Ninguém fica pra Semente!

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Este texto começa com os seguintes questionamentos:

O que é isso que chamamos de “morte”? /Qual é a sua origem? / Qual é a função da morte? / Quantos tipos de morte existem? / Porque não gostamos de falar sobre a morte? / Será que vamos morrer? / Que dia iremos morrer? / Como será a nossa morte? / As pessoas que amamos irão morrer? Se, sim, elas morrerão antes ou depois de nós? / Como lidamos com a nossa morte? / E com a morte daqueles que dizemos amar? / Como nos sentimos quando temos que falar sobre a morte? / Morrer dói? / O que a pessoa que está morrendo está sentindo? / O que acontece com a gente depois que nós morremos? / Existe vida após a morte?…

Interessante que, quando o assunto é a morte, conseguimos construir uma série de perguntas. Difícil, mesmo, é responde-las!

Há pessoas que não suportam nem tocar nesse assunto: “pra que falar disso, ah, não, vamos mudar assunto!”.

Precisamos falar sobre a MORTE!

Mas, como? Como tocar ou falar de um assunto tão… “difícil” para algumas pessoas?

Sim. “É difícil falar sobre a Morte” mas, é preciso. Precisamos insistir nessa tarefa.

Porque toda essa dificuldade em falar sobre a morte? Ora, falar de morte é tocar em algum ponto do mal-estar que compõem a nossa humanidade. E mais que isso: é entrar num terreno instável, desconhecido, governado pelo Enigma (não é atoa que esse texto começa com uma série de perguntas, muitas delas, ainda sem respostas).

Talvez, essa dificuldade venha do fato de que não costumamos falar sobre a morte nos almoços em família ou nas rodas de conversas.

Geralmente, quando ousamos falar de morte, relembramos a morte de algum ente querido, alguém que nutríamos algum tipo de afeto, e como foi para nós perdê-lo.

A Biologia nos ajuda a entender, por meio do processo de divisão celular, que a partir do momento que dois seres passaram a depender um do outro para dar origem a um novo ser, a morte se inscreveu na vida.

Arrisco a dizer que o embaraço em lidar com a morte, aparece no momento em que o homem pôde perceber, a REAL dimensão da morte (e, com ela, o Real da Morte, o impossível de dizer, já que as palavras não dão conta de tudo dizer, muito menos, sobre a morte), ao constatar e ter que lidar, não só com a finitude de seus semelhantes, mas, principalmente, com a finitude de si próprio. Moral da história: “não é só os que eu digo amar que irão morrer, eu também morrerei!”

A morte é um interdito radical. Principalmente, quando perdemos alguém que amamos. Precisamos cuidar de nós, para não corrermos o perigo de morrermos junto com o defunto.  Me parece que a morte toca na maneira como se deu a nossa separação primordial, ou seja,  como lidamos com os momentos de afastamentos e ausências de nossos pais. Talvez, a morte reedite um ponto de separação.

Por isso é importante fazer o luto de nossas figuras parentais, um luto que precisa ser iniciado muito antes deles “partirem dessa para uma melhor(?)”, precisamos suportar nos separarmos deles, precisamos sair de casa, assumir as rédeas de nossas vidas, para quando a hora chegar…

Assim como é preciso viver e aceitar despedir-se de cada etapa da vida.

Me parece que estamos tentando prolongar cada vez mais a vida, estamos negando a nossa finitude, a fragilidade de nossos corpos.

A  ciência e a tecnologia tem estudado, modificado e tentado prolongar a vida. E nós, literalmente, compramos essa causa. Vivemos tentando apagar as marcas do tempo, inclusive, as marcas, as rugas ou cicatrizes dos nossos próprios corpos: fazemos cirurgias, compramos remédios e pílulas, passamos a adquirir hábitos saudáveis, etc. Que bom poder viver mais alguns anos. Acho isso ótimo! Só que não dá para passar a vida “tampando o sol com a peneira”. 

Precisamos aceitar o tempo, as marcas do tempo, os nossos limites e, principalmente, que “ninguém fica pra semente!”.

A única coisa que nos eterniza são as palavras ditas, sobre nós, por quem amou a gente!

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André Nascimento
Psicólogo. CRP 16/4290. Consultório Particular: Praia do Suá, Vitória, Espírito Santo (ES). Autor, editor e idealizador do Blog Eu Tava Aqui Pensando e Escritos Psicanalíticos. Contato: (27) 999617815 (Vivo). Correio Eletrônico: dreebn@gmail.com ou dreebn@yahoo.com.br



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