HUMANIZAÇÃO: UM OLHAR PROFISSIONAL CUIDANDO DE QUEM CUIDA

Marta Batista – Psicóloga Clinica/Hospitalar – Neuropsicóloga- Hospital Albert Sabin

O mundo atual vem passando por profundas mudanças em consequências das conquistas e evolução tecnológica, que vem gerando transformações, desafios, oposições e contradições. Uma nova ordem econômica mundial. Nos últimos anos, as Instituições conheceram uma série de mudanças tecnológicas e ganharam também uma nova forma de administração com a formação dos primeiros Administradores profissionais.

A sociedade também conheceu várias mudanças, infelizmente nem todas positivas, como é o caso do aumento descontrolado da violência em todas as suas dimensões: físicas, psicológicas, moral, política e social. E porque mais violentada, a sociedade clama por justiça e busca a preservação de seus direitos fundamentais, dentre os quais, se destaca a dignidade e o valor  da pessoa humana.

As instituições profissionais as realizações tecnocientíficas dos que ali atuam. Um ambiente onde as inovações tecnológicas e o profissionalismo são considerados a essência primordial e fundamental do tratamento, mas sabe-se que, no contexto de suas aplicações não considerar o sujeito dessa ação de nada valerá. É preciso resgatar o sentido da existência humana no mundo, construir uma nova concepção, resgatar a aliança humana, todos nós somos peças fundamentais para o fator de mudança, os profissionais são tidos como as molas propulsoras das Instituições.

Humanizar implicará em mudanças de atitudes, voltada para uma Ética baseada em respeito, na solidariedade e na integridade das relações , humanizar implicará sempre em ser, e ser é ter cuidado, essência do ser humano, cuidado com o universo. O profissional, a equipe, o cuidador precisam ser considerados e vistos como indivíduos de modo de ser, sentir, expressar. Esse indivíduo como qualquer humano pode manifestar sentimentos, reações, comportamentos positivos e negativos que podem interferir na conduta profissional.

É base nesse pensamento que acreditamos ser de suma importância pesquisar o nível de satisfação destes profissionais já que está intimamente relacionado com o grau de motivação, estilo de liderança, das normas da estrutura organizacional, das condições e do conteúdo do trabalho, de tudo que provoque as diferentes espécies de motivação de seus colaboradores.

A humanização no hospital significa tudo quanto seja necessário para tornar a instituição adequada a pessoa humana, humanizar de fato, não é um conceito, é uma filosofia de ação solidária, é uma presença, é a mão estendida, é o silêncio que comunica, é a lágrima enxugada, é o sorriso que apoia é a dúvida desfeita, é a confiança restabelecida, é a informação que esclarece, é o conforto na despedida.

É verdade que os funcionários do hospital não devem assumir todas as dores dos usuários pois isto lhes tiraria o equilíbrio necessário para atendê-los, mas eles devem manter e desenvolver o necessário grau de compreensão, para responder as necessidades, mesmo não expressas, daqueles por cujo cuidado são responsáveis tendo sentido genuíno do cuidar é de promover a vida.

A qualidade de nossa vida depende do cuidado que dispensamos a ela. Desenvolver tudo o que existe ou tudo que se encontra em potencial de energia em nós compreende uma forma primária de estar no mundo. Assim, a forma como vivemos a vida, como nos relacionamos com o mundo, com as pessoas com a família, com os amigos, com o trabalho, interfere na forma como cuidamos. É uma necessidade social de todo profissional sentir-se reconhecido, valorizado, amparado, cuidado e não que esteja reduzido ao mero fato de existir, de estar presente de cuidar.

 

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Marta Batista
Psicóloga Clinica/Hospitalar Especialista em Neuropsicologia. Trabalha na profissão há mais de dez anos. Ministrou aulas em uma instituição de Ensino. Atualmente trabalha em dois hospitais e tem um consultório em Recife- PE , onde realiza atendimento aos sábados. Contato: martabsn4.1@gmail.com



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