Quase impossível não ter assistido ou ouvido algum comentário a respeito da nova e polêmica série da Netflix “13 reasons why” (de Brian Yorkey, 2017).

Assisti a série até o fim e decidi, também, propor algumas reflexões a respeito.

A série retrata, sob a ótica da personagem Hannah Baker, determinações e situações vividas que lhe afetaram profundamente e cque ontribuíram para a sua decisão de tirar a própria vida. Trata-se de uma série dramática, que desperta emoções e nos faz olhar para os contextos em que os adolescentes estão inseridos e em comportamentos típicos deste período do desenvolvimento humano, que é vivido com muita intensidade.

Abordando temáticas ligadas as emoções humanas, como: suicídio, bulling, machismo, valorização da imagem, relações descartáveis, entre outros assuntos contemporâneos que podem ser complexos, mas necessários a serem discutidos, a série provoca angústias e promove a necessidade de debates sobre os temas abordados.

Podemos pensar que no suicídio o sujeito é agente e objeto de si mesmo e, encontrando-se em uma situação de extrema vulnerabilidade emocional comete um ato autodestrutivo de por fim a sua dor, interrompendo assim a sua vida. Trata-se de um ato solitário e individual, de uma escolha, embora a única que o sujeito tenha sido capaz de fazer, dentre outras escolhas possíveis.

Para quem fica (pais, amigos e familiares) surge a culpa e os questionamentos sobre suas possíveis falhas, sobre os sinais que não puderam identificar e até mesmo sobre como eles poderiam ter evitado o suicídio. Entretanto, se pudesse ter sido evitado por qualquer outra pessoa provavelmente não teria acontecido. É claro, ninguém o deseja, mas quem o fez assim desejou, ao menos naquele momento. É uma escolha sem volta, por isso a necessidade de prevenir, de dar voz ao sujeito que sofre, de ajudá-lo a perceber outras possibilidades e de afastá-lo dos riscos do suicídio.

Talvez, ao dar voz à personagem Hannah através das fitas que ela deixou gravadas, 13 reasons why nos oferece a oportunidade de compreender (e não de aceitar) que razões aquela linda jovem teria para tirar a sua vida. Estas razões incluem o fato de não se sentir aceita, de sentir-se incompreendida, rejeitada, desvalorizada, sozinha e vazia.

E, é claro, isto não faz de Hannah a heroína da série. O personagem Clay, que parece vivenciar um percurso de autoconhecimento enquanto escuta as fitas deixadas por Hannah enfrentando, a seu modo, dilemas e angústias,  pode ser considerado o herói da temporada, sobrevivendo a tudo isso.

Por fim, penso que a única pessoa que seria capaz de salvar a personagem Hannah Baker seria ela mesma, se assim pudesse fazer (mas infelizmente não pôde). A maneira como sentiu sua dor, os recursos de que ela dispunha e as razões para cometer suicídio são somente dela.

Cada um de nós tem as suas razões. E, acredite: as razões para desejar viver podem ser infinitamente maiores que as razões para desejar morrer.

Por fim, se você não estiver conseguindo encontrar sozinho as razões para viver, há sempre alguém que pode ajudá-lo a compreender-se, a conhecer-se, a superar-se e a lidar melhor com suas emoções. Para isso a via da palavra se faz um recurso muito importante. Compartilhe (pessoalmente) seus afetos, fale sobre seus sentimentos e nunca se esqueça de que você merece uma nova chance, sempre.

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Audrey Leme
Psicóloga Clínica de abordagem psicanalítica; Atualmente atende em consultório particular e no Dispensário Madre Tereza de Calcutá na cidade de Limeira-SP; ministra palestras para a comunidade com temáticas voltadas ao desenvolvimento humano. Também possui formação em Administração de Empresas e experiência na área de RH (Recrutamento & Seleção e Treinamento e Desenvolvimento).

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