Tem gente que curte ganhar parabéns, sair pra comer, fazer foto e receber um monte de mensagem. E tem gente que, quando o aniversário chega, prefere ficar quieta, trabalhar normal, não comentar com ninguém — às vezes até fica irritada se alguém insiste.
Isso não torna a pessoa “estranha” nem “fria”. Na psicologia, essa postura costuma aparecer como um jeito particular de lidar com tempo, expectativas e com a própria história.
Um dos motivos mais comuns é o aniversário funcionar como um “balanço involuntário”. A data pode acionar comparações do tipo: “era pra eu estar onde?”, “o que eu resolvi mesmo?”, “o que ficou pra trás?”.
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Pra algumas pessoas, essa conta vem junto de cobrança interna, sensação de atraso ou de que certos planos não saíram do jeito imaginado. Não é o número em si que pesa; é o que a pessoa passa a exigir dela mesma quando percebe que mais um ano passou.
Também tem o fator exposição. Aniversário costuma vir com um pacote social meio automático: ligações, mensagens, gente querendo “marcar presença”, perguntas pessoais, expectativa de reação animada.
Pra quem é mais reservado, para quem não gosta de ser o foco ou para quem sente que precisa “atuar felicidade” para não decepcionar os outros, isso vira uma situação estressante.
Em vez de ser um dia leve, vira um evento que exige energia emocional — e nem todo mundo está disposto a gastar essa energia.
Outra peça importante são experiências antigas. Se a pessoa já passou aniversários decepcionantes, com brigas, ausências marcantes, constrangimentos, promessas quebradas ou aquela sensação de ter sido esquecida, o corpo aprende.
Mesmo que o contexto hoje seja diferente, a data pode reativar lembranças e sentimentos ligados a essas situações. Às vezes, o incômodo não vem de “não gostar de comemorar”, e sim do que o aniversário já significou em outros momentos.
Há casos em que a recusa é uma forma de autoproteção. Quem convive com ansiedade social pode evitar encontros e interações que geram tensão. Quem está em um período depressivo pode sentir um contraste duro entre o “clima esperado” e o que realmente consegue sentir.
E tem quem esteja passando por luto, esgotamento, conflitos familiares ou fases de baixa autoestima — e só não quer lidar com exigências extras num dia em que todo mundo espera uma versão “pra cima” dela.
Também existe um aspecto de controle: o aniversário pode virar um dia em que outras pessoas decidem o que você “tem que fazer” (festa surpresa, postagem pública, chamada de vídeo, reunião).
Para algumas pessoas, recusar comemoração é uma maneira de proteger limites e manter o dia sob comando próprio, sem performance e sem obrigação de agradar.
Por fim, vale lembrar: não comemorar não significa não valorizar a vida. Muita gente só prefere outro formato — algo discreto, íntimo e coerente com o jeito de ser.
Pode ser passar o dia com rotina normal, sair para um programa simples, ficar offline, fazer uma atividade que relaxa, ou encontrar uma ou duas pessoas de confiança sem “evento” montado.
Se você convive com alguém assim, insistir costuma piorar. Ajuda mais perguntar com naturalidade como a pessoa gostaria de viver a data (ou se prefere que passe batido) e respeitar.
E se a pessoa perceber que todo aniversário vira sofrimento, irritação intensa ou tristeza difícil de manejar, pode ser um bom sinal para olhar com mais cuidado para o que essa data está acionando — não para “forçar festa”, mas para entender o significado emocional por trás disso.
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