Uma tela gigante de raios X instalada em Santa Mônica (Califórnia) atraiu dezenas de pessoas no Valentine’s Day (o Dia dos Namorados nos EUA, 14 de fevereiro). Atrás dela havia duas pessoas se beijando, abraçando-se, dançando… mas a plateia conseguia ver apenas seus esqueletos, sem nenhuma pista sobre quem estava do outro lado. A surpresa vinha quando se descobria que os casais eram de pessoas do mesmo sexo, de raças diferentes, de religiões diversas, de idade avançada etc. Era uma ação da campanha Love Has no Labels (o amor não tem rótulo, em tradução livre), contra a discriminação. Enquanto as dezenas de espectadores acompanhavam o “experimento”, uma câmara gravava o momento, e o resultado já conseguiu milhares de espectadores.

Publicado na terça-feira, 3 de março, nesta quinta-feira à tarde já tinha 14 milhões de visualizações, número que aumentava a grande velocidade (mais de um milhão a cada meia hora). Por trás dele está o Ad Council, uma organização sem fim lucrativo que faz campanhas com finalidade social para ONGs e governos. “Antes de mais nada, somos todos humanos. É hora de abraçar a diversidade. Deixe os rótulos de lado, em nome do amor”, é a mensagem no site lovehasnolabels.com, que abriga a campanha.

A ação é financiada por oito organizações, entre as quais a Human Rights Campaign e a Liga Antidifamação. No site são dados conselhos para tentar combater esses preconceitos no trabalho, em público ou na escola: por exemplo, evitar expressões como “é bipolar”, ou perguntar “você acha engraçado?” para alguém que faça piada em relação a certos grupos, como os gays. Também há um teste, para os usuários refletirem sobre atitudes discriminatórias que inconscientemente adotam.

“Embora a grande maioria dos norte-americanos ache que não têm preconceitos, muitos de nós julgamos precipitadamente os outros, com base no que vemos: raça, idade, sexo, religião, sexualidade ou deficiência. Os preconceitos inconscientes – chamados de vieses implícitos – têm profundas implicações em como vemos e interagimos com os que são diferentes de nós. Podem dificultar que uma pessoa encontre trabalho ou consiga um empréstimo, alugue uma casa ou tenha um julgamento justo, perpetuando a desigualdade na sociedade norte-americana”, informa a descrição no YouTube.

O Ad Council já fez outras campanhas sobre inclusão, segurança alimentar e oportunidades para a comunidade latina, mas nenhuma tinha tido tanto sucesso como esta. “Decidimos fazê-la porque nos pareceu que era muito importante incentivar as pessoas a examinar seus preconceitos inconscientes”, diz Lisa Sherman, presidenta do Ad Council, em uma entrevista. “Apesar dos progressos que temos conseguido nos EUA, continuamos a ter muito trabalho a fazer.”

TEXTO ORIGINAL DE EL PAÍS

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