Madrasta é uma palavra derivada do latim, que significa mulher do pai e mater, mãe e padrasto do mesmo latim patraster e pater, respectivamente, marido da mãe e pai. Essas expressões levaram a má fama que surge a partir dos contos de fadas, numa época em que mães e pais morriam e não demoravam a se unir com outro cônjuge, visto que os filhos dos casamentos anteriores não eram benquistos.

Não vamos neste artigo generalizar que todas as madrastas ou padrastos são maus. Contudo, usaremos as metáforas dos contos de fadas para entender – o que se passa no inconsciente das crianças, dado que são inegáveis as notícias de violências cometidas por madrastas ou padrastos contra os seus enteados.

Na leitura dos contos de fadas as madrastas ou padrastos são sempre personagens malvados, que desejam o sofrimento dos enteados. Como por exemplo, a história da madrasta má da Branca de Neve ou a do Labirinto do Fauno, em que ao lado de uma mãe doente vive um padrasto maléfico, trazendo à tona presença do mal, ou seja, de estar acolhendo um inimigo na própria casa.

Por mais improvável, que possa parecer, nem sempre os pais percebem os maus tratos que os filhos recebem do novo cônjuge. As crianças que sofreram esse tipo de violência podem apresentar mudanças de comportamento, onde é possível ocorrer atrasos em seu desenvolvimento. Muitas vezes o Conselho Tutelar intervém por meio de denúncias de vizinhos ou familiares, para investigar a dimensão dos abusos.

Hoje as madrastas ou padrastos são pessoas que tentam se inserir numa família já existente, no entanto, não é possível ingressar nesse grupo sem envolvimento emocional verdadeiro. Essas novas relações precisam ser dialogadas, para que todos sintam-se queridos, pois o intuito é garantir um bom convívio com as crianças, que se encontram perdidas diante do novo arranjo familiar.

Os lugares ocupados pelas madrastas ou padrastos não são de substitutivos dos pais. Porém, é possível diminuir os conflitos, dando espaço para que os filhos dos cônjuges criem laços de afeto com os novos membros da família. Não é fácil diferenciar as funções dos pais, das madrastas ou padrastos na vida dos filhos, porque os limites são frágeis e terminam se colidindo sem querer.

É evidente que madrastas ou padrastos são essenciais na relação com os filhos dos novos cônjuges, bastar ver as histórias de filhos que ganham os melhores exemplos de seus padrastos ou madrastas. Entretanto, infelizmente existem muitos casos em que as crianças tiveram decepções e abusos, por isso é necessário um olhar cauteloso sobre tais relações.
A interpretação dos contos de fadas juntos com as crianças auxilia os psicoterapeutas a descobrir os níveis das agressões, pois cada forma de violência é capaz de produzir doenças psicossomáticos. E quando as relações são incomodas, torna-se percebível que os pequenos buscam se afastar da presença das madrastas ou padrastos.

Imagem de capa: Shutterstock/Nicoleta Ionescu

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