A necessidade de aparecer todos nós temos, uns mais, outros menos, seja por motivos ou princípios diversos. É normal que queiramos contar as boas notícias, mostrar as nossas vitórias, partilhar com quem gostamos tudo que conquistamos, seja no ponto de vista material, emocional e espiritual.

Porém, esse processo de exposição precisa ser feito sem deslumbramento, com maturidade para não nos sujeitarmos forçosamente, uma vez que esse comportamento deixa de ser uma forma de comunicação e passar ser exibicionismo. Uma necessidade de supervalorização, seja por parte dos outros ou de nós mesmos.

Sigmund Freud num estudo sobre o exibicionismo constatou que cada um de nós começou a vida como um bebê exibicionista. Ele ainda verificou que a maioria das pessoas, na fase adulta, têm êxito em conter esse impulso, mas o exibicionista patológico não consegue superar tal aspecto.

Para a psicanálise o exibicionismo é um modo de excitação erótica, que pode transformar-se em um ato de dimensão patológica, onde se busca uma satisfação exclusivamente egocêntrica. Assim, alguns indivíduos sentem o desejo de evidenciar sua potência sexual: os homens precisam mostrar a sua virilidade e as mulheres o seu erotismo.

O exibicionismo possui uma genealogia hostil, uma vontade inconsciente de revelar as genitálias, entretanto, isso é impossível diante do princípio da realidade. A negação do exibicionismo pode dar vazão as agressões físicas, verbais e insinuosas, que estão latentes ou escancaradas.

Essas coisas estão ligadas ao sentimento de inferioridade, uma necessidade de chamar a atenção alheia – para mostrar que se tem sucesso, fama, dinheiro, carros, títulos ou até mesmo capinhas de celular. Vivemos na era do exibicionismo, em que a grande mídia vende a ilusão que se pode ter tudo que ser, contudo, ela não diz que isso tem – um custo elevadíssimo, que é o endividamento financeiro e o aumento da ansiedade e da angústia.

A redes sociais transformaram-se num grande termômetro do exibicionismo, uma realidade artificial – que se alimenta das carências afetivas ou emocionais, que busca através de likes ou comentários aumentar autoestima, para se convencer daquilo, que não se tem certeza em si mesmo.

Está provado se não for possível conseguir a satisfação em um nível mais profundo, inevitavelmente se buscará fora. Mas se autoestima estiver consolidada, não será preciso ficar se expondo, porque se conquistou a inteireza e a confiança em si mesmo e sem a obrigação de clamar atenção dos outros.

Uma coisa é fato de que nós seres humanos não somos autossuficientes e não conseguimos manter a nossa existência isolada, carecemos de outros seres humanos. Entretanto, a melhor forma de sermos lembrados é sermos nós mesmos, do que alguém que somente gosta de aparecer. Quem gosta de nós de verdade, vai gostar do jeito que somos e não do jeito que a mídia, a propaganda e redes sociais querem que sejamos.

Imagem de capa: Shutterstock/Annette Shaff

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Jackson César Buonocore

Jackson César Buonocore
Sociólogo e Psicanalista


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