Vampiros emocionais

Segundo a mitologia, vampiros eram criaturas que vagavam pela noite alimentando-se do sangue de pessoas. Eram representados por corpos exuberantes e sensuais que não podiam ser vistos refletidos no espelho, pois apesar da forma vigorosa, eram vazios de essência e não possuíam alma. Assim necessitavam de sangue para existir, que é a força vital do ser humano para sobreviver.

O termo vampiro, introduzido do alemão “vampir”, provavelmente se origina do polonês “upire”, que significa sanguessuga. O vampiro, ao sugar o sangue de suas vítimas, não extrai apenas a vida biológica, mas também a vida espiritual e psíquica. Se transformam em verdadeiros “zumbis” que passam a vagar pelo mundo buscando, em vão, preencher o seu vazio existencial.

O mito do vampiro se faz presente nos dias de hoje através dos vampirismo emocional, que são relações sociais doentias, em que os vampiros emocionais vivem às custas da energia de suas vítimas, ou seja, são criaturas que sugam energia das pessoas no decorrer do dia com lamentações, murmúrios, pressões, exigências, queixas, etc, deixando os indivíduos cansados e sem força.

O psicólogo americano Albert Bernstein definiu no seu livro Vampiros Emocionais, os tipos comuns de parasitas da alma, que sugam a energia emocional dos outros. E também usamos o conceito de vampiro psíquico para designar indivíduos, que através de suas influências negativas deixam as pessoas com uma sensação de exaustão mental e física.

Os vampiros emocionais estão em toda parte, disfarçados de gente comum, não se erguem de túmulos à noite, como criaturas das trevas, não há nada de sobrenatural neles. São gente inescrupulosa e de personalidade ególatra, que vive para explorar a boa-fé dos desavisados em benefício próprio.

Normalmente são indivíduos inteligentes e encantadores à primeira vista, mas entram na vida de algumas pessoas e se retiram da mesma forma pela qual entraram, deixando um rastro de prejuízos e lágrimas. Essa metáfora é usada pela psicologia e psicanálise para retratar gente com distúrbios de personalidade, que tem o poder de hipnotizar com falsas promessas até as pessoas sucumbirem aos seus encantos.

Os vampiros emocionais também estão no Congresso Nacional, onde se envolvem em politicagem, intrigas e trapaças, que não sobra tempo para trabalhar, drenando a energia do País. Sendo que são pessoas tóxicas, que desconhecem seus limites e as lágrimas de crocodilo fazem parte da sua retórica, pois são criaturas nocivas que precisam ser barradas.

É nesse momento que os vampiros emocionais atingem o seu patamar perverso, revigorando mais os laços de servidão, fazendo com que as pessoas se transmutem em corpos e mentes fatigados, sem que elas tenham a coragem para romper o vínculo, por acreditarem que são incapazes de viver sem o seu “parasita da alma favorito”.

A melhor proteção contra esses vampiros contemporâneos não estão nas orações, na água benta, no alho, no crucifixo e na lança, mas reconhecê-los antes que utilizem a sua sedução e estratégias. Segure o coração e esconda a carteira até averiguar os antecedentes, visto que os vampiros emocionais fizeram no passado é o melhor prenúncio do que farão no futuro, que é sugar a energia das pessoas.

Portanto, para não se deixar seduzir pelos atrativos dos vampiros emocionais, é importante descobrir suas intenções, prestando atenção às suas ações e suas palavras. As possíveis vítimas de posse desse diagnóstico serão capazes de bloquear da vida virtual e real esses parasitas da alma.

 

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Jackson César Buonocore
Jackson César Buonocore Sociólogo e Psicanalista



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