Setenta anos morando na mesma história é coisa rara — e, no caso de Eunice Albertina Kämpferd (85) e Emílio Carlos Kämpferd (89), não virou rotina automática.
O casal segue tratando o dia a dia como um acordo renovado: carinho prático, conversa antes do sono e um gesto que atravessou décadas sem perder o sentido — dormir de mãos dadas.
Parece simples, mas, para eles, funciona como um “lembrete silencioso” de que ninguém ali está sozinho.
Eunice e Emílio vivem em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, e comemoraram as Bodas de Vinho no sábado (3), durante um almoço em família realizado em Coronel Vivida (PR).
O encontro reuniu gerações que nasceram depois do “sim” deles — e, mesmo assim, ainda ouviram dos dois a mesma ideia: casamento, para durar, precisa de intenção no cotidiano.
A união começou cedo: ele com 19 anos, ela com 15. Vieram mudanças de fase, responsabilidades, preocupações e a passagem do tempo, com o amor ganhando outra cara — menos ansiedade, mais parceria, mais cuidado.
Em vez de romantizar a vida, os dois descrevem o que fizeram de verdade: seguiram juntos quando era bom e quando era apertado.
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O plano de “construir casa cheia” saiu do papel com cinco filhos: Sandra B. Palma, Mara T. Cozzer, José Carlos Kämpferd, Solange K. Trindade e Vera Lúcia Kämpferd. Eles fazem questão de dizer que os filhos “estão bem encaminhados”, destacando formação e valores como parte do legado.
Com o tempo, a mesa aumentou: são 15 netos (um já falecido) e 24 bisnetos, além de mais um a caminho. Hoje, os filhos se organizam para cuidar dos pais, e o casal mora na casa de um deles, num esquema de revezamento que mantém a rotina assistida sem perder a convivência familiar.
Ao lembrar da própria caminhada, Eunice resume sem floreio: quando existe amor de verdade, o esforço faz sentido — e ela fala disso com a tranquilidade de quem viveu o que diz.
Como acontece com muita gente, os anos também trouxeram sustos financeiros. Emílio trabalhava com oficina mecânica e, numa virada de ano marcada por crise econômica, o movimento sumiu.
A preocupação era direta: como fazer uma ceia melhor e garantir brinquedos para as crianças?
Eles contam que recorreram à fé e seguiram insistindo. Perto do fim do prazo, apareceu um cliente e o serviço entrou — o suficiente para salvar aquele Natal.
A lembrança ficou não como “milagre de cinema”, mas como prova de que, nos piores dias, eles não viraram adversários dentro de casa.
Quando falam de alegria, Eunice e Emílio puxam o assunto para os filhos: quatro meninas e um menino.
O que marcou não foi só o nascimento em si, mas tudo o que veio junto — criação, preocupação, casa cheia, correria, noites curtas e uma sensação de propósito que moldou o casal.
Eunice também reconhece o que recebe hoje: cuidado. Ela diz que se sente bem tratada e feliz por ter transmitido caráter e respeito aos filhos, e fala disso com orgulho de mãe — sem transformar em discurso, só relatando o que vive.
Com o passar dos anos, a paixão acelerada do começo foi trocando de lugar com um sentimento mais calmo e firme.
Eunice conta um detalhe que diz muito sobre essa troca: quando Emílio trabalhava até tarde e levantava cedo para a oficina, era ela quem levava café na cama. Depois que ele se aposentou, a gentileza virou “mão dupla” — ele passou a levar café para agradá-la.
Esse café matinal virou símbolo, mas não é o único. Eles seguem dormindo de mãos dadas, e Eunice fala disso com naturalidade, como quem descreve um costume da casa.
Outro combinado é encerrar o dia com afeto: não deitar brigados e não deixar o “eu te amo” faltar — não como frase decorativa, mas como parte do clima do lar.
Para os dois, colocar Deus no centro é parte do que dá direção ao relacionamento. Eles citam a passagem bíblica do “cordão de três dobras” (Eclesiastes 4:12) para explicar a ideia de união sustentada por algo maior que o impulso do momento.
Na prática, o que aparece junto é paciência: saber ceder, suportar e também ser suporte. Eunice insiste num ponto que, para eles, separa crise de ruptura: perdão.
Segundo o casal, muita separação nasce quando ninguém quer dar o primeiro passo para consertar — e por isso eles defendem conversa, reconciliação e o hábito de não fechar o dia em guerra.
Além do casamento longevo, Eunice chamou atenção recentemente por outro motivo: ela viralizou ao mostrar que joga videogame como parte da rotina.
A ideia, para ela, é manter a mente ativa, exercitar memória e se divertir — um jeito bem dela de provar que envelhecer não precisa significar parar de aprender ou perder autonomia.
Quando pedem conselho, Eunice e Emílio não fazem lista enorme: fé, diálogo, perdão e carinho declarado.
Eles reforçam que “Deus em primeiro lugar” orienta o resto e que o relacionamento melhora quando um escolhe ser porto seguro do outro.
E repetem a regra que seguem até hoje: não dormir brigado — e não apagar a luz sem dizer “eu te amo”.
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