O Coaching e a Inteligência emocional para o trabalho, os relacionamentos, a família, a vida…

Iniciemos com estas duas palavras quase mágicas em nossas vidas: “motivação e emoção”. Nossas motivações criam nossas metas e objetivos e o desejo de alcançá-los. Qualquer coisa que seja motivador, faz a gente se sentir bem. Nossas motivações nos dizem onde encontramos nossos prazeres. Mas quando se trata de correr atrás deles a vida nos surpreende com algumas dificuldades. Desta forma é importante seguirmos uma ordem de fatores que podem ser motivadores para mantermos nossa motivação em alta. Um psicólogo de Harvard chamado David Mc-Clelland, propôs três principais motivadores para as pessoas, a primeira ou primeiro deles é a necessidade de poder, no sentido de influenciar e impactar outras pessoas.

Mas neste aqui, existe ainda uma subdivisão. Um deles é o poder egoísta, poder centrado no ego ou individualismo, sem se importar se o impacto será bom ou mau. O outro é o poder socialmente benéfico, no qual se obtém prazer em influenciar pessoas para melhor ou para o bem comum. A escolha e as consequência sempre serão por nossa conta.

      O segundo fator motivador é a necessidade de se associar; ter prazer em estar com pessoas, se relacionar sempre com elas. Os que se destacam neste fator, são motivados pelo prazer de fazer coisas em conjunto com as pessoas de quem gostam. Quando se trabalha para o bem comum, todos que são motivados pela associação encontram energia no fato de que todos vão se sentir bem quando atingirem determinado objetivo.

    Por último temos a necessidade de realização ou conquista, alcançar um objetivo que seja pleno e faça sentido na vida. Aquelas pessoas que se motivam por este lado, adoram sempre ficar apreciando os seus resultados e gostam de receber retorno de como estão se saindo em determinado empreendimento. E não estamos falando de uma necessidade egoísta, mas sim de admiração por ser reconhecido em suas conquistas e empreendimentos.

   Agora vamos viajar pelo mundo do trabalho. Nos tempos modernos sempre quando falamos ou nos referimos ao trabalho, pensamos naquelas pessoas que nos servem de modelo ou referência, na maioria dos casos nossos comentários, de uma forma geral estarão relacionados a liderança e também a inteligência. Parece que hoje em dia, e cada vez mais, ser bom na vida profissional requer liderança e sabedoria.

    Liderança e inteligência é claro que são qualidade fundamentais e de sucesso, mas, não devemos procurar sermos apenas líderes inteligentes, mas, e fundamentalmente líderes mais sábios. Esta é uma grande exigência de nossa época. Líderes sábios criam estratégias que visam o bem maior, e não apenas a missão, visão e valores de uma organização. Quanto mais nossas comunidades, sociedades e o mundo em geral escolherem esse tipo de líder, melhor ficará o mundo. Líderes realmente grandes agem motivados por aspirações além das metas e fronteiras de uma organização ou um grupo e procuram contribuir para a humanidade como um todo. Lembro-me sempre de uma frase de um grande pensador que dizia: “sempre que eu não incluir o bem do outro no meu projeto de bem viver, estarei retornando aos tempos da barbárie.”

   Depois da motivação, emoção e trabalho, o terceiro foco é “eu mesmo”, ou seja, o que quero realizar para mim e sobretudo para o mundo? A minha vida fará sentido caso eu responder ou não esta pergunta? Aqui lembraremos uma frase antiga na sua origem, mas, que é mais atual do que nunca nos dias de hoje: “homem, conhece-te a ti mesmo”. Esta que é atribuída a Sócrates mas que na verdade fazia parte da escrita de entrada do Pórtico do Oráculo de Delfos na Grécia antiga. A necessidade de nos conhecermos, de realizarmos a grande meta existencial de nossa vida que é o autodescobrimento. Mas, como fazer? Perguntarão alguns. Como iniciar este processo de autodescobrimento?

    O primeiro passo é definir como missão pessoal, tomar a decisão de fazer, mesmo sabendo que as vezes, o resultado não estará sobre o nosso controle, mas a serviço de uma força maior que nos move, que é a nossa vontade e também a necessidade de nos auto decifrarmos. Enquanto não nos conscientizarmos de nossas próprias possibilidades existenciais, estaremos nos aturdindo em conflitos de natureza destrutiva, ou fugindo espetacularmente para estados depressivos, mergulhando em problemas e dificuldades de vária ordem, que nos escravizarão e estarão inviabilizando a nossa evolução como seres humanos, pelo menos momentaneamente e enquanto estivermos nesta vida com as rédeas do cavalo da nossa existência sobre o nosso controle. Portanto, autodescobrimento é meta inadiável da existência humana.

     Na sequencia temos o amor, na verdade, primeiro, não o amor pleno, mas o medo de amar, ou a fragilidade dos laços humanos.  Os relacionamentos escorrem das nossas mãos por entre os dedos feito água. Temos dificuldade de comunicação afetiva, já que todos querem relacionar-se. Entretanto, não conseguem, seja por medo ou insegurança. As relações terminam tão rápido quanto começam, as pessoas pensam terminar com um problema eliminando vínculos, mas o que fazem mesmo é criar novos e mais poderosos desafios afetivos.

    O individualismo é o fantasma da hora. Temos relacionamentos instáveis, pois as relações humanas estão cada vez mais flexíveis. Acostumados com o mundo virtual e com a facilidade de “desconectar-se”, as pessoas não conseguem manter um relacionamento de longo prazo. É um amor criado para não durar mesmo, para não sofremos com o peso de relacionamentos que possam durar mais que a moda. Pessoas estão sendo tratadas como bens de consumo, ou seja, caso haja defeito descarta-se – ou até mesmo troca-se por “versões mais atualizadas”.

    O romantismo do amor parece estar fora de moda, o amor verdadeiro foi banalizado, diminuído a vários tipos de experiências vividas pelas pessoas as quais se referem a estas utilizando a palavra amor. Noites descompromissadas de sexo são chamadas “fazer amor”. Não existem mais responsabilidades de se amar, a palavra amor é usada mesmo quando as pessoas não sabem direito o seu real significado.

     Evidentemente, o amor enquanto tal não é um princípio novo – ele está com a humanidade desde os seus primórdios. O que é novo, na verdade, é sua introdução, sob a forma de paixão e como ideal, na vida do quotidiano da família, nesta que antigamente, ele não era muito bem- vindo. Incialmente trata-se de um sentimento que tende a tornar-se universal, pelo menos da civilização que não está mais apta a suportar o casamento de conveniência. O amor pleno é um sentimento incomparável que dá sentido e valor às nossas vidas. Sempre quando instalado em nosso íntimo, na vida quotidiana e familiar, o amor compromete a totalidade do ser humano.

Como a água ou o ar que respiramos, ele se infiltra por toda parte, ele irriga todos os compartimentos do grande jogo da nossa existência, ele toma conta de todas as dimensões. O amor, pelo menos quando ele toma conta de nós, acompanha-nos por toda a parte. Onde quer que estejamos e não importa o que façamos, acontece de pensarmos naqueles que amamos, em nossos filhos, em nossos entes mais caros, nas paixões que nos habitam e nos levam a refletir na construção de nossa vida, de uma vida muito melhor e mais cheia de virtudes.

    Seguindo na linha da inteligência emocional vamos tocar no assunto felicidade. Muitos igualam a felicidade da sua vida, ou melhor, vinculam esta aos bens de consumo, ao mais “o ter” do que “o ser”. Um dos efeitos mais seminais de se igualar a felicidade à compra de mercadorias que se espera que gerem felicidade é afastar a probabilidade de a busca da felicidade algum dia chegar ao fim. Essa busca, na verdadeira felicidade, na verdade nunca pode terminar – seu fim equivaleria ao fim da felicidade real como tal.

Não sendo possível atingir um estado seguro de felicidade, só a busca desse alvo teimosamente esquivo é que pode manter felizes os corredores na jornada da vida. Na pista que nos leva à felicidade, não existe linha de chegada. Os pretensos meios se transformam em fins. Enquanto se está na corrida, sem cair exausto ou receber um cartão vermelho, a esperança de uma vitória futura se mantém viva.

       Se a felicidade está permanentemente ao alcance, e se alcançá-la leva apenas os poucos minutos necessários para sacar o cartão de crédito, então, obviamente, um “eu” que não consiga atingir a felicidade não pode ser real ou genuíno, mas antes uma relíquia da indolência, da ignorância e da inépcia – senão das três em conjunto. Esse “eu” deve ser uma imitação ou uma fraude.

A ausência de felicidade, ou uma felicidade insuficiente, ou menos intensa que o tipo proclamado como alcançável por todas as pessoas que tentaram bastante e usaram os meios e habilidades adequados, é todo o motivo de que se precisa para recusar o “eu” que se tem e embarcar e prosseguir numa vigem de autodescoberta. “Eus” fraudulentos, de ávidos por consumo ou, arruinados, devem ser descartados com base na “inautenticidade”, enquanto a busca pelo verdadeiro prossegue. E há pouca razão para abandonar essa busca quando se tem certeza de que em breve o momento vivido fará parte da história e outro momento chegará, trazendo novas promessas, explodindo de novos potenciais a serem vividos, pressagiando sempre um novo início…

      Numa sociedade de compradores e numa vida de compras, estamos felizes enquanto não perdemos a esperança de sermos felizes. Estamos seguros em relação à infelicidade enquanto uma parte desta esperança ainda palpita. E, portanto, a chave para a felicidade e o antídoto da miséria é manter viva a esperança de ficar feliz. Mas ela só poderá permanecer viva sob a condição de uma nova sucessão de “novas oportunidades” e “novos inícios” para nossas vidas.

   Para encerrarmos não poderíamos deixar de falar de sucesso. A palavra é forte, por ter em si mesma uma aura de desejo insaciável, mas enfim, o que é ter sucesso? Os conceitos são variados, a literatura é vasta sobre o assunto, as opiniões diversas, mas fico mesmo com Ralph Waldo Emerson, que chegou mais perto daquilo que eu imagino ser o sucesso. Disse ele e eu incluo a minha adaptação:

“Rir muito e com frequência;
Ganhar o respeito de pessoas inteligentes e o afeto das crianças;
Honrar pai e mãe;
Respeitar os idosos;
Preservar a natureza como se ela fosse a nossa mãe que nos gerou;
Merecer a consideração de críticos honestos e suportar a traição de amigos;
Seguir em frente e sem tristeza quando afetos lhe abandonam, seja por opção ou por morte;
Deixar o mundo um pouco melhor com o seu exemplo;
Ensinar tudo que aprendeu;
Fazer que seu filho pegue o melhor de você e descarte o pior;
Saber ao menos que uma vida que seja respirou mais fácil porque você viveu;
Nunca, sob hipótese alguma reclamar;
Quando o mundo desabar, achar tempo para parar e meditar;
Ser grato por tudo, principalmente pelos revezes;
Quando ofendido perdoar, pois os sãos não precisam de remédio, quem agrediu que é o enfermo;
Isso é que é ter sucesso na vida…”
Fim.

Compartilhar
Paulo Ratki
Analista e Coach Especialista em Inteligência Emocional Six Seconds Emotional Intelligence Assessment – SEI Presidente do LIDE RS Líderes Empresarias Grupo Dória



COMENTÁRIOS