Geração digital

Temos observado com certa preocupação uma quantidade cada vez maior de crianças e adolescentes assiduamente conectados à tecnologias com uso de internet. Este fato não seria problemático se não beirasse a dependência, como uma espécie de droga viciante. Isto em razão do tempo despendido com jogos cada vez mais estimulantes e por vezes, violentos. Se o uso fosse de maneira racional, até poderia permitir estímulos ensejadores de aumento de habilidades. Ocorre que a apreensão nasce quando passam a negligenciar atividades escolares e lúdicas para ficarem “ full time” em jogos no computador.

Que exposição acentuada à Jogos eletrônicos faz aumentar em graus consideráveis problemas como obesidade, déficit de atenção, timidez e agressividade, são consenso. Ainda que inegável que a grande evolução tecnológica, tornou a utilização destes recursos indispensáveis. Não mais cogitamos um trabalho que dispense a utilização da internet, seja na educação ou recreação, porém, este recurso passa a ser problema quando utilizado de forma sem controle.

As marcas deixadas pelo uso excessivo dos aparelhos tecnológicos, são imediatas, como cansaço, dores de cabeça, irritação nos olhos, mas existem prejuízos que se evidenciam ao longo do tempo e que aumentam as consequências proporcionalmente às horas de exposição ao uso, pela digitação como é a L.E.R (Lesão por Esforço repetitivo) ou D.O.R.T (Distúrbios Osteomoleculares. Relacionados ao Trabalho). Doença provocada pelo uso inadequado, excessivo e repetitivo para a execução de uma mesma atividade. Esta síndrome representa cerca de 70% das doenças relacionadas do mercado profissionais registrados no Brasil.

Aquele tipo de vida em que os pais passavam mais tempo livre com as crianças e/ou seus adolescentes, quer seja em atividades de lazer a céu aberto, ou encorajando-os a práticas desportivas; na contemporaneidade tem cedido lugar à pais indisponíveis, sem tempo e distanciados de seus filhos, física e emocionalmente. Em grande maioria, seus filhos, sem limite de tempo permanecem diante do aparelho tecnológico ou do computador. Entretidos, quer seja com estudos, pesquisas, ou mais costumeiramente em “sites” de bate-papo e jogos. Em muitos casos com o consentimento de seus pais.

Entretanto, há dados especializados em estudos sobre o TDAH que associam o aumento da incidência do transtorno de déficit de atenção e da hiperatividade (TDAH) ao uso excessivo da internet pelas crianças. Quanto mais precoce for a criança para a iniciação em jogos online mais chances do transtorno se manifestar. Sabemos que a prescrição de drogas como ritalina, usadas para TDAH, quadruplicaram nos últimos anos. Esta condição pode estar associada a anamnese e diagnósticos apressados? Há, porém, outro fator importante: a causa pode apontar para o excesso de estímulos, às tecnologias digitais cada vez mais abundantes utilizadas por crianças nas fases de desenvolvimento.

Esse novo estilo de vida além dos malefícios físicos em especialmente se tratando de crianças e adolescentes; implica em aquisição de hábitos nocivos. Para a neurocientista britânica Susan Greenfield, o mundo da internet e com seus jogos online estão, na visão dela, criando uma nova geração – a de “nativos digitais” – condenados a passar a maior parte de sua vida online. “As crianças que estão crescendo agora nesse ambiente do ciberespaço, não vão aprender como olhar alguém nos olhos, não vão aprender a interpretar tons de voz ou a linguagem corporal”. Autora de livros como The Private Life of the Brain , em razão do excesso de tempo em ambientes virtuais.“ É preciso admitir que existe um problema”. Há estudos que relacionam a exposição excessiva em tecnologia com internet, com a liberação de substâncias estimulantes do cérebro, explicação da dependência.

Importante que se diga, que viver afeta o cérebro. Nosso sistema cerebral muda a todo instante, todas nossas atividades durante o dia afetarão nosso cérebro, que busca adaptação ao ambiente. Há evidências relacionando o aumento de determinadas partes do cérebro nas pessoas que jogam videogames, com aumento de QI, graças à repetição de jogadas, ensejando novas habilidades. Também alguns estudos, por exames de imagem, relacionam videogames com o aumento de áreas do cérebro e a liberação de dopamina. Ainda assim, não quer dizer que haja um aumento de criatividade ou capacidade de escrita. Há casos extremos, nos quais as pessoas gastam até 10 horas por dia na frente da tela, existe uma forte correlação com anormalidades em exames cerebrais. Mas em ciência nada é definitivo, e novas pesquisas certamente surgirão, pois algo de muito peculiar está ocorrendo e de um modo que não tem volta e nunca visto em gerações passadas.

Uma discussão pacificada é que proibir crianças e adolescentes de usarem videogames e redes sociais sem lhes oferecer um mundo tridimensional mais interessante para eles, é no mínimo inócuo para esta geração que já nasce “ plugada”. Mas é importante chamar atenção aos pais a respeito dos efeitos desta imersão desordenada num ambiente virtual e de forma excessiva. Nos questionamos a respeito do impacto das redes sociais na identidade e nos relacionamentos.

Ainda, sobre o impacto dos videogames na atenção, aumento da agressividade e dependência destes estímulos nos cérebros das crianças e adolescentes. E tudo sem a tutela de um responsável.
Infelizmente não existe um número mágico seguro para a utilização destes aparelhos tecnológicos. “Há pessoas que vão sofrer prejuízos com duas horas diárias de uso e outras que podem jogar oito horas e continuar bem. É preciso olhar o contexto”. Aderbal Vieira Júnior, do Ambulatório de Tratamento de Dependências Não Químicas da Unifesp. Rosa Farah, coordenadora do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática da PUC-SP.

Um fato que chama atenção é para as dificuldades que levam estes jovens a tornarem-se tão dependentes de internet e jogos eletrônicos. Teriam estes jovens problemas com a autoimagem e/ou dificuldades de comunicação ou ausência de limites?

Ao invés de proibição ao uso do computador e/ou videogames, é adotar uma atitude preventiva, aproximar-se do jovem, acompanhar o uso das tecnologias e ajudá-lo a discriminar o bom e do ruim. Uma relação de amizade e confiança entre pais e filhos é um bom caminho.
Quando os jovens não são monitorados, quer seja por falta de tempo dos pais, ou por dificuldade em acompanhar a rotina dos filhos menores, aconselha-se a gravar as conversas no MSN.

Em razão da interação com pessoas desconhecidas por meio dos jogos.
E sem temor. Os pais não podem ter medo de colocar limites no uso destes aparelhos por crianças. O ponto de equilíbrio, ou as negociações se admitem no que se refere aos adolescentes. Mas, quanto ao tempo de exposição aos aparelhos, e conteúdos vai depender dos valores de cada família.

Como o cérebro de crianças e adolescentes ainda não está totalmente formado, eles têm mais dificuldade para controlar seus impulsos. Cabe aos pais determinar quando, como e para que usar o computador. O mundo digital oferece inúmeras facilidades, inclusive de desenvolvimento cognitivo, aprendizagem e diversão. Mas, é imprescindível aprender a fazer um uso saudável e agregador.
Na dúvida procure orientação com um bom médico e psicólogo.




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