Por Marcella Fernandes

Tá toda machucada. Sei perfeitamente o que houve. O Gael te bateu, não foi, Clara? Te surrou. A gente vai acabar com isso agora. Tem lei pra te proteger. A lei Maria da Penha que é contra o espancamento de mulheres. Vou ligar agora pra polícia. Você vai denunciar esse crápula. Vai botar teu marido na cadeia.”

A frase é do capítulo da novela da Globo O Outro Lado do Paraíso que foi ao ar neste sábado (28). O médico Renato (Rafael Cardoso), após atender Clara (Bianca Bin) incentiva que ela denuncie a agressão sofrida pelo marido, Gael (Sergio Guizé). A personagem eslocou o braço após o marido agredi-la e empurrá-la de uma escada em casa.

Gael bate em Clara após sua mãe, Sophia (Marieta Severo) dizer que não gostou da forma como Clara conversou com um garçom durante um jantar. “Acho que você tem que ser mais firme com a tua mulher. Mostra quem manda naquela casa”, disse ao filho.

Na trama, o casal se conhece no Jalapão, em Tocantins, e se casa rapidamente.

Após a fala de Rafael, no final do capítulo, a novela mostrou a frase “Violência contra a mulher é crime. Denuncie” e informou o telefone para denúncias, o Disque 180.

As cenas explícitas de violência contra a mulher da novela têm repercutido entre os espectadores, que em geral, têm apoiado o debate. Pesquisa Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública de fevereiro de 2017 mostra que a cada 2 segundos, uma mulher é vítima de violência verbal ou física no Brasil.

As cenas de violência doméstica são mto difíceis de ver mas apesar disso em O outro lado do paraíso elas até agora estão sendo bem dirigidas
— Mulher MaGalvilha (@fuligemdelua) 29 de outubro de 2017

O fim do capítulo deixa dúvidas se Clara irá ou não denunciar as agressões e sobre o futuro de Gael. No Twitter, o boato de uma redenção do personagem também provocou reações.

Não é a primeira que a novela, que estreou na última segunda-feira (23) aborda o tema. No segundo capítulo, Gael estupra Clara nem plena noite de núpcias.

O casal de recém-casados estava viajando para comemorar a sua lua de mel. Inicialmente, o clima entre os dois é tranquilo, mas tudo muda após Gael beber muitas garrafas de champagne.

O comportamento violento de Gael assusta Clara. “Eu estou ficando com medo”, disse a jovem, ao ser jogada semi nua na cama pelo parceiro. “Cala a boca”, respondeu o homem. A esposa pediu para parar, mas mesmo assim ele forçou a relação sexual.

Não silencie!

“Foi só um empurrãozinho”, “Ele só estava irritado com alguma coisa do trabalho e descontou em mim”, “Já levei um tapa, mas faz parte do relacionamento”. Você já disse alguma dessas frases ou já ouviu alguma mulher dizer? Por medo ou vergonha, muitas mulheres que sofrem algum tipo de violência, seja física, sexual ou psicológica, continuam caladas.

Desde 2005, a Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, funciona em todo o Brasil e auxilia mulheres em situação de violência 24 horas por dia, sete dias por semana. O próximo passo é procurar uma Delegacia da Mulher ou Delegacia de Defesa da Mulher. O Instituto Patrícia Galvão, referência na defesa da mulher, tem uma página completa com endereços no Brasil.

TEXTO ORIGINAL DE BRASILPOST

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