Sabedoria em tempos de crise.

Por Caroline Lima

Vivemos um tempo em que o imediatismo, a impaciência e a intolerância caminham de mãos dadas nas ações humanas, sendo legitimadas pela naturalização com que acontecem na nossa sociedade. Embora saibamos que os marcos legais da saúde, da educação, da assistência social e de outras áreas importantes estejam avançando bastante no caminho da convivência sem abusos em nosso país, ainda usamos escassamente nossa consciência nas relações humanas e nas situações cotidianas quando nos confrontamos com o negativismo de uma crise social. Para além dela, vivemos hoje uma crise ética e valorativa, na qual a sabedoria está sendo lembrada como alicerce certeiro dos comportamentos que tendenciam ao equilíbrio, pela busca de soluções mais assertivas diante do caos que se instalou. A natureza reforça essa ideia por nos impor a introspecção diante das catástrofes naturais, convidando-nos a um sábio e necessário mergulho interior na responsabilidade que nos cabe enquanto coletividade, na aprendizagem em relação à solidariedade não apenas como retórica vazia, mas como prática, que cura vidas diariamente em pequenas frações de amor compartilhado.

Parece que precisamos da adversidade, dos obstáculos e da visão desanimadora para sairmos da letargia do individualismo e despertarmos para uma consciência social que nos torna mais humanos, generosos, afetivos e comprometidos com nosso propósito conosco mesmos e com o mundo. Acordamos sobressaltados, porque não percebemos os sinais que a vida oferece todos os dias. Pequenos sinais que são solapados pelo desgaste natural em que nos introduzimos como civilização. E a sabedoria em tempos de crise é fundamental, para contribuirmos para ações mais colaborativas e positivas, deixando de lado o que não acrescenta diante de tamanho enfraquecimento ético.

Além disso, sabedoria em tempos de crise exige coragem para compreendermos que vale a pena seguir em frente utilizando a criatividade, as potencialidades e o amor que nos une e nos iguala como humanidade. Exige sermos elos de ações e não comoções que nada constroem. Ações efetivas que privilegiem o empoderamento das pessoas como agentes participativos e atuantes acerca da realidade em que vivem, principalmente pela co-responsabilidade que lhes cabe também. Que possamos aprender a lição da escola da vida. Lição para uma vida toda.

 

Caroline Lima Silva

Psicóloga (CRP 07/16371)

Mestre em Psicologia – UFRGS

Pós-graduanda em Gestão Social: Políticas Públicas, Redes e Defesa de Direitos

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