A Importância do acompanhamento psicológico no emagrecimento

Muitas pessoas buscam emagrecer ou manter hábitos de vida mais saudáveis, porém não conseguem seguir uma prescrição alimentar ou manterem-se firmes em seus objetivos. Existem muitas razões pelas quais as pessoas possuem esse tipo de comportamento, que acaba resultando na dificuldade em reduzir o peso, e ainda mais em mantê-lo. É importante ressaltar que mais do que emagrecer, a mudança de hábitos produz maior qualidade de vida, podendo reduzir significativamente o risco de inúmeras doenças, sendo assim, um trabalho de prevenção que vai além apenas da questão estética em si. Desse modo, porque é tão difícil para algumas pessoas alcançarem esse objetivo?
Vamos compreender um pouco melhor esse processo a partir da Terapia Cognitiva, que fundamenta-se no conceito de que o modo pelo qual as pessoas pensam afeta o que elas sentem e também o que fazem. Sendo assim, ela auxilia na identificação de pensamentos “sabotadores” e a respondê-los de modo mais adaptativo sem que haja tanto sofrimento, fazendo com que o sujeito sinta-se melhor e consequentemente seu comportamento será mais funcional, adaptando-se de forma mais saudável a essas situações.

Desse modo, é importante compreendermos que quando alguém decide emagrecer ou mudar seus hábitos, vai ao Nutricionista e recebe seu plano alimentar pensado de acordo com suas necessidades, essa pessoa precisará então aprender a lidar com seus pensamentos. Isso mesmo! São eles que determinam a eficácia ou não de uma dieta. Os pensamentos conhecidos como “sabotadores” são aqueles que acontecem automaticamente e por serem muito rápidos, torna-se difícil identificá-los.

Há situações em que chegamos em casa depois de um dia muito cansativo e estressante no trabalho e então, vem o pensamento sabotador: “ah, hoje meu dia foi tão cansativo que mereço essa barra de chocolate!”, se não identificarmos esse pensamento e buscarmos um pensamento alternativo, como por exemplo: “mesmo tendo um dia muito cansativo, comerei apenas um pedaço desse chocolate, ou não comerei nenhum pedaço, pois seguirei firme em minha dieta” ou “o prazer em comer esse chocolate logo passará, mas o estresse e cansaço terei de enfrentar todos os dias” corremos o risco de “escorregarmos” na nossa dieta ou em nossos hábitos saudáveis. Esses pensamentos alternativos podem auxiliar na tomada de decisões para que haja uma reflexão e um questionamento e consequentemente não aconteça a auto sabotagem.

Obviamente que o processo de identificação leva tempo e esses exemplos acima citados são apenas para ilustrar os pensamentos sabotadores e de como eles funcionam (Isso não significa que você não poderá comer mais chocolate ou qualquer outro alimento!). Como mencionei, é apenas um exemplo. Por isso a importância de um acompanhamento Psicológico de modo a auxiliar na identificação dos pensamentos e a lidar com eles de modo funcional. Afinal, seguir sua dieta pode ser algo prazeroso! Basta lidar com seus pensamentos e sua forma e sentir e agir também se modificarão.

A partir da terapia cognitiva é possível realizar uma reestruturação cognitiva e mudança comportamental, auxiliando na resolução de problemas práticos e psicológicos, e também a desenvolver novos pensamentos e habilidades comportamentais, instrumentos que você poderá utilizar não somente em situações atuais ou relacionadas à sua dieta, mas também em problemas futuros. Desse modo, é possível o desenvolvimento de estratégias para a manutenção do peso desejado, que para muitas pessoas torna-se mais difícil do que a própria perda de peso em si. Sendo assim, acompanhamentos nutricional e psicológico caminham juntos! A persistência e o foco certamente lhe farão alcançar bons resultados.

Referências utilizadas:
BECK, Judith S. Pense magro: a dieta definitiva de Beck. Porto Alegre: Artmed, 2009.

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Sara Kronbauer
Psicóloga, gaúcha e acompanhada de um enorme desejo pela escrita, suas provocações e nuances. Para mim, a escrita possui múltiplos sentidos, ao passo que ela me permite analisar, constatar, indagar e perceber situações de modo diferente do habitual, saindo do "clichê" e habitando paisagens e caminhos ainda não desbravados, percorridos ou sentidos e isso vale também para a leitura. Escolhi também a Psicologia, justamente por ela me ofertar a possibilidade de ampliar o olhar frente às questões da vida. Trabalho atualmente em Consultório, onde realizo atendimento de crianças, adolescentes e adultos. Desenvolvo também, o Café com Psicologia, que trata-se de um projeto que busca aproximar as pessoas da Psicologia, a partir de encontros em diversas instituições e estabelecimentos, discutindo temáticas pertinentes à profissão. Busco assim, propagar ideias, desfazer certezas e construir caminhos.



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