O lixo é tudo aquilo que já não tem utilidade e é jogado fora. É qualquer material sólido originado em trabalhos domésticos e industriais, ou seja, o lixo é tudo aquilo que perdeu o valor e pode ser posto fora.

Este conceito também é válido para o lixo cultural, que é qualquer produto descartável no ponto de vista da cultura de massa. Significa consumir divertimento, lazer, costumes, hábitos, crenças e outras coisas, de forma efêmera e sem valor estético e artístico, que busca criar falsas necessidades nos consumidores.

Além disso, entra na esteira da indústria cultural a função de produzir em larga escala bens culturais, seguindo fórmulas que atendam ao “gosto médio” da população, para vender produtos de baixa qualidade artística, como sendo um estilo de vida de sucesso. A mídia cabe propagar esses produtos, que em pouco tempo serão substituídos por outros e esquecidos pela maioria das pessoas.

Tudo vira lixo. A música, o jeito de agir, falar, divertir, vestir e comer, ocorrendo uma padronização do modo de vida em nossa sociedade líquida. Ou seja: o que é oferecido como “cultura” para população, desprovida de educação e cidadania, são os restos da revolução tecnológica.

O sociólogo Zygmunt Bauman em seu livro Vidas Desperdiçadas fornece uma resposta sobre os efeitos desastrosos que parte da humanidade sofre devido ao progresso da modernidade. O lixo torna-se tema central, inclusive o lixo cultural. Toda essa sujidade vem sendo produzida numa dimensão que impacta o meio ambiente e a saúde dos habitantes das cidades.

Bauman se pergunta se há lugar para onde fugir? É difícil responder, pois o lixo cultural exibido na televisão, na internet e tocado nas rádios – impõe programas e músicas de péssimo nível ético e intelectual, – passando a ideia de que isso é natural e que, ao povo, resta a selva da competitividade a qualquer preço e aceitação dos padrões estéticos e morais dominantes.

Não tem como um professor, nas atuais condições, competir na capacidade de educar contra a cultura do lixo mediático, que deturpa os valores da juventude durante horas, naturalizando a falta de ética, o adultério, a violência, o desrespeito pelo próximo e a busca do sucesso a qualquer preço, como sendo coisas normais.

A produção do lixo cultural tem como técnica fazer a interface com o lixo emocional, dramatizando nos filmes, nas novelas e nas músicas o script das mágoas, das tristezas, dos medos, das brigas em família, das humilhações sofridas na escola, da falta de atenção dos pais, nas violências do cotidiano, etc. Memórias em dégradé do lixo emocional, que são coisificadas em nossa contemporaneidade.

A família, a escola, a igreja e outras instituições têm um papel fundamental na formação do senso crítico das nossas crianças, adolescentes e jovens, como forma de resistência a cultura do lixo. Assim, estaremos evitando a destruição do meio ambiente e adoecimento psíquico e social da população.

Imagem de capa: Shutterstock/Aleksandra Suzi

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Jackson César Buonocore
Jackson César Buonocore Sociólogo e Psicanalista

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