Por Milena Gonçalves Lhano

No momento grande parte da população vem acompanhando a história da personagem Bibi interpretada por Juliana Paes na novela das 21:00 A Força do Querer. Inspirada em fatos reais, a personagem vem chamando a atenção do público por mostrar uma mulher que ama demais o seu marido e o amor que ele sente por ela, e como forma de retribuí-lo, passa por cima de seus ideais, valores, sonhos e coloca em risco a sua vida e de seus familiares.

Infelizmente, diferente do que se pensa, amar grande e colocar sua vida de lado pelo outro não é apenas ficção, fantasia ou coisa de novela. Existe sim quem ama de mais, é dependente afetivo e coloca a sua vida inteira nas mãos de outro. Mas hoje, ao invés de falar apenas de dependência afetiva, vamos falar sobre sacrifícios feitos por amor.

É importante antes de tudo esclarecer que essa não é uma questão ligada apenas ao gênero feminino, tanto mulheres quanto homens podem apresentar esse comportamento, e pode estar presente em diversos tipos de relacionamento, não só nos casos de dependência afetiva.

A dependência afetiva geralmente está associada a outras questões, como por exemplo, baixa autoestima, insegurança, medo de rejeição e de repetir experiências negativas dos pais. É um mecanismo desenvolvido para evitar sofrimento, mas que acaba levando a sacrifícios que também geram sofrimento. Ou seja, é um ciclo de angustia sem fim.

Nesse tipo de relação, os sacrifícios são considerados prova de amor e reconhecimento por tudo o que o outro faz de bom pra mim. No entanto, eles saem do limite quando a pessoa passa por cima dos seus princípios e valores para agradar o outro. Como geralmente o sentimento é o de insegurança e medo de perder, a pessoa acaba cedendo para não ser abandonada ou trocada e acabar ficando sem o parceiro ou parceira.

Um relacionamento saudável pede sim alguns ajustes e adequações, mas não sacrifícios. Esses ajustes consistem em um se adequar ao ritmo e agenda do outro, respeitar diferenças, entender necessidades, mas não passar por cima de suas questões morais e nem perder a autonomia.

Eles são aceitáveis quando são temporários e para um bem comum, como por exemplo, casais que se relacionam a distância por um período, mas que existem planos futuros em comum e ambos trabalham para isso, sacrifício financeiro para a compra de um imóvel ou realização de um sonho, sacrifício de tempo enquanto estudam ou dedicam muito tempo ao trabalho.

Grandes conquistas sem dúvida exigem sacrifícios, mas ele deixa de ser positivo quando envolve mudanças radicais definitivas, não é unilateral e gera muita ansiedade e insegurança. Alguns exemplos de sacrifico negativo seriam abrir mãos dos filhos em prol de um novo relacionamento ou de uma nova vida, ou então deixar de lado seu trabalho e objetivos para suprir as exigências do outro.

O sacrifício não benéfico pode levar à frustração, pois faz com que apenas um membro do casal dê o seu máximo e faça concessões sempre, mesmo não concordando. É como se o futuro e o sucesso do relacionamento estivessem nas mãos de uma só pessoa que será responsável apenas pelos fracassos, nunca pelos sucessos porque o seu esforço ao invés de ser reconhecido é sempre banalizado.

Fazer concessões passa do limite do saudável quando coloca a vida em risco, gera medo, ansiedade, angústia, sensação de não reconhecimento e isolamento social. É como uma montanha russa de sentimentos, a angústia, medo e insegurança começam a vir, mas quando acontece alguma coisa de bom a sensação de ser vista, reconhecida e amada preenche rapidamente todo esse mal estar. O problema é que essa sensação também é passageira e logo em seguida o ciclo recomeça.

As pessoas em volta reconhecem com mais clareza quando esses sacrifícios deixam de ser positivos, mas como a pessoa envolvida na situação muitas vezes não tem clareza ou tem dificuldade em ter consciência do que está acontecendo, acaba tendo dificuldade em ouvir os outros.

Se você em algum momento já se sentiu fazendo sacrifícios, o primeiro passo é avaliar a opinião das pessoas próximas ao seu redor e em seguida procurar a ajuda de um profissional qualificado para desenvolver uma maneira mais leve de se sentir reconhecido e importante nas relações.

TEXTO ORIGINAL DE MINHA VIDA

*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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