Zen-Budismo e o Bem-Estar no Mundo Contemporâneo

Ando muito estressado. Dizem que eu ando muito estressado. Eu li por aí que ando muito estressado. Ao mesmo tempo, o único sinal de estresse que eu sinto é viver nesse mundo por sí só. Este mundo é ansiogênico, este mundo já não é mais o mesmo, as músicas de hoje em dia não são e blablablabla. Aquela história.

Nada disso. Este discurso é horrível, você e eu não vivemos há 60,120 ou 180 anos, bom, se você está lendo isso e não tem mais de 70 certamente não viveu para se lembrar tão bem. O mundo é o mesmo, as pessoas são as mesmas e os problemas são sempre os mesmos: As pessoas. O que fazer então ? Bom, não sei pra te dizer agora, mas essa solução está a procura a mais de 2600 anos.

O Ocidente
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Temos então algumas formas de pensar sobre o mundo e as coisas, algo que o homem ocidental faz muito. Pensar. A diferença entre o homem Oriental e o Ocidental parece ser justamente a forma de pensar, não o pensar em sí, afinal, somos todos humanos. Algo dita a vida ocidental, algo além do próprio sujeito. Algo vem de fora, e é bom que venha de fora, pois seguir regras e normas é muito mais fácil do que pensar no seu próprio estilo de vida. Já vem pronto, feito um miojo. O capitalismo é assim, feito um miojo, você compra, consome e já vem pronto. Passa a vontade, elimina o desejo e, em seguida, insere-se outro. Ninguém come só um miojo, certo ? Eu pelo menos acho que isso não nutre. Ah, e provavelmente, você vai se dar mal depois. Igual o Capitalismo, tá vendo ?

O Oriente

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Enquanto escrevia este subtitulo tive um insight. Oriente, vem de orientar. Oriente, do latim, que se levanta. Verbo que significa tomar rumo, do príncipio, se orientar, é se ajeitar. Engraçado que, agora, ao pensar no Ocidente, não quer dizer muito mais coisa, não existe o verbo ocidentar, tampouco tem algum signifcado além do Sol se por, deixar de ter luz. De todas as formas, façam suas abstrações.
O oriente, por outro lado (ba-dum-ts) pensa de outra forma. O pensamento é interessante de que venha de dentro, afinal, ele vai vir da onde ? só da pra saber o que se pensa pelo sujeito que se pensou, a não ser que ele verbalize, gesticule ou mande um whatsapp, o que é outro assunto. Para uma das maiores filosofias orientais, o Zen-Budismo, a resposta para essa tal ansiedade cotidiana, mal-estar moderno, vem de dentro, não de fora. E isso não é nem um pouco transferível para o próximo. Um mestre zen nunca poderá lhe dar iluminação, apenas uma surra.

O Zen-Budismo

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Um discípulo perguntou a um mestre-zen sobre como chegar a iluminação. O mestre pergunta:
– O som de bater palmas é feito com duas mãos. Qual o som de uma palma só ?Embora o leitor possa achar muito interessante e até achar possível responder tal pergunta, eu duvido. Pois então lhe proporciono outra pergunta:

Se não-se pode responder uma pergunta com sim nem com não, como se responde ?Chega de aforismas, tais perguntas servem apenas para situar o leitor na imensidão que é se perder no seu pensamento. Por isso, O zen-budismo sugere que : Não se pense. É sabido que o pensamento causa ansiedade, inclusive, pensar geralmente é atrelado ao futuro ou ao passado, e todos sabemos que, não existe futuro e o passado já se foi.

O passado já se foi, o presente está indo, e o futuro nunca vai.
Um grande psicólogo, Fritz Perls, nomeia essa perspectiva de tentar viver no futuro como um ensaio. Ensaiar uma peça. O problema é, a vida não é uma peça. E mesmo numa peça, há enormes quantidades de improvisação, pergunte a um ator.

Não pensando, se exercita algo que o Zen chama de Aqui-e-Agora, de estar presente no lugar e no momento. De um determinado local e no presente. O presente é a unica coisa que significa o passado e lança um para o futúro. Não devaneie, o leitor, se isso está-lhe sugerindo que não faça planos ou metas, muito pelo contrário, faça os no presente, e os viva.

A melancolia é a vida no passado, a neurose obsessiva é o controle do futúro e das coisas, que desculpe-me, nunca vai acontecer. Tamanha tentativa de adequar a vida a uma lógica apenas fará você ligar e desligar o interruptor 35 vezes, para ter certeza que o fogão não ira explodir (?).

Que tal viver aqui e agora ?

Referências

Perls, F. (1969).  Escarafunchando Fritz 
Suzuki, D. T. (1934). An introduction to Zen Budhism. Eastern Budhist Society

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Julio Cezar A. Melo
É produtor de Arte e pesquisador das relações sociais humanas e suas problemáticas. Graduando em Psicologia, acredita que o modo de ser crítico e autêntico é fundamental para a melhoria da vida em sociedade e na auto-realização. Ao longo tempo e experiências, se especializou em artes visuais e música, assim, pode expor suas idéias das mais variadas formas, como o desenho, música e escrita, acessando os mais diversos públicos.



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