Psicologia e comportamento

“Quero te fazer esse alerta como amiga”: Psicóloga explica porque cérebro das pessoas está pifando com Alzheimer e Parkinson cada vez mais cedo

Sabe quando você percebe que ficou o dia inteiro “ocupada”, mas no fim não lembra direito do que fez? Não é preguiça nem falta de força de vontade: é o efeito de viver com a atenção em disputa, pulando de uma notificação para outra, de um vídeo curto para mais três, e de uma aba aberta para um looping que nunca fecha.

E é exatamente esse cansaço mental — que parece normal porque virou rotina — que está no centro de um vídeo que viralizou nos últimos dias.

No reel, a psicanalista e palestrante Andréa Vermont puxa o assunto com a frase “quero te fazer esse alerta como amiga” e defende uma ideia direta: o cérebro humano não foi feito para ser multitarefa e, sem foco, “pifa” mais cedo.

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Ela também diz que a sociedade “disputa nossa atenção” e nos mantém hiperestimulados desde muito cedo, criando um desgaste contínuo.

Vale colocar um ponto importante aqui, para não virar pânico: não existe uma linha reta do tipo “mexer no celular = Alzheimer”. Só que há, sim, um problema real por trás do alerta — e ele tem nome: atenção fragmentada crônica.

Quando a gente tenta fazer várias coisas ao mesmo tempo, na prática, o cérebro costuma alternar o foco rapidamente entre tarefas, o que aumenta a sensação de fadiga e reduz a qualidade do que é feito (e do que é lembrado depois).

É nessa “vida no modo reativo” que entram hábitos que, esses sim, aparecem com força nas pesquisas como fatores associados a pior saúde do cérebro ao longo do tempo.

O que a ciência vem mostrando com mais consistência é outra lógica: doenças neurodegenerativas têm múltiplas causas e riscos, e uma parte relevante deles é influenciada por fatores do dia a dia — sono, saúde cardiovascular, sedentarismo, consumo de álcool, tabagismo, isolamento social, controle de pressão e diabetes, perda auditiva/visual não tratada, poluição do ar, entre outros.

A Comissão da The Lancet, que atualiza periodicamente esse mapa de risco, listou 14 fatores modificáveis e estima que enfrentar esse conjunto pode reduzir uma fatia considerável de casos no mundo.

E por que muita gente tem a sensação de que está acontecendo “cada vez mais cedo”? Um dos motivos é que há dados sugerindo aumento da carga de demência em pessoas com menos de 65 anos, com a influência de fatores como tabagismo, IMC elevado e glicose alta, além de mudanças populacionais e diagnósticas.

No caso do Parkinson, também existem análises globais mostrando crescimento do número de casos e projeções de aumento forte nas próximas décadas — muito impulsionado por envelhecimento populacional, mas com discussão sobre ambiente, estilo de vida e critérios diagnósticos.

A parte em que o alerta da Andréa Vermont encaixa bem é esta: a hiperestimulação constante costuma bagunçar sono, rotina e saúde física, e esse combo conversa diretamente com os fatores “pé no chão” que a literatura médica acompanha.

A própria OMS recomenda medidas objetivas para reduzir risco de declínio cognitivo e demência, como atividade física regular, não fumar, evitar uso nocivo de álcool, manter peso saudável e controlar pressão, colesterol e glicemia.

Já no Parkinson, além de idade e genética (que não dá para “editar”), pesquisas seguem investigando exposições ambientais — como pesticidas — como peças possíveis do quebra-cabeça em determinados contextos e populações.

No fim, o vídeo viral funciona mais como um “acorda” sobre a forma como a gente está treinando a atenção todos os dias: se tudo te chama ao mesmo tempo, seu cérebro passa o dia apagando incêndio.

E, quando isso vira regra, sobra menos espaço para o básico que protege a cabeça no longo prazo: sono decente, movimento, alimentação, vínculos, acompanhamento médico e um mínimo de silêncio mental no cotidiano.

Assista ao vídeo tocando aqui (Instagram).

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Fonte: OMS

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Gabriel Pietro

Redator com mais de uma década de experiência.

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