O que vou ser quando crescer? A importância da Orientação Vocacional

Por Tamar Caroline Seixas

No decorrer de nossas vidas apresentamos dificuldades em tomar decisões e realizar escolhas, pois nossas opções também determinam quem somos e quem seremos futuramente. E a principal pergunta que nos acompanha e atormenta em nosso desenvolvimento é: O que eu vou ser quando eu crescer?, passamos nossas vidas sendo determinados, minha mãe quer que eu seja medico, mas meu pai acha que levo jeito para ser advogado e conforme vamos atingindo a maioridade a dificuldade em tomar esta decisão aumenta, pois surgem outras opiniões: professores, familiares no geral , amigos e colegas.

Este é um dos principais motivos do aumento pela procura do auxílio do psicólogo na escolha profissional, desde jovens recém formados no ensino médio, que apresentam duvidas em optar pela área profissional que pretendem atuar, à profissionais que após anos descobriram-se insatisfeitos com sua escolha profissional e buscam auxilio para optarem e se restabelecerem em uma nova área de atuação.

Por tanto devido a esta busca por auxilio e autoconhecimento a Orientação Vocacional/Profissional veem apresentando-se constante na atuação do psicólogo, porém muitos profissionais apresentam dificuldades em conhecer e utilizar os instrumentos direcionados a esta orientação. O objetivo é pontuar a estrutura dos encontros voltados para a Orientação Vocacional/Profissional, auxiliar o profissional ou interessados em buscar por esse serviço, a compreender os instrumentos que são utilizados quais as suas funções e relevâncias nos atendimentos.

O trabalho de Orientação Vocacional/Profissional é composto de aproximadamente 6 à 7 encontros, semanais no período de 50 minutos, tem como objetivo auxiliar no autoconhecimento do paciente e auxilia-lo na escolha profissional. No decorrer dos encontros serão utilizados os seguintes instrumentos: entrevistas, atividades direcionadas/lúdicas e testes psicológicos.

Esses instrumentos são de fundamental importância no decorrer do processo pois através dos instrumentos o psicólogo realizara o levantamento das informações necessárias para auxiliar no norteamento da escolha vocacional , é importante ressaltar também que os instrumentos podem variar de acordo com o paciente e o seu objetivo ao buscar a orientação.

Os instrumentos frequentemente utilizados são os testes psicológicos, devido a tratarem-se de mecanismos padronizados e fidedignos. Que proporcionam resultados que fortalecem e comprovam os resultados obtidos com os demais instrumentos.

Segundo Nascimento (2007) os testes utilizados em Orientação Vocacional/Profissional são instrumentos adequados para realizar o levantamento de afinidade profissional e características da personalidade.

Deve-se ter em conta que os testes não ajudam diretamente na resolução do conflito, mas sim na compreensão dos mesmos. (NASCIMENTO, 2007)

Por tanto de acordo com Nascimento (2007) esses conflitos que podem surgir com a aplicação dos testes em Orientação Vocacional/Profissional devem ser tratados em atendimentos terapêuticos que podem se tratar de vários encontros.

Logo se surgirem dificuldades no processo vocacional o psicólogo deve atentar-se para os conflitos internos e que devem ser elaborados no processo terapêutico, cabe por tanto ao psicólogo realizar o encaminhamento do paciente para o atendimento terapêutico e futuramente concluir a orientação, pois conflitos internos dificultando o autoconhecimento e a escolha profissional.

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A fim de informar mais sobre o principal instrumento utilizado atualmente no processo de orientação profissional seguem alguns testes:

LIP (Levantamento de Interesses Profissionais) o objetivo do LIP é auxiliar os adolescentes ou adultos que estão participando do processo de Orientação Vocacional/Profissional à identificarem seus interesses profissionais. Composto por 256 itens em mais de 8 áreas profissionais, proporcionando muitas possibilidades de conhecimentos e escolha de profissões.

APO (Áreas profissionais, Profissões e Objetos) o objetivo é realizar o levantamento de profissões. Composto pela descrição de aproximadamente 70 profissões, facilitando o sujeito que está participando de OP a refletir e pensar sobre sua afinidade profissional.

QVI (Questionário Vocacional de Interesses) composto por profissões onde o sujeito deve preencher as pirâmides de acordo com o seu interesse pelas profissões apresentadas. O objetivo é auxiliar o sujeito a identificar as suas afinidades profissionais.

TEV (Teste de Estruturas Vocacionais) o objetivo é facilitar a concepção do sujeito em relação ao meio que está situado e as influências que este meio proporcionam em sua escolha profissional.

R-4 (Questionário do Adolescente) é um questionário com o objetivo de avaliar as áreas mais conflitantes do adolescente, com perguntas direcionadas a família, sexualidade, ambiente escolar e social.

PAP/PAF (Panorama de Atitudes de Pais e Filhos) o objetivo é explorar os hábitos familiares, através da avaliação de aspectos como equilíbrio e severidade.

EMEP (Escala de Maturidade para a Escolha Profissional), utilizado para avaliar se o sujeito possuí maturidade para realizar a escolha profissional, faz-se necessário com adolescentes que demonstram comportamentos infantilizados.

PHD (Programação de Hábitos de Desempenho) avaliar os hábitos de estudos do sujeito, a fim de futuramente orienta-lo durante os encontros de Orientação Vocacional/Profissional.

RAC (Registro de Atitudes e Comportamentos) um questionário de levantamento a fim de registrar as atividades e rotina diária do sujeito.

Questionário Intimo/ Confidencial os dois questionários tem por finalidade proporcionar ao psicólogo dados sobre o sujeito e sobre o ambiente.

TDP (Teste das Dinâmicas Profissionais) detecta as preferências e interesses do sujeito para doze áreas profissionais.

BFP (Bateria Fatorial de Personalidade) o objetivo desse instrumentos é realizar o  levantamento das características que mais se destacam da personalidade do sujeito. Na Orientação Vocacional/Profissional é muito utilizado pois auxilia o psicólogo e o sujeito a reconhecer os traços da  personalidade do sujeito, facilitando a associação com a área profissional.

QUATI o teste também é utilizado a fim de avaliar se a personalidade do sujeito possuí características extrovertidas ou introvertidas, o instrumento é baseado na teoria psicanalítica de Carl Jung, a fim de a associação com a área profissional de interesse do sujeito.

O psicólogo pode optar pela utilização da quantidade de testes que julgar necessário no decorrer dos encontros e ao finalizar o levantamento ele fornecerá ao paciente direções/opções de profissões embasadas nas opções apresentadas no início e nos resultados obtidos através da utilização de todos os instrumentos. A Orientação Vocacional/Profissional não determina uma opção e nem fornece uma resposta pronta, ela auxilia nas escolhas das opções e proporciona direções. E nada impedi que a escolha definida seja alterada ao longo de nossas vidas, pois hoje eu quero ser médico e amanhã posso ser astronauta. Essa escolha ainda dependera exclusivamente de você, não te restringe a mudar de opinião quantas vezes você julgar necessária e nem buscar pelo auxílio do psicólogo novamente no futuro, quando você decidir deixar de ser engenheiro pra se tornar artista.

Referências

AMBIEL, R.A.M; POLLI, M.F. Análise da Produção Cientifica Brasileira sobre Avaliação. Estudos Interdisciplinares em Psicologia, Londrina, v. 2, n. 1, p. 103-121, jun. 2011.

NASCIMENTO, R.S.G.F. Avaliação psicológica em processos dinâmicos de orientação vocacional individual. Rev. bras. orientac. prof v.8 n.1 São Paulo jun. 2007.

Autoria: Tamar Caroline Seixas:
Estudante de Psicologia da Universidade de Mogi das Cruzes, cursando o último ano, apaixonada por Psicologia, por suas especificações e abrangências. Entre as áreas as quais possuo maior interesse destacam-se a Escolar e a Hospitalar. E como experiência profissional atuei na área Organizacional, nesta descobri meu interesse pela correção e aplicação de Testes Psicológicos.
FONTEMundo da Psi
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