Por Edith Casal

Existe uma regra básica para conservar nossa saúde emocional: diferenciar aqueles que nos merecem daquele que não nos merecem. Para isso, devemos conhecer alguns princípios básicos de discernimento que, basicamente, consistem em separar o bom do mau para avaliar os tons de cinza de nossas relações.

O egoísmo é prejudicial e, por isso, é melhor mantê-lo longe de nossa vida. Também não merecemos a indiferença, a falta de atenção e os maus-tratos. Essas são máximas ou princípios que devem ser inabaláveis.

De todas as formas, isso não quer dizer que aquilo que não merecemos nos torna pessoas más, mas que nossa relação pode não ser saudável e alimenta um vínculo negativo cheio de dor, que abre feridas perigosas para nossa saúde emocional.

Saúde emocional: somos o que dizemos a nós mesmos

Para conseguir descobrir o que nos faz bem ou não, temos que ter muito claras as mensagens emocionais que são saudáveis para nós. Ou seja, devemos analisar nosso diálogo interior. Mas, o que é o nosso diálogo interior? O diálogo interior é a forma como nos comunicamos com nós mesmo e é determinante para administrar nosso autoconceito e nossa autoestima. Portanto, ele deve ser positivo e nos trazer confiança, segurança, vitalidade e projeção.

Da mesma forma, se geralmente nosso autoconceito se apoia nas seguintes frases, fica difícil atrair boas ações e boas relações para nossa vida:

  • Sou mau ou má, mereço ser abandonado(a).
  • Não sou digno de amor.
  • Ninguém vai gostar de mim ou me amar.
  • Não sou importante para ninguém.
  • Sou digno(a) de muita pena.
  • Mereço as críticas.
  • Sou fraco(a).
  • Sou feio ou feia.
  • Etc.

Conhecemos o efeito que as palavras dos outros têm sobre nós quando elas nos fazem bem, quando nos ferem ou deixam de falar em um tom adequado. No entanto, não costumamos nos perguntar como a forma como conversamos com nós mesmos influencia nossas relações.

Se notarmos um diálogo interno negativo devemos tomar uma atitude sobre o assunto e começar a nos mandar sinais positivos e emocionalmente inteligentes. Eles podem ser de diversos tipos de acordo com o que precisamos. Assim, se, por exemplo, falamos de uma pessoa que acredita que “não vale nada”, ela deve dizer a si mesmo “valho muito porque…”.

Nosso cérebro recebe nossas ordens e, conforme o tipo de pensamento que estamos acostumados a ter, faz funcionar uma máquina neuroquímica ou outra. Isso quer dizer que, por exemplo, os pensamentos que nosso cérebro cria bloqueiam a liberação de serotonina ou a promovem.

Isso é muito mais complexo, é claro, mas essa simples regra nos ajudará a entender que aquelas pessoas com uma linguagem pessimista, insegura e dependente vão ser muito mais vulneráveis em suas relações e, portanto, é provável que topem com as pessoas erradas nas situações ruins, que acabem causando danos a sua saúde emocional.

Por isso é tão importante controlar o que dizemos a nós mesmo e o que dizemos aos outros, já que isso nos ajudará a discernir com clareza o que é bom ou ruim para nós, assim como nos fortalecer para dizer que não queremos em nossa vida quem não nos merece, porque não nos faz bem.

“Não te merece quem, com sua indiferença, te faz sentir invisível e ausente. Te merece quem, com sua atenção, te faz sentir importante e presente.

Não te merece quem te ilude com o que diz para logo em seguida te decepcionar com ações. Te merece aquele que diz pouco, mas faz mais.

Não te merece quem só te procura quando precisa de você, mas te merece quem está sempre ao seu lado quando sabe que você precisa. Não te merece quem te faz estar triste e chorar, mas sim quem te alegra e te faz sorrir.”.

Amo a mim mesmo porque…

Agora é hora da seguinte tarefa, completar a frase “Eu me amo porque…” quantas vezes quisermos e de forma totalmente sincera e espontânea. Vale tudo. Não devemos colocar barreiras de nenhum tipo contra nós mesmos.

Se nossas relações estão nos forçando a comprometer nosso diálogo interno positivo, algo está realmente ruim. Muitas vezes a solução para restabelecer o equilíbrio de nossas conversas interiores é falar com as pessoas que “estão nos afetando”.

Devemos tentar buscar um equilíbrio saudável que estimule nossa saúde emocional. Se esse acordo não acontecer, devemos sempre escolher ser a nossa prioridade, nos cuidar e começar a escrever internamente um guia em que sejamos os grandes protagonistas.

TEXTO ORIGINAL DE A MENTE É MARAVILHOSA

*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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