DESTAQUES PSICOLOGIAS DO BRASIL

5 perguntas que as avós não devem fazer aos seus netos, segundo a psicologia

É comum que adultos façam perguntas a crianças para demonstrar interesse ou apenas puxar assunto. Mas, segundo psicólogos, algumas dessas perguntas — mesmo as mais aparentemente inofensivas — podem gerar ansiedade, afetar a autoestima e até interferir na formação da identidade infantil.

Avós, tios e até os próprios pais, com boas intenções, às vezes não percebem que certos questionamentos plantam sementes de insegurança. E não, isso não significa que sejam maus cuidadores. Mas reconhecer o impacto de determinadas perguntas pode evitar danos emocionais a longo prazo.

1. “Você tem namorado(a)?”

Pode parecer brincadeira ou curiosidade, mas essa pergunta carrega armadilhas. De acordo com os psicólogos Mireia Orgilés e José Pedro Espada, esse tipo de questionamento pode moldar negativamente a forma como as crianças veem seus vínculos sociais, além de reforçar uma ideia heteronormativa precoce e limitadora. A criança pode passar a pensar que amizade entre meninos e meninas é incomum ou errada — e que precisa “gostar de alguém” no sentido romântico para atender às expectativas dos adultos.

2. “Por que você é tão tímido?”

A timidez, segundo o psicólogo infantil Juan Pedro Valencia, é um traço comum e muitas vezes passageiro. Ao chamar a atenção da criança para isso, o adulto pode transformá-la em um problema inexistente, gerando insegurança e travando o desenvolvimento da autoconfiança. Rótulos impostos cedo demais são difíceis de desconstruir depois.

3. “Você não é velho demais para isso?”

Questionar os gostos e comportamentos infantis com base em “faixa etária” pode ser prejudicial. Joe Vaccaro explicou à revista Parade que isso pode provocar vergonha e fazer a criança sentir que precisa crescer antes da hora. Se uma criança gosta de determinado brinquedo ou ainda busca o colo dos pais, isso faz parte do seu tempo — e não deve ser motivo de julgamento.

4. “Por que você não pode ser como seu irmão/sua irmã?”

Mais de 400 anos depois de Dom Quixote já ter alertado sobre os males das comparações, seguimos errando. Comparar crianças, mesmo com boas intenções, pode enfraquecer o senso de valor individual e provocar ressentimento. A psicóloga Mariana Martínez alerta: a criança pode passar a se sentir menos amada, incapaz e insegura. Em vez de incentivar a competição, o ideal é estimular a colaboração e valorizar a individualidade de cada um.

5. “O que você quer ser quando crescer?”

É uma pergunta clássica e, à primeira vista, inofensiva. Mas dependendo da idade ou do tom, ela pode pressionar a criança a se definir antes da hora. A psicóloga Tristana Suárez afirma que algumas crianças interpretam essa pergunta como um ultimato: “decida-se logo”. Quando ainda não têm uma resposta, podem se sentir perdidas ou inadequadas.

Uma mudança de postura

Mais do que vigiar cada palavra, o importante é estar atento ao impacto do que se diz. A infância é uma fase de descobertas — e também de vulnerabilidades. Respeitar o tempo, as preferências e o silêncio das crianças é um passo fundamental para ajudá-las a crescer com segurança emocional.

Na dúvida, ao invés de perguntar “Você tem namorado(a)?”, que tal “Com quem você gosta de brincar na escola?” Ou, no lugar de “O que você quer ser quando crescer?”, tentar: “O que você gostou mais de fazer essa semana?” O interesse permanece, mas sem pressão ou cobranças. Afinal, escutar também é uma forma de amar.

Psicologias do Brasil

Informações e dicas sobre Psicologia nos seus vários campos de atuação.

Recent Posts

O acúmulo invisível: como microtraumas cotidianos podem comprometer sua saúde emocional

Pequenas experiências do dia a dia podem se acumular e gerar sofrimento emocional. Entenda o…

6 horas ago

Divulga Mais Brasil esclarece: empresa de Ribeirão Preto não tem ligação com a Guia Divulga Mais Brasil

A Divulga Mais Brasil, empresa sediada em Ribeirão Preto (SP), esclarece ao público, a parceiros…

1 dia ago

Não é apenas mau-caratismo: Se alguém ao seu redor mente o tempo todo, ela pode sofrer deste transtorno mental específico

Mentir de vez em quando, por medo, vergonha ou para escapar de um constrangimento, está…

1 semana ago

Se ele usa qualquer uma dessas 5 frases na discussão, o problema pode ser mais sério do que você pensa

Nem sempre o problema aparece como algo evidente. Em muitos relacionamentos, o desgaste começa em…

1 semana ago

Por que algumas avós paternas perdem o contato com os netos?

Em muitas casas, esse afastamento não começa com uma briga aberta, nem com uma cena…

1 semana ago

Você pode estar perdoando isso sem perceber: 5 atitudes de filhos adultos que Freud criticava

Essas 5 atitudes de filhos adultos parecem “normais”, mas Freud explicava por que elas machucam…

2 semanas ago