Por Dr. Danilo Höfling

Você sabe qual a relação entre hipotireoidismo e depressão? A principal função da tireoide é a de produzir dois hormônios, o T3 (triiodotironina) e o T4 (tetraiodotironina), que têm a função de estimular o metabolismo. Eles são fundamentais para o funcionamento das células, o crescimento, o desenvolvimento do sistema nervoso central (desde a fase fetal até a adolescência), a fertilidade, o raciocínio, a memória, a fome, o aprendizado e, inclusive, para a manutenção do humor. Quando a tireoide não é capaz de fabricar quantidades suficientes dos hormônios tireóideos para suprir as necessidades do organismo – condição chamada de hipotireoidismo -, todo o metabolismo fica mais lento, incluindo o do sistema nervoso. Isso pode contribuir para o aparecimento de depressão, assim como agravá-la ou até mesmo dificultar o tratamento de pessoas que já possuem a doença.

 

A depressão é um distúrbio do humor que acomete em torno de 8 a 12% das pessoas e é predominante no sexo feminino. As pessoas deprimidas apresentam vários sintomas, como pessimismo, perda do interesse pelas atividades diárias, baixa autoestima, indecisão, cansaço, diminuição da memória, dificuldade em concentrar-se, diminuição da libido (desejo sexual), redução ou aumento de apetite e de peso, insônia ou sonolência, entre outros. A associação entre esses sintomas é, também, muito frequente.

É prudente investigar a presença de hipotireoidismo nos pacientes portadores de depressão, especialmente aqueles que têm um risco aumentado para as doenças de tireoide.
Recentemente, foram publicadas no periódico Thyroid as diretrizes para o tratamento do hipotireoidismo, incluindo os pacientes com depressão. Uma vez que o hipotireoidismo pode participar tanto no desencadeamento quanto no agravamento da depressão, todos os pacientes por ela acometidos deveriam ser submetidos a uma avaliação endocrinológica, com a finalidade de investigar a presença de hipotireoidismo.

De fato, uma pequena proporção de pessoas deprimidas tem hipotireoidismo leve (subclínico) ou sintomático (clínico). Porém, quando presentes, é geralmente consenso de que o tratamento com hormônio tireóideo está indicado para as pessoas deprimidas.

Estudos realizados em animais sugerem que quando se acrescenta hormônio tireóideo aos antidrepressivos tricíclicos (amitriptilina e imipramina) ou os inibidores da recaptação de serotonina (sertralina) pode haver melhora da ação desses antidepressivos. Isso faz desta combinação uma potencial possibilidade para o tratamento de pacientes. Entretanto, em seres humanos, a combinação dos dois tratamentos não se comprovou melhor do que o uso dos antidepressivos isolados.

Outro medicamento empregado para tratar a depressão é o lítio, cujo uso contínuo requer avaliações periódicas da tireoide, já que o lítio pode causar bócio (aumento da tireoide) e hipotireoidismo.

Eventualmente, algumas crianças são tratadas não só com antidepressivos, mas, também, com hormônios tireóideos, mesmo sem ter hipotireoidismo. Contudo, não há embasamento de que essa associação possa contribuir para a melhora da depressão dessas crianças. Além disso, vale lembrar que o excesso de hormônio tireóideo durante a fase de crescimento pode acelerar o avanço da idade óssea e reduzir a estatura final.

Por fim, é prudente investigar a presença de hipotireoidismo pelos exames sanguíneos apropriados nos pacientes portadores de depressão, especialmente aqueles que têm um risco aumentado para as doenças de tireoide, tais como as mulheres acima de 45 anos, os que têm outros familiares com problema na tireoide e, também, aqueles que são tratados com lítio.

TEXTO ORIGINAL DE MINHA VIDA

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