Tristeza ou depressão?

O sujeito diante às suas vivencias humanas expressa o seu humor, emoções, sentimentos, afetos e paixões. Essas expressões demonstram como lidamos com essas vivências humanas, dá sentido à nossa existência e por isso são tão importantes para a vida psíquica.

A vida afetiva ocorre sempre em um contexto de relações do Eu com o mundo e com as pessoas, variando de um momento para o outro à medida que os eventos e as circunstâncias da vida se sucedem. (DALGALARRONDO, 2008, p. 159)

Quando falamos que uma pessoa está com sentimento de tristeza podemos perceber que a mesma apresenta-se com insatisfação ou infeliz com algum acontecimento ou desanimado e desesperançoso frente a algum fato. A tristeza está posta por que existe um fator (motivo) que a delimita, é intensa e menos reativa a estímulos passageiros.

Pode-se exemplificar quando a pessoa está elaborando o luto sem complicação pela perda de um ente querido. Esta se apresenta triste, mas com perspectivas existenciais, ou seja, sabe que a morte faz parte da vida e que a tristeza irá passar, chegando à aceitação da situação.

Estar triste diante um fator específico é saudável, é uma sinalização de que algo não vai bem.

Viver e ressignificar a situação que produziu a tristeza é importante, pois diante disso, haverá a mobilização de recursos afetivos, cognitivos e comportamentais para sair da mesma. Já a depressão é considerada pela OMS como um problema prioritário de saúde pública e existem diversas subformas de manifestação desta. Alguns sinais e sintomas da depressão são:

 Ambivalência afetiva (reações do indivíduo frente a eventos e vínculos são absolutamente dúbia, comportamentos literalmente opostos são manifestos ao mesmo tempo, como rir e chorar);

 Amorfismo afetivo (caracterizado pela incapacidade de modular as emoções e qualificá- las);

 Culpa exacerbada;

 Isolamento;

 Ideias autodestrutivas;

 Insônia;

 Prostração;

 Agitação psicomotora;

 Perturbações do apetite;

 Não percepção dos motivos que geram esse estado (com eleição de “bodes expiatórios”

que se alternam rapidamente;

 Profundo estreitamento das perspectivas existenciais;

 Persistência dos sintomas descritos acima por mais de duas semanas.

Na depressão, a tristeza e o desânimo são claramente diferentes do habitual, o sujeito não acha graça em nada, perde o interesse ou o prazer pelas coisas, não há sentido na existência.

Diante as diversas subformas de apresentação da depressão é importante fazer o diagnóstico diferencial, para a definição adequada da melhor terapêutica a ser adotada.

Ser forte não é não chorar e não ter medo, ser forte é enfrentar.

Obras consultadas:

Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Paulo Dalgalarrondo.2008.

Capítulo do livro E a psicologia entrou no hospital – Roteiro de avaliação psicológica aplicada ao hospital geral.

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Vanessa de Almeida
É psicóloga clínica, pós-graduada em Psicologia Hospitalar. Atua em consultório em BH com psicoterapia individual de adultos e adolescentes, bem como com Orientação Profissional. CRP 04/42019



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