Por Ana Paula Blower

Por trás de inúmeros furos e desculpas para não ir a um encontro ou a um compromisso pode estar escondido um transtorno: o da ansiedade social. Quem sofre com ele sente-se angustiado quando precisa ir a uma dessas situações e desconfortável diante delas. É bem diferente da timidez, é uma sensação que paralisa. Mas, mesmo que incontrolável, tem tratamento.

A clausura constante pode ser sinal do problema cada vez mais comum, mesmo que pouco diagnosticado por conta do estigma que os transtornos mentais ainda carregam. As pessoas se veem como tímidas e não procuram ajuda.

— É comum ficar ansioso em situações em que estão expostos a críticas, como falar em público. Mas para quem tem o transtorno, é uma ansiedade prejudicial. A fronteira entre normal e patológico é o grau de prejuízo que se tem ao não conseguir fazer coisas por conta disso — explica a psiquiatra Analice Gigliotti, diretora do Espaço Clif.

A ansiedade social dificulta ou impossibilita a comunicação pessoal, pelo telefone ou até num elevador cheio. Quem sofre com isso pode gaguejar e ter a voz trêmula. Para a psicanalista Sônia Bromberger, é preciso buscar a compreensão do que é esse medo e o que o causou.

— Na raiz disso tem um medo de se afastar de casa ou de quem transmite segurança. Então, a pessoa alega várias coisas, tem sempre um argumento para não sair. É uma situação de sofrimento constante — pontua ela, que é membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio.

Se a pessoa consegue ir ao evento, tem a angústia de não saber como se portar ali, sentindo-se extremamente fragilizada e exposta. Por outro lado, se evita o convívio, isola-se cada vez mais, diz Sônia.

Imagem de capa: Shutterstock/Vika Hova

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