O amor se transforma. Da paixão arrebatadora da juventude vem a calmaria do amor que se transforma em cumplicidade e companheirismo da velhice. Passar a maior parte da sua vida ao lado de alguém tem um peso muito maior do que qualquer frio na barriga poderia acreditar.

E a morte é a única certeza da vida. Não sabemos quando ela virá, apenas que um dia, sem mais nem menos, baterá à nossa porta e nos convidará para um último tango. A perda sempre dói, mas perder a pessoa com quem você dividiu sonhos, vitórias, derrotas e a rotina do dia a dia pode ser devastador.

Olhar nos olhos de quem, depois de 50, 60 anos, vai passar a viver sozinha novamente nos mostra um lado do amor que vai além de qualquer coisa que conhecemos. Nesse momento não há mais idealização, não há mais expectativas irreais, você conhece as virtudes e defeitos, sabe claramente o que irrita e o que emociona, mas prefere isso ao silêncio ensurdecedor que ficará na casa.

Passar algumas horas com quem não tem mais ao lado a pessoa que sempre esteve ali nos faz entender que amar é a única opção. Amar como se não houvesse amanhã. Amar como se sua vida dependesse disso. Amar com todo o seu corpo, coração e cérebro. Amar completamente defeitos e virtudes, amar por inteiro e sem medo.

A dor da perda é inevitável, mas ela deve ser muito mais branda quando você sabe que deu e recebeu todo amor que podia.

Imagem de capa: Shutterstock/Syda Productions

*O conteúdo do texto acima é de responsabilidade do autor e não necessariamente retrata a opinião da página e seus editores.


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Carol Patrocínio

Carol Patrocinio é jornalista, feminista, mãe que educa sem gênero e duas vezes (2015 e 2016) indicada como uma das mulheres inspiradoras pelo site Think Olga. É também co-fundadora da Comum.
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