Psicólogo não “dá conselhos”. 8 Mitos sobre a profissão

 

Para muitas pessoas, a profissão do Psicólogo ainda é algo desconhecido, cercada de mitos. É preciso ampliar o olhar e perceber a Psicologia de forma diferente, desmistificar a profissão, que muitas vezes é vista de modo equivocado, por falta de conhecimento e informação. Separei aqui, oito mitos que percebo mais evidentes e mais ouço das pessoas. Mito trata-se de uma representação fantasiosa que busca dar sentido e explicar fenômenos e situações, é quando criamos ou mantemos uma ideia sobre alguma coisa que não necessariamente se trata da realidade, geralmente carregada de pré-conceitos que adquirimos ao longo da vida e baseado no senso comum.

1 – Psicólogos são “videntes”: Diferentemente do que muitas pessoas pensam, não possuímos “bola de cristal”, onde podemos adivinhar os sentimentos e pensamentos dos pacientes. Pelo contrário, a principal ferramenta de trabalho do Psicólogo é a escuta. Precisamos ouvir o paciente, suas demandas e a partir do que ele nos relata, produz sentidos outros à sua história, que talvez ele nunca tenha pensado. Não adivinhamos nada, nosso trabalho é ouvir e a partir de nossa bagagem teórica, construir caminhos junto a ele, nada está pronto!

2 – Psicólogos dão conselhos! O profissional possui ferramentas e estratégias para auxiliar o paciente a decidir seu próprio caminho, não podemos e nem devemos decidir por ele. Eis a diferença entre conversar com um amigo e com um Psicólogo: um amigo lhe dará um apoio nesse sentido, irá te aconselhar, dizer o que faria em seu lugar. Porém o Psicólogo utilizará métodos científicos para lhe auxiliar em seus conflitos, pois o caminho é seu e você quem deve percorrê-lo.

3 – Psicólogo é coisa para “louco”: Acredito que é preciso ter cuidado com a forma como tratamos aquilo que não conhecemos e desmistificar também o que se entende por “loucura”. Aquele que busca cuidar de si, de sua saúde mental, opta também por se conhecer melhor e obter maior qualidade de vida, ao invés de ir “empurrando” os problemas de qualquer maneira. A psicologia surgiu em seu contexto clínico, a partir de demandas específicas voltadas a doença mental e desajuste social. No entanto, com o passar dos anos essa percepção foi se modificando, de uma ideia estritamente de cura para uma ideia também de prevenção. Hoje muitas pessoas procuram psicólogos não porque estão doentes, mas porque querem se desenvolver enquanto pessoas, saber lidar melhor com suas próprias questões e dificuldades, que aliás, todos temos. Psicólogo precisa ser visto como profissional da saúde mental e não da doença mental!

4 – O psicólogo que não tem filhos, não é casado, ou é muito novo não vai compreender o que estou passando, pois nunca passou por essas experiências: Esse tipo de visão é muito comum em relação a profissionais que se formam muito cedo, porém, é equivocada, no sentido de que a experiência que este profissional tem é a partir de sua formação, anos de estudo sobre o ser humano, seu comportamento e realidades sociais e esta bagagem por si só, permite que o profissional compreenda as mais diversas realidades e situações vivenciadas pelas pessoas. A caminhada acadêmica, supervisões, estágios, atendimentos, dezenas de disciplinas, possibilitaram outro tipo de conhecimento, que não necessariamente precisa vir da experiência em si. Um médico não precisa ter “enfartado” para saber como lidar com esses casos. Esse exemplo por si só já explica esse mito.

5 – Psicólogo analisa todo mundo o tempo todo: Não trabalhamos fora do trabalho! Somos treinados para analisar sim, mas não fizemos isso o tempo todo! Isso seria antiético! Não analisamos amigos ou familiares! Nossa profissão é regulamentada por um código de ética e sair analisando a todos não seria nada ético. Aliás, se há algum psicólogo que faz isso, ele é quem precisa de ajuda!

6 – Psicólogo não têm problemas e dificuldades: Se fosse assim médico não ficaria doente! Uma das coisas que aprendemos na faculdade é que também precisamos nos analisar, fazer terapia, conhecer nossos “monstros” internos para poder lidar com os das pessoas. Como dizia Jung, “conhecer nossa própria escuridão é o melhor método para lidar com a escuridão dos outros”.

7 – Psicólogo tem a “fórmula mágica” para a resolução de problemas: Não resolvemos problemas em 5 minutos, muitas pessoas dizem: “ah tu é psicóloga me ajuda a resolver isso!” E não é assim que as coisas funcionam…  É preciso um processo e um tempo para que possamos auxiliar o paciente a lidar com suas crenças e dificuldades a partir da Psicologia. Quem possui a solução é o próprio paciente, mas muitas vezes não consegue enxergar sozinho. Nós ajudamos nesse processo e todo processo leva tempo, não há mágica alguma aqui.

8 – Para que ir ao Psicólogo se posso desabafar com familiares e amigos? Essa é uma questão muito pessoal, cada um deve saber a necessidade de buscar ou não esse tipo de ajuda profissional. Não estou afirmando que você não possa conversar com seus familiares ou amigos. A questão é que o psicólogo trata-se de uma pessoa de “fora”, que poderá ouvir e compreender seus conflitos de maneira profissional, a partir de sua formação, ou seja, possui uma bagagem para auxiliar e produzir uma escuta clínica. Os amigos e familiares poderão te dar conselhos, como falei anteriormente, que é uma ajuda também, mas mais próxima e pessoal, que é diferente da ajuda do psicólogo porque este utiliza instrumentos científicos em sua prática para compreensão e resolução de conflitos.

Qualquer dúvida ou sugestão acesse: facebook.com/psicologasarak

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Sara Kronbauer
Psicóloga, gaúcha e acompanhada de um enorme desejo pela escrita, suas provocações e nuances. Para mim, a escrita possui múltiplos sentidos, ao passo que ela me permite analisar, constatar, indagar e perceber situações de modo diferente do habitual, saindo do "clichê" e habitando paisagens e caminhos ainda não desbravados, percorridos ou sentidos e isso vale também para a leitura. Escolhi também a Psicologia, justamente por ela me ofertar a possibilidade de ampliar o olhar frente às questões da vida. Trabalho atualmente em Consultório, onde realizo atendimento de crianças, adolescentes e adultos. Desenvolvo também, o Café com Psicologia, que trata-se de um projeto que busca aproximar as pessoas da Psicologia, a partir de encontros em diversas instituições e estabelecimentos, discutindo temáticas pertinentes à profissão. Busco assim, propagar ideias, desfazer certezas e construir caminhos.



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