Por Dra. Evelyn Vinocur

É importante ressaltarmos que os fatores psicossociais estressores contribuem para desestabilizar pessoas que aparentemente estão estáveis, mas só aparentemente, pois essa pessoa pode estar simplesmente na fase que chamamos de equilíbrio instável. Qualquer “sopro”, a estrutura da pessoa se desmorona.

O meio ambiente exerce um poder muito grande sobre o emocional de pessoas em geral, sejam elas crianças, adolescentes ou adultos. Jéssica é uma menininha de dois anos, que começou a apresentar problemas de comportamento após a sua mãe entrar em mais um quadro de depressão maior.

Sua mãe passou a apresentar o que chamamos de anedonia, ou seja, falta de prazer nas coisas que antes gostava e com isso, outras pessoas da família passaram a tomar conta de Jéssica. Ao final de duas semanas, a menina passou a ficar birrenta, “mimada”e começou a fazer xixi na cama, coisa que ela já não mais fazia. O pai de Jéssica ficou muito aborrecido com a irmã de sua esposa, achando que ela estava fazendo todas as vontades da menina e que a sua mudança de comportamento estaria sendo causada porque a tia passou a fazer todas as vontades da criança, para suprir a falta da mãe.

O clima dentro de casa piorou ainda mais as coisas, com a irritabilidade do pai, que passou a ser hostil e autoritário com a pequena criança, passando a impor castigos e a exigir da pequena criança atitudes de crianças mais velhas. Uma semana após isso, Jéssica passou a ficar apática e desinteressada das bonecas e dos brinquedos em geral. Perdeu o apetite e passou a ter o sono muito agitado.

O pai ficou desesperado, e mandou que a tia da menina fosse embora, pois ele atribuía à ela, todo aquele estado “dengoso” da filha. Sem a tia, Jéssica passou a não falar mais, recusando-se a comer quase por completo. Choramingava o dia todo, vomitava, e ficou muito enfraquecida. Rejeitava o pai e recusou a chegar perto da mãe. Demonstrava pavou ao ver a mãe deitada no quarto escuro com uma venda nos olhos, por conta de enxaquecas severas que apresentava.

Por fim, os avós da menina, desesperados com a situação da filha e da neta, foram conversar muito sério com o genro. Obrigaram-no a chamar um psiquiatra em casa para fazer uma consulta na filha, pois sabiam que muitos sintomas dela eram de DEPRESSÃO. O marido, muito a contragosto, não teve outro jeito a não ser permitir a presença do médico, apesar de continuar afirmando que tanto a mulher e a filha estavam fazendo “charminho” e querendo chamar atenção e que só estavam daquele jeito, porque não tinham a menor força de vontade de melhorar e que ele, no lugar delas, já estaria bom a muito tempo…

Resumindo, o médico foi examinar a mãe de Jéssica e constatou Transtorno Depressivo Maior Grave com sintomas somáticos. E logo que começou a ouvir toda a história da família, viu que Jéssica estava também deprimida, pois sintomas de irritabilidade, birra e transtornos de somatização como a enurese e outros, são expressões comuns de crianças deprimidas. F

azendo um exame físico na menina, que tossia muito, pediu Raio-X de pulmão que constatou pneumonia viral bilateral. Jéssica precisou ser internada, pois a sua imunidade caiu muito e precisou de muitos cuidados para ficar totalmente boa dos sintomas. Sua mãe iniciou tratamento antidepressivo e hoje, tres meses após, encontra-se assintomática e já conseguiu tomar a frente do tratamento da filha.

Concluindo: É URGENTE A DIVULGAÇÃO DOS TRANSTORNOS MENTAIS PARA A SOCIEDADE, POIS SITUAÇÕES COMO ESSA, ACIMA DESCRITA, SÃO MUITO FREQUENTES NA PRÁTICA MÉDICA DIÁRIA.

Infelizmente, o pai se recusa participar da recuperação de Jéssica, por continuar achando que tudo aquilo foi devido a falta de umas boas palmadas… é mole??!!

TEXTO ORIGINAL DE MINHA VIDA

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