saúde

Menos cortes, menos cicatriz: Nova tecnologia cria implante injetável para reconstrução das mamas após mastectomia

Quando a cirurgia entra no tratamento do câncer de mama, a conversa muda de assunto bem rápido: além de tirar o tumor com segurança, vem a dúvida sobre como lidar com o “vazio” que pode ficar depois.

No Brasil, isso pesa bastante porque o câncer de mama lidera entre os diagnósticos de câncer em mulheres — responde por cerca de 30,1% dos casos novos nesse grupo, segundo estimativas do INCA.

Do lado das políticas públicas, teve um passo importante no fim de 2025: desde 24 de novembro de 2025, pacientes que passaram por mastectomia passaram a ter direito à assistência fisioterapêutica no cuidado oncológico, com foco em reabilitação e prevenção de complicações, além do direito à reconstrução quando indicada.

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Enquanto isso, um estudo publicado em dezembro na ACS Applied Bio Materials descreveu um protótipo que tenta resolver um problema bem prático: preencher defeitos deixados após cirurgias conservadoras da mama quando as técnicas clássicas de “remanejar” o tecido não dão conta.

A proposta é uma pasta injetável feita a partir de matriz dérmica acelular (ADM), um biomaterial derivado de pele que passa por processamento para retirar células e reduzir risco de rejeição, preservando a estrutura que serve de “andaime” para o tecido se reorganizar.

Hoje, quando a paciente quer restaurar volume, as opções mais usadas costumam cair em três caminhos: reorganizar o que sobrou da própria mama (quando dá), usar tecido de outra parte do corpo (retalhos/“flaps”, que exigem uma cirurgia maior e deixam cicatriz também no local doador) ou recorrer a materiais/implantes para ocupar espaço.

O problema é que cada alternativa traz um combo próprio de tempo de cirurgia, marcas no corpo, risco de complicações e recuperação.

A sacada do grupo liderado por pesquisadores ligados à Universidade Nacional de Seul foi transformar a ADM em algo que dá para aplicar com seringa.

No artigo, eles descrevem a SC Fill paste, produzida com um processo que inclui descelularização com CO₂ supercrítico, além de etapas para reduzir o material a micropartículas e criar uma pasta que se adapta ao formato do defeito cirúrgico.

Nos testes em laboratório e em modelo animal, o material mostrou sinais de “conversa boa” com o organismo: baixa resposta inflamatória (associada a baixo conteúdo de DNA e ausência de proteínas como MHC-I), entrada de fibroblastos, formação de novos vasos e menor tendência a contratura capsular quando comparado com opções comerciais usadas como controle.

Os autores também observaram marcadores compatíveis com remodelação do tecido ao longo de seis meses, sugerindo estabilidade mais duradoura do preenchimento.

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Fonte: PubMed

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Gabriel Pietro

Redator com mais de uma década de experiência.

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