Ser Mulher é pra quem quer e pra quem pode.

Nietzsche disse em Lê Gai Savoir, 1881-1882 que a mesma palavra AMOR significa coisas diferentes para o homem e para a mulher… Freud por outro lado, formulou a pergunta que atravessa sua obra – “Afinal, o que quer a Mulher?” A dúvida permanece, mas ele “aparentemente” já tinha encontrado essa resposta: Ela quer ser amada!

Se mesmo Freud parecia penar em seus questionamentos, quem somos nós para definir esse “Ser Mulher“. Fica difícil a tarefa de falar sobre elas… Mas em uma tentativa de decifrá-la voltamos ao tempo… Em uma época bem distante da nossa…

Em algumas histórias da psicologia entendemos que os poetas, que eram os videntes, narravam os Mitos e possuíam uma autoridade sobre os demais, eles eram os “escolhidos dos deuses”, pois mostravam os acontecimentos passados através de revelações e sonhos e esses eram transmitidos aos ouvintes. Com o passar do tempo a Mitologia ficou insuficiente para os questionamentos da sua época, e lá pelo início do século VI antes de Cristo, nasce a Filosofia, que significa a “Amizade pelo Saber” e define uma forma característica de pensar o pensamento racional.

Um fato histórico narrativo em muitos textos da psicologia aponta que até o século XVII os filósofos estudavam a natureza humana mediante a especulação, a intuição e a generalização, baseados em suas experiências. Alguns dos fatos históricos que facilitaram o surgimento da Filosofia na Grécia foram às viagens marítimas, a invenção do calendário, a invenção da moeda, o surgimento da vida urbana, a invenção da escrita alfabética, a invenção da política, que introduziu três fatores decisivos: as leis, o surgimento de um espaço público, e a estimulação de um pensamento coletivo, onde as ideias eram transmitidas em forma de discurso público. (CHAUÍ, Marilena – Convite à Filosofia, 1994).

A partir de Aristóteles, onde a ciência ocidental teve força o suficiente para acreditar que o corpo de um homem é mais completo do que o da mulher na reprodução a mulher é passiva e recebe, enquanto o homem é ativo e semeia… A partir desse pensamento podemos perceber que durante séculos forçaram-se ao pensamento do feminino como o sexo frágil, limitado, extremamente submisso e indefeso. Se tentarmos entender todas as culturas do mundo, encontraremos na República dos Camarões, mulheres na adolescência, tem seus seios achatados, a ferro quente, para não despertar o olhar “maldoso” dos homens… E por outro lado quando entra a questão da sexualidade feminina, reprimem suas necessidades sexuais, quantas vezes associando fatos de seus desejos a possessões demoníacas?

Segundo Lacan: “Não é porque a mulher não se inscreve totalmente na ordem fálica, que não se inscreve de todo”, assim explica a especificidade da constituição subjetiva da mulher e a particularidade da sexualidade feminina.

Entretanto nos gregos, imagina a cena de um homem deixando sua esposa em casa e ele passa à tarde em companhia de mulheres que são filósofas profissionais. Era o que o grego fazia. Essas mulheres eram belas, mas de um saber impar e impressionavam os gregos por elas não se embriagarem, eles sabiam que quanto mais sábia fosse a mulher, eles poderiam procura-las para conversar sobre política, religião e amor por elas saberem todos os ramos do conhecimento, por outro lado, deixavam as suas mulheres em casa, assim como outros objetos da sua coleção.

Desses tempos históricos pulamos para o homem atual. Onde se percebe que algumas possibilidades de conquistas viram uma dicotomia, entre possuir uma mulher esposa em casa ou conversar com as outras que, o seduzem por sua oratória e inteligência. Perde um tempo com pensamentos distorcidos sobre a mulher que os levam a ruína em não poder estar ao lado de uma parceira, semelhante e com ideias até superiores a dele e por saber que a virtude vem do caráter do ser humano e não numa questão de gênero e ao escolher aquela que fica em casa em detrimento daquelas que não ficam que vão pra rua e traz o alimento, sofrem por ter que ser um sujeito perfeito e estabelecer no mundo uma autoimagem de perfeição como um Apolo distorcido pelo medo de perder uma pessoa para “outro” supostamente melhor do que ele, assim feridas somatiza e sem apoio emocional para poder continuar naquilo que lhe traz plenitude de amar e ser amado igualmente e livremente, se depara com o despertar das suas emoções corre atrás desse tempo perdido e tenta de diversas formas fazer diferente na existência que o levaria a um autodescoberta sobre si mesmo.

O poeta Vinícius de Moraes nos conta em para se viver um grande amor que “tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a grande amada, para viver um grande amor”!

As mulheres citadas acima são inteligentes, responsáveis, casadas ou não, são guerreiras, batalhadoras, mães, filhas e responsáveis, mulheres assim são raríssimas e são divinamente humanas. Levam com elas a mulher selvagem, com charme, sedução e beleza.

Jabor aponta o seguinte: “Você nunca precisa confessar seus pecados… elas sempre sabem… Ficam lindas quando usam batom vermelho e elas te dirão na cara se você for um idiota, caso esteja agindo como um!”

É uma pena que muitas mulheres não vejam assim… Se pudessem parar um pouco e pensar em todo o resultado de séculos, milênios, de lutas e sofrimento! Hoje vimos mulheres inteligentes lutando, sofrendo, morrendo e vencendo; ganhando espaço… Sem sombra de dúvida, haja tanta capacidade!

Para todas vocês mulheres onde ainda habita o fogo de algo que pulsa e é selvagem em seus olhos… E que pelos direitos humanos nenhuma instituição, civilização ou sociedade podem domar e por serem temidas são reprimidas e queimadas, amordaçadas nas malhas da censura, presas nas correntes da indiferença…

A todas vocês, que acreditam na sua luz e na natureza, uma missão de vida que, mais cedo ou mais tarde, teremos que cumprir que “ninguém nasce mulher, torna-se mulher”.

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Maria Fernanda Carvalho
Psicóloga Clínica. CRP: 05/49129 Ênfase: Existencialismo. Participou de seminários, congressos, apresentou projeto de cunho científico sobre a relação terapêutica e apresentou a clínica como obra de arte uma metáfora baseada nos temas da filosofia de Nietzsche, uma contribuição para a clínica.



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