Tem filmes que não precisam gritar para esmagar seu emocional. Pieces of a Woman, disponível na Netflix, começa sem firulas: uma jovem grávida se prepara para o parto em casa, acompanhada do marido e de uma parteira substituta.
Tudo parece comum, quase monótono — e talvez por isso mesmo seja tão devastador quando a história muda de direção.
O filme é dirigido por Kornél Mundruczó, com produção de Martin Scorsese, e se apoia quase totalmente na atuação absurda de Vanessa Kirby, que vive Martha, a protagonista.
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Nos primeiros 30 minutos, acontece uma sequência praticamente sem cortes, que mostra o parto em tempo real. A tensão cresce em silêncio, sem trilha sonora, sem alívio, até o momento final — que marca o espectador e os personagens de uma vez só.
O que vem depois não é menos incômodo: a narrativa segue os efeitos do luto sobre o casal, agora silencioso e rachado, em meio a uma família que tenta reagir do pior jeito possível.
Martha tenta seguir com sua vida enquanto o mundo inteiro parece exigir reações que ela não consegue entregar. E é justamente aí que o filme aperta o peito de quem assiste: ele não dramatiza em excesso, não oferece catarse fácil — só mostra, com desconforto calculado, o que acontece quando o tempo não cura tudo.
Vanessa Kirby entrega uma performance contida, mas brutal. Cada microexpressão, cada silêncio longo e cada olhar vazio revelam mais do que páginas de roteiro.
A personagem passa por tribunais, jantares constrangedores, visitas ao cemitério e uma série de situações que poderiam escalar em drama exagerado, mas não escalam — o que torna tudo ainda mais pesado.
Shia LaBeouf faz o papel do parceiro em ruína emocional, mas o foco está todo em Martha. E sim, o final vem sem aviso. Quando chega a última sequência (não, não vamos dar spoiler), você percebe que passou os últimos 90 minutos sem respirar direito — e talvez nem tenha notado.
Pieces of a Woman não é para quem busca reviravolta ou grandes discursos. É um filme sobre vazios, silêncios, fracassos e reconstrução em ritmo lento. E é justamente por isso que funciona tanto e deixa o emocional em ruínas discretas.
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