Tai chi chuan é destacada por Harvard como atividade física ideal para idosos

Em lista divulgada no início do ano pela Harvard Medical School, com as cinco melhores atividades físicas para todas as faixas etárias, uma em especial é destacada pela famosa universidade americana quando o assunto é benefícios para a terceira idade: o tai chi chuan. Considerada uma das mais importantes artes marciais chinesas, a prática incorpora movimentos lentos e relaxantes, que promovem uma maior percepção da respiração, da mente e do corpo. Não à toa, profissionais chamam o tai chi chuan de “meditação em movimento”.

— É uma arte que trabalha com o sentir, não com o reagir — explica o professor Sérgio Queiróz, que coordena a Escola de Artes Marciais Chinesas de Porto Alegre.

Por mesclar os exercícios do corpo com os da mente — e oferecer resultados surpreendentes aos praticantes — o tai chi chuan começou a despertar o interesse de estudiosos em diferentes áreas. Atualmente, um núcleo de pesquisa em Harvard se dedica exclusivamente a avaliar os benefícios da prática. Entre os resultados, concluiu que a prática ajuda a manter a densidade óssea, reduz dores decorrentes da artrite, promove a saúde do coração, reduz a hipertensão e, consequentemente, melhora a qualidade de vida.

Para o público de terceira idade, as vantagens são maiores ainda. De acordo com o médico do esporte Fábio S. Cardoso, dos exercícios de equilíbrio, o tai chi chuan provou ser o de maior sucesso na redução de quedas, que se tornam mais frequentes à medida que a idade avança. Além disso, sua prática é benéfica para dar força, resistência muscular e flexibilidade.

— Um treinamento de 12 meses em pessoas idosas provou que, tanto para homens quanto para mulheres, houve inúmeros benefícios físicos e psicológicos, como aumento da flexibilidade da coluna lombar e torácica, da força muscular das pernas, até redução da tensão, da depressão, da ansiedade e dos distúrbios de humor — diz.

Estilo de vida

Quem sentiu na pele — e na alma — os benefícios do tai chi chuan foi a aposentada Atelene Kämpf, 67 anos. Casada há mais de quatro décadas com Nestor Kämpf, de 69, ela começou a se interessar pela prática quando o marido sofreu um problema neurológico. A fisioterapeuta dele recomendou praticar a arte marcial para recuperar a movimentação do corpo. Atelene, sem pensar duas vezes, decidiu ir junto.

— Resolvemos começar a praticar, já que devido a uma cirurgia malsucedida na perna, eu também tinha problemas para manter o equilíbrio quando caminhava — relembra a aposentada.

Onze anos depois de começar a praticar a arte marcial com o professor Sérgio Queiróz, o casal comemora não só as melhoras físicas, mas, principalmente, as emocionais:

— Muito mais do que ser apenas acompanhante de meu marido, deixei a prática se tornar parte da minha vida. Reconquistei também meu equilíbrio e aprendi que o tai chi chuan não é somente um exercício, mas, também, um estilo de vida, uma maneira de viver. Ele extrapola as quatro paredes da sala de aula.

Satisfeito também com os resultados, Nestor destaca as mudanças internas que a prática trouxe para seu dia a dia:

— Durante nossa vida, nos acostumamos a estar longe de onde nosso corpo está. Aqui, aprendemos a viver o momento, a estar sempre onde o nosso corpo está.

Além de fazer aulas três vezes por semana na escola, eles realizam exercícios diariamente em casa. Garantem: para que os resultados sejam plenos, é preciso levar o tai chi chuan sempre consigo. Seja na aula, em casa ou no trabalho.

Sem impacto

De todas as artes terapêuticas, físicas e mentais, o tai chi chuan é a mais suave e fácil de ser aprendida. Seu poder de rejuvenescimento — o que foi indicado em diversos estudos — é explicado, pois a prática pode baixar a pressão sanguínea, irrigar as juntas, estimular a circulação e fortalecer o sistema imunológico. Além dos benefícios físicos, o tai chi é recomendado para aqueles que precisam desestressar, relaxar e conhecer melhor o seu corpo.

Conforme a professora da prática Malu Darcie, da Sociedade Brasileira de Tai Chi Chuan (SBTCC), a atividade ajuda a fortalecer a ideia de que corpo e alma são uma coisa só:

— Em algum momento o praticante percebe que nada é separado, o conjunto corpo e mente. Vê melhora no vigor e em suas condições físicas (equilíbrio, coordenação, alívio de dores, articulações fortalecidas), percebe sua mente bem mais calma (principalmente em momentos de crise), recupera a confiança numa escala de valores éticos elevados.

Para chegar a esse estado, as práticas são muito focadas em movimentos lentos e dinâmicos, que contam histórias e imitam animais. Cada passo é realizado sem esquecer a respiração e com o objetivo de fazer a “energia vital” fluir e equilibrar a mente. De acordo com o estudo publicado pela escola de medicina de Harvard, além do tai chi, outras quatro atividades podem ser incorporadas ao cotidiano para ficar em forma e diminuir o risco de doenças, independentemente do nível de atividade física ou idade: natação, musculação, caminhada e Kegel (exercícios de fortalecimento do músculo da pélvico).

Benefícios

— Melhoria da força, do condicionamento, da coordenação e da flexibilidade
— Melhoria da postura
— Redução da dor e da rigidez nas articulações
— Melhoria no equilíbrio e menor risco de quedas
— Sono melhorado
— Maiores consciência, calma e sensação geral de bem-estar

Longe das doenças

Quando combinado com tratamentos médicos, o tai chi chuan ajuda no tratamento de diversas enfermidades

ARTRITE: em um estudo realizado com 40 pessoas pela universidade americana Tufts, uma hora de tai chi duas vezes por semana por um período de três meses melhorou as dores, o humor e a condição física de pessoas com artrite severa no joelho. Outro estudo coreano diz que 16 semanas de prática melhoraram significantemente a flexibilidade e diminuiu o avanço da doença.

OSTEOPOROSE: estudiosos de Harvard indicaram em uma pesquisa que a prática é um seguro e efetivo meio para manter a densidade óssea em mulheres na menopausa.

CÂNCER DE MAMA: o tai chi mostrou-se eficaz para melhorar a qualidade de vida e a capacidade física em mulheres que sofrem de câncer de mama e enfrentam efeitos colaterais do tratamento. Um estudo da Universidade de Rochester constatou que a qualidade de vida, a capacidade aeróbica, a força muscular e a flexibilidade das mulheres com câncer de mama melhoraram naquelas que fizeram 12 semanas de tai chi, enquanto as que não fizeram tiveram essas habilidades pioradas.

DOENÇA CARDÍACA: relatório da Universidade Nacional de Taiwan aponta que um ano de tai chi ampliou a capacidade física, diminuiu a pressão sanguínea e melhorou os níveis de colesterol, triglicerídios e insulina nas pessoas com alto risco de doenças cardíacas. O estudo, publicado no Jornal de Medicina Alternativa, não observou as mesmas melhorias no grupo que não praticou o tai chi.

DOENÇAS RESPIRATÓRIAS: um estudo colaborativo entre o Instituto de Pesquisa de Medicina Tradicional Chinesa da Faculdade de Tainjin e o Hospital de Cirurgia de Tórax de Tianjin analisou pacientes que sofriam de bronquite crônica, asma e enfisema pulmonar. Um grupo praticou tai chi chuan e o outro foi tratado apenas com remédios. O grupo que fez as práticas teve uma melhora mais rápida em relação ao outro.

HIPERTENSÃO: em uma revisão de 26 estudos publicada no Preventive Cardiology, o médico americano Yeh relatou que em 85% dos casos o tai chi reduziu a pressão arterial.

INSÔNIA: estudo com 112 idosos saudáveis na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, com queixas de insônia moderada, mostrou que, em 16 semanas de tai chi, houve melhora significativa da qualidade e da duração do sono.

AVC: pacientes que sofreram um AVC e foram submetidos a 12 semanas de tai chi tiveram melhora mais significativa no equilíbrio comparado a grupo submetido a um programa geral de exercícios de respiração e alongamento.

FIBROMIALGIA: a Universidade de Medicina de Maryland publicou um estudo com pessoas que sofriam de fibromialgia, submetendo-as a sessões de um programa de tai chi. Os pacientes tiveram uma melhora significativa no estado de saúde.

Fonte: health.harvard.edu

Texto original em ZH Vida e Estilo

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