Prática leva à perfeição – mesmo quando você já é bom

Por Felipe Germano

Já se perguntou por que você não virou uma estrela do rock, mesmo depois de conseguir tocar aquela música dificílima? Ou então por que não se tornou um Pelé, ou uma Marta, depois daquele gol inacreditável? Bom, de acordo com um novo estudo feito pela Universidade de Brown, pode ser porque, depois desses belos feitos, você achou que estava dominando a técnica. Aí a coisa desandou.

De acordo com os pesquisadores, aquela ansiedade de passar para uma coisa mais complexa logo que você consegue ir razoavelmente bem no nível mais fácil pode ser sua ruína. E a culpa disso é seu cérebro. Acontece que, assim como um computador, sua massa cinzenta acaba tendo que apagar coisas antigas para ter acesso a novas. Isso acontece toda hora que você tem contato com uma novidade (como agora, ao ler essa matéria). Só que às vezes ele não escolhe muito bem o que apagar e some justamente com o primeiro passo daquela grande coisa complexa que você está se esforçando para aprender. Na prática, enquanto você está tentando fazer um solo de guitarra incrível, é possível que seu cérebro esteja jogando na lixeira sua aulinha de escalas – completamente necessária para você virar um Jimmy Hendrix.

Mas, ó Superinteressante, como eu faria para aprender coisas novas sem esquecer antigas? O segredo, de acordo com o estudo, é forçar a barra nessas lições mais básicas. Mesmo depois que você já estiver destruindo nas escalas, continue treinando elas mais um pouco, dessa forma, seu cérebro vai se ligar que aquilo é de fato importante e sinalizar que é melhor não apagar aquela informação.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores separaram voluntários em dois grupos e deram a eles um joguinho simples: individualmente cada um dos participantes tinha que olhar para uma imagem com barras em degradê e afirmar onde, de fato, elas terminavam. Os dois grupos jogaram oito níveis da brincadeira (momento em que eles já estavam pegando o jeito da coisa). Depois disso houve uma pausa de meia hora. O primeiro grupo aprendeu um joguinho novo, enquanto o segundo jogou mais 8 níveis da brincadeira original. No dia seguinte, repetiram as experiências, e o primeiro grupo continuou mandando bem no jogo novo, mas foi tão mal na brincadeira original quanto alguém que nunca havia tido contato com o game. O outro time, seguiu dominando o único jogo com que tiveram contato.

Os pesquisadores, por meio de ressonâncias magnéticas, examinaram todos os voluntários. O resultado foi enfático: no cérebro dos que haviam aprendido os dois jogos havia uma presença maior de ácido glutâmico, componente químico que deixa seu cérebro mais plástico e apto para o aprendizado. No outro grupo, por outro lado, o que se destacava era uma presença de receptores Gaba, que estabiliza o cérebro – e sinaliza que aquilo não deve ser apagado.

Imagem de capa: Shutterstock/Paolo Bona

TEXTO ORIGINAL DE REVISTA SUPERINTERESSANTE

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