Apesar dos sintomas serem muito parecidos, no primeiro, estamos falando de uma doença mental, na qual se agrupa dentro dos transtornos ansiosos, sendo que pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos se dão na forma de rituais como lavar as mãos várias vezes com medo da contaminação; ou não, pois os comportamentos compulsivos podem não estar nítidos e podem parecer não ter associação com os pensamentos, que também podem aparecer sozinhos, sem a presença de rituais.

Alguns pensamentos comuns nas pessoas com TOC é pensarem se não fizerem tal coisa, uma pessoa querida irá morrer, conferir várias vezes se a fechadura está trancada antes de sair, não conseguir fazer algo se não está do jeito que gostariam, mas também podem ser comportamentos frequentes sem tantas repetições momentâneas, como uma pessoa pensar o tempo todo que está muito feia e com isso passar a comprar mais produtos de beleza.

Lembrando que esses pensamentos são muito fortes, prejudicando o funcionamento e bem-estar do indivíduo de forma a levar um intenso sofrimento e ansiedade, a pessoa deixa de viver de forma natural, dedicando a maior parte do seu tempo a esses rituais, mostra-se pouco receptiva e interessada nos de mais, etc. Essa intensidade também pode variar de pessoa a pessoa.

Para análise do comportamento, os comportamentos obsessivos são uma forma da pessoa se livrar (fuga/esquiva) dos pensamentos (ansiedade); porém esse ritual gera um ciclo vicioso, já que esses comportamentos não são funcionais e por fim, o indivíduo se sente culpado, angustiado. É muito importante o uso de medicação, como antidepressivos clomipramina, anafranil, sertralina, etc.


Agora transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva não é uma doença, se enquadra dentro dos transtornos de personalidade, e diferente do TOC, não há a presença de rituais. Essas pessoas são extremamente perfeccionistas, quando as coisas não acontecem do jeito que querem, se sentem irritadas, não conseguem lidar com mudanças na rotina, são muito organizadas, metódicas, cheias de regras, inflexíveis, sendo difícil conviver com outras pessoas e nunca conseguem relaxar. Às vezes, a exigência de perfeição é tanta, que não conseguem terminar o que planejaram.


Pode ser que a pessoa tenha os dois transtornos juntos, mas na maioria das vezes, o de personalidade evolui para o TOC. Nos dois casos, a terapia comportamental é muito importante para entender como funciona esse mecanismo, utiliza-se da técnica de prevenção de respostas e dessensibilização sistemática e modelagem (formação) de novos comportamentos funcionais.

Imagem de capa: Shutterstock/file404

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Amanda Sabatin Nunes da Silva
Psicóloga formada pela Puc-Campinas e em terapia por contingências de reforçamento (TCR) pelo Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento (ITCR), aonde curso especialização. Procuro sempre me aperfeiçoar nas áreas de interesse, estando por dentro das novidades da análise do comportamento no contexto da clínica, psicologia hospitalar, orientação vocacional, psicologia escolar. Fiz aprimoramento em ABA para autistas e além de atuar no contexto da clínica, faço treinamento em serviço na UNICAMP, aonde atendo muitos casos de transtornos mentais. Sempre me interessei muito por textos que abordam assuntos psicológicos, sentimentos, personalidade, relacionamentos e sempre gostei muito de escrever temas psicológicos e acredito que escrevendo também se aprende, por isso tento criar novos conteúdos em relação ao que aprendo e compartilhar conhecimentos. Sou bastante curiosa, proativa, organizada e determinada. Espero ser uma forma de crescimento e que os conteúdos possam ajudar a todos.

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