano será testada uma versão dos workshops voltada a crianças menores.

Os workshops talvez não utilizem clipes de “Stranger on the Bridge”, pelo fato de o filme tratar de suicídio, mas vão incorporar atividades como as crianças escreverem uma carta a elas próprias, falando de seus sentimentos. As cartas serão enviadas a ela por correio dois meses depois.

O jogo de tabuleiro Buckaroo, em que os jogadores vão empilhando mais e mais objetos nas costas de uma mula de plástico até que ela desaba, é utilizado para mostrar que quando alguém vai carregando um peso cada vez maior, a pessoa às vezes não aguenta mais e cai.

Jonny é modesto em relação à sua própria influência, mas acha importante compartilhar sua história.

“Quando falam de sua saúde física, muitas pessoas compartilham relatos do tipo ‘eu tive câncer’, ‘eu superei um câncer’.

Mas em matéria de saúde mental, ainda há um estigma. As pessoas têm medo de falar ‘tive depressão ou TOC’.”
Jonny ainda ouve as vozes de vez ocasionalmente, quando está estressado. E fica visivelmente agitado quando fala sobre isso.

“A voz me fala algo tipo ‘Jonny, você tem que fazer tal coisa, senão seu pai vai morrer’. Hoje eu reconheço a voz e não faço o que ela me manda, mesmo quando é uma tentação, porque eu estava tão acostumado a fazer.”

Os perigos enfrentados por jovens isolados que têm dificuldade em compartilhar suas emoções com outras pessoas são fartamente documentados nos casos de jovens que se deixam radicalizar ou se envolvem em tiroteios em escolas nos Estados Unidos.

As escolas precisam pagar por um workshop ThinkWell. Mas Jonny e a Pixel Learning, a organização que é sua sócia nos workshops, estão tentando conseguir financiamento para oferecer as sessões gratuitamente.

Ele quer que aulas de saúde mental se tornem obrigatórias nas escolas. O tema da saúde mental é tratado brevemente nas aulas de PSHE (pessoal, social, saúde e econômico), mas o tema não é obrigatório.

Naturalmente, Jonny torce para que o ThinkWell possa chegar a todas as escolas do Reino Unido no curto prazo. Mas ele diz: “Quero que seja mais que isso. Não pode se resumir a uma aula apenas de PSHE.”

“Os adolescentes muitas vezes estudam ‘Romeu e Julieta’ na escola, e na peça os dois se suicidam. Eu me lembro de ter estudado a peça no colégio. Ninguém discutia o que acontece com os protagonistas. As pessoas só falam ‘eles se mataram, sabe’.”

“Na escola de meus sonhos, haveria sessões de ‘mindfulness’ pela manhã, no horário de aula, em que os alunos falariam de como estão se sentindo. Nas aulas de ciência, aprenderiam sobre o cérebro, seu funcionamento e a razão por que essas coisas acontecem. Nas aulas de história, estudariam pessoas que tiveram problemas de saúde mental.”

“Precisamos incluir esse tema em mais do que apenas uma aula. Ele deve estar presente em todo o currículo para que se torne um tema normal, como é a saúde física. Quanto mais expusermos crianças e adolescentes a esse tema, mais será fácil para eles falarem disso.”

Jonny se reuniu com o ministro Alistair Burt, do Atendimento Social e Comunitário, e participou de discussões com o ministro Sam Gyimah, da Educação e do Atendimento Infantil.

“Acho que eles estão abertos à ideia e realmente engajados. Espero que essa proposta cresça e ganhe força o quanto antes.”

TEXTO ORIGINAL DE BRASILPOST

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