Estresse pós-traumático: surge após o episódio violento

Por Adriana Araújo

 

Insônia, sobressaltos sem motivo, lembranças aflitivas e pesadelos freqüentes relacionados com o horror vivenciado… Estas são queixas freqüentes de pessoas que passaram por situações traumáticas. Chamada de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), a doença se caracteriza por ser conseqüência de um acontecimento extremamente estressante, durante o qual o indivíduo tem sua vida ou integridade física ameaçadas, ou, ainda, presencia a morte, ferimentos graves ou ameaça física infligidos a outras pessoas. Tomar conhecimento de que um familiar ou alguém próximo vivenciou esses riscos também pode levar ao aparecimento do distúrbio.

Seja qual for o tipo de evento traumático – que varia de catástrofes naturais (tsunami, furacão, terremoto) a situações de violência (seqüestro, assalto a mão armada, tiroteio, estupro) ou que envolve destruição (guerra, atentado terrorista, desastre aéreo, incêndio, enchente, acidente de carro de grandes proporções) – ao vivenciá-lo, a pessoa apresenta uma reação intensa de medo, desespero ou impotência.

Em seguida, a pessoa passa a reviver o choque de forma persistente, por meio

de lembranças que surgem contra a sua vontade, de sonhos repetidos e da nítida sensação de que a tragédia está acontecendo de novo. Junto com essas recordações, costumam aparecer sintomas de ansiedade, como falta de ar, taquicardia, tremores, inquietação, tendência exagerada à preocupação e um estado de alerta constante que impede a pessoa de relaxar. A dificuldade de concentração e a predisposição ao isolamento são outros sinais do transtorno.

Encarando o problema de frente
O diagnóstico do TEPT é confirmado quando esse sofrimento persiste por mais de um mês, prejudicando as atividades do dia-a-dia e afetando seriamente a vida pessoal e profissional. Isso porque o fato de um indivíduo ter passado por uma experiência traumática não significa necessariamente que ele vai desenvolver o mal.

Essas variações na capacidade de superar o trauma sugerem a existência de fatores que tornam algumas pessoas mais vulneráveis ao problema do que outras. Segundo pesquisas, incluem-se nessa categoria indivíduos que são usuários de drogas, além daqueles que têm predisposição genética para desenvolver depressão e distúrbios de ansiedade. Embora não haja estatísticas a respeito, as mulheres também parecem ser mais propensas ao TEPT, uma suscetibilidade que, suspeita-se, esteja ligada às mudanças hormonais típicas do ciclo menstrual, que podem ser responsáveis por alterações nas reações fisiológicas de estresse, nos momentos de grande aflição.

Afastando os fantasmas
Uma vez que a doença tem efeitos bastante prejudiciais, é importante que, ao ser diagnosticada, a pessoa passe por uma avaliação psicológica ou psiquiátrica. Quanto mais tempo o doente esperar para buscar ajuda especializada, mais intensos tendem a ficar os sintomas.

Entre os recursos disponíveis para combater o problema está a psicoterapia de curta duração, que se estende de 08 a 20 sessões semanais, dependendo da modalidade. Em alguns casos, o indivíduo é estimulado a relembrar o fato traumático de forma continuada, sob a orientação do psiquiatra ou psicólogo, num ambiente em que ele se sente emocionalmente protegido e isso ajuda a diminuir a intensidade da síndrome.

A EMDR – Eye Movement Dessensitization and Reprocessing – Dessensibilização e Reprocessamento através dos Movimentos Oculares é uma técnica de psicoterapia breve muito eficaz nestes casos. Através de revivências e associações de experiências vividas, faz-se novas associações mentais necessárias para superação de experiências difíceis e traumáticas.

A técnica foi desenvolvida, inicialmente, em 1987, para tratar o estresse pós-guerra. Sua idealizadora, a psicóloga americana Francine Shapiro também obteve bons resultados no tratamento do estresse pós-traumático. Com o tempo, percebeu-se a utilidade da técnica na cura de vários outros tipos de estresses.

Além do apoio psicoterápico, a família também contribui de forma significativa para o sucesso do tratamento. É fundamental que as pessoas que convivem com o doente sejam compreensivas e pacientes, evitando julgar sua dificuldade de superar o trauma.

Adriana de Araújo é Psicóloga clínica e hipnoterapeuta ericksoniana.

Para saber mais, acesse: www.curadaalma.com.br

TEXTO ORIGINAL DE MINHA VIDA

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